Quando Elena se virou para olhá-lo, Damon fez um esgar e apontou para o chão. "Ajoelhe-se e rasteje até mim." Ele gritou com ela como se fosse um cachorro.
Elena apertou os lábios e abaixou a cabeça, mascarando sua expressão.
"O que? Você não quer?"
Elena ainda não se moveu, recusando-se a entreter Damon.
Sua indiferença alimentou uma crescente raiva dentro de Damon, fazendo-o se levantar abruptamente da mesa. Com passos pesados, ele avançou em direção a Elena.
Sem hesitar, ele segurou o queixo dela com força, inclinando seu rosto para cima, e travou seu olhar com o dela, seus olhos queimando de acusação.
"Elena RoseFord", ele cuspiu seu nome com desprezo. "Eu não a tratei bem o suficiente? Eu te proporciono uma mesada no valor de milhares de dólares por mês, permitindo-lhe uma vida de luxo sem a necessidade de trabalhar incansavelmente." Cada sílaba que ele proferia rasgava seu espírito, alimentando um fogo dentro dela que queimava de indignação. "Tudo o que eu pedi foi para você preparar uma refeição para minha mãe, e ainda assim você me trai? Você ousa me trair?"
O peso do aperto de Damon e o veneno que permeava suas palavras enviaram tremores pelo corpo de Elena. Ela sentiu a picada de suas acusações, a pura injustiça de suas suposições pesando sobre ela.
"Ha, ha!" Naquele momento crucial, Elena encontrou sua voz, seus olhos se estreitando com determinação. "Você realmente acha que isso é considerado um tratamento bom? Nesse caso, por que você não contrata uma empregada? Pelo menos uma empregada ainda tem direitos e controle sobre sua própria vida."
Naquele momento carregado, as palavras de Elena pairavam no ar, um desafio desafiador à dinâmica tóxica que havia definido seu relacionamento.
A sala tremia com o peso de suas verdades não ditas, deixando Damon confrontar as consequências de suas próprias ações.
Ela se apoiou contra o aperto rude dele, recusando-se a se encolher sob seu olhar. A força dentro dela aumentou. "Eu? Eu não tenho nada! Se você acha que eu estou tendo uma vida tão boa, por que você não troca comigo? Eu te darei 10.000 dólares por mês. Você serve a sua mãe e a mim mesma. Você não precisa fazer muito, apenas nos faça três refeições por dia. O que você acha?"
Tapa!
Damon deu um tapa forte em Elena.
Elena inconscientemente devolveu o tapa, mas foi segurada por Damon.
"Você quer morrer?" Suas palavras cortaram o ar como uma faca. "Eu não acho que você percebe o quão baixo seu patético pai se rebaixou hoje. Ele me implorou, de joelhos, para não te divorciar. Ele suplicou por perdão uma última vez, mostrando a profundidade de sua desesperança. E ainda assim, você se atreve a levantar a mão contra mim?"
Elena sentiu seu coração afundar, sua respiração ficando presa na garganta. A revelação da desesperança de seu pai a esfaqueou. A realização se instalou pesadamente sobre ela, uma mistura agridoce de traição e clareza recém-encontrada.
Enquanto a ameaça de Damon pairava no ar, os punhos de Elena se cerraram, suas unhas cavando em suas palmas. Uma raiva fervente cresceu dentro dela, alimentada pelo conhecimento de que seu marido não passava de um canalha.
Lágrimas brotaram nos olhos de Elena, mas ela lutou para contê-las, recusando-se a deixar sua vulnerabilidade ser usada contra ela.
O aperto de Damon no pulso de Elena afrouxou, mas a picada de seu toque permaneceu em sua pele. "Isso é bom. Não é melhor se você agir assim daqui para frente. Você tem sorte de ter um bom pai."
Seu tapinha condescendente em sua bochecha era como uma zombaria de afeto, um lembrete de que seu valor aos olhos dele se reduzia a uma esposa dócil e obediente. O amargor cresceu dentro dela, uma mistura de raiva e tristeza pela mulher que ela havia se tornado, presa em um casamento sem amor e opressivo. "Se ele não tivesse se ajoelhado e implorado por mim, eu não teria te deixado escapar tão facilmente. Seja uma boa garota daqui para frente, ou então não me culpe por não considerar nosso relacionamento como marido e mulher."
Um frio medo se instalou dentro dela enquanto suas palavras condescendentes caíam sobre ela como pedaços de vidro quebrado.
Depois que Damon terminou de falar, ele olhou para a criada ao seu lado e disse: "Mantenha um olho na Jovem Senhora. Se ela sair e causar problemas novamente, você será o responsável!"
"Sim, senhor!"
**
Três dias depois, na mansão da família Granger, o segundo andar abrigava uma sala de estudos adornada com um estilo europeu sutil, mas luxuoso. O ambiente emanava uma aura de sofisticação e refinamento, com sua decoração meticulosamente curada em tons de preto.
Ao adentrar a sala de estudos, uma sensação de calma e tranquilidade permeava o ar. As paredes, adornadas com obras de arte de bom gosto, proporcionavam um banquete visual para os olhos, enquanto a iluminação suave criava uma atmosfera íntima. Estantes de livros revestiam as paredes, com suas prateleiras repletas de uma vasta coleção de conhecimento e sabedoria.
Harley Louis estava encostado casualmente na janela, um brilho travesso nos olhos. "Deixe-me te contar", ele começou, sua voz cheia de conversa animada. "Esses velhos na família Granger são algo à parte. No momento em que te avistaram retornando, juro, estavam cuspindo maldições entre os dentes."
Enquanto falava, ele gesticulava enfaticamente com as mãos. Harley fez uma pausa para efeito dramático, um sorriso irônico brincando em seus lábios. "Mas é claro", ele acrescentou com um suspiro teatral, "eles tiveram que colocar seus melhores sorrisos falsos e te receber de braços abertos. Honestamente, deveriam ser indicados ao Oscar pela atuação que fizeram."
Aaron Granger não prestava atenção na conversa de Harley. Seus dedos esguios seguravam um cigarro que havia parado de queimar há um tempo.
Quando Harley finalmente parou de falar, Aaron perguntou: "Onde está a pessoa que pedi para você procurar?"
Harley engoliu em seco. "Realmente não é minha culpa." Ele suspirou. "Senhor, a mulher se apresentou como Diana Flowers, mas isso é muito provavelmente um nome falso. Muitas pessoas usam nomes falsos no clube, sabe."
Aaron suspirou, entediado, mas o gesto foi tão sutil que Harley nem percebeu. O homem continuou tagarelando. Aaron foi até a janela e olhou para o jardim de sua vasta propriedade.
Como ele poderia encontrar alguém que havia feito questão de se esconder?
"E as câmeras de segurança?" Aaron insistiu.
"A mulher saiu antes do amanhecer e entrou em um táxi, senhor. Ainda não descobri onde o motorista do táxi a deixou."