Capítulo 1
Allana narrando...
Acordo com o meu celular despertando, levanto e vou tomar um banho e fazer minhas higienes...
Desço as escadas pronta pra inciar mais uma semana, vou em direção a cozinha e vejo a minha avó preparando nosso café.
Allana: Bom dia, benção vó.
Dona Eleonor: Benção minha filha, venha tomar café. — Sentamos na mesa e tomamos o café, pego minhas coisas e me despeço da minha avó, assim que chego na porta sinto um frio na espinha e uma sensação horrível, olho novamente para a minha avó e ela sorri pra mim.
Dona Eleonor: Vai logo menina, vai se atrasar assim, bom serviço, a vó te ama.
Allana: Estou indo vó, também te amo, até mais tarde.
Saio de casa com aquela sensação r**m e vou para o ponto de ônibus, quando a Marina aparece.
Marina: Entra ai gata. — ela diz de dentro do carro, entro e vamos em direção ao serviço, trabalhamos juntas em um shopping. — Lindo né, até que ele se puxou. — Ela diz revirando os olhos e eu do risada, os pais dela são ricos e querem que ela entre no mesmo embalo, mas ela não tem uma relação boa com eles, eles são os pais que dão presente em vez de ser presentes...
Allana: É, se puxou.
Chegamos no serviço e eu continuava com aquele sentimento r**m, começamos a atender os clientes... Bateu o horário do almoço e eu peguei meu celular vendo que tinha uma mensagem de minha avó onde dizia "Minha menina, estou indo no banco receber aquele dinheiro, beijos te amo." — respondo com um "Ok, te amo também vó."
Eu e a Marina pedidos o prato do dia e começamos a conversar.
Marina: Que foi Allana, está col uma carinha triste?
Allana: Eu só não estou legal, acordei estranha hoje. – ela concordou e nosso almoço chegou, assim que almoçamos demos uma volta no shopping e chegou o horário de retornarmos ao serviço. Assim que entramos o meu gerente nos olha dos pés a cabeça.
Adriano: Allana, venha comigo por favor. — ele fala e um frio percorre o meu corpo todo. Olho pra minha amiga que me olha sem entender também.
Marina: Relaxa, não é nada demais. — eu apenas concordo e o acompanho até sua sala.
Allana: Pois não Sr. Adriano.
Adriano: Infelizmente Allana, vou ter que te demitir, as vendas estão baixas e não tem o porque ficar com tantas pessoas aqui. — meu chão se abre, pois como eu e minha avó iremos fazer para nós nos mantermos.
Allana: Tudo bem Sr. Adriano. — falo com os olhos lacrimejando já.
Adriano: Sinto muito Allana.
Allana: Posso ir?
Adriano: Toma aqui está o acerto, novamente sinto muito. Pode ir. — eu pego o envelope e concordo, saio da sala dele e a Marina me olha, assim que ela me vê segurando as lágrimas ela se aproxima de mim.
Marina: O que foi amiga?
Allana: Ele me demitiu.
Marina: O que mais porq? Como ele pode?
Allana: As vendas estão baixas, não se estressa com isso, vou dar um jeito.
Marina: Eu vou pedir as contas agora mesmo e você fica no meu lugar.
Allana: Para Mari, eu vou dar um jeito, você não pode sair do serviço. — a Mari gosta de ser independente e quando ela não está trabalhando e sendo sustentada pelos pais eles se acham no direito de dar palpites na vida dela.
Marina: Ok, mas vamos dar um jeito nisso, somos melhores amigas... estarei aqui por ti sempre.
Allana: eu sei que sim, agora preciso ir. — a gente se despede e eu vou indo em direção ao ponto do ônibus, mas meu celular toca eu olho e vejo que é um número desconhecido, atendo e seguindo caminho até a ponto.
Ligação on...
XX: Senhorita Allana?
Allana: Pois não? Sou eu mesma.
XX: Allana, aqui é a doutora Lúcia, tem como você vir no hospital xxxx. Precisamos conversar.
Allana: O que houve?
Lúcia: Allana, sua avó sofreu um acidente. – eu congelo e fico em silêncio, saio do transe quando uma moto passa raspando em mim e me xingam "Tá maluca p***a, sai do meio da rua" eu termino de atravessar a rua já em lágrimas.
Allana: Claro, já estou a caminho.
Ligação off...
—
Chego no hospital e vou até a recepção.
Allana: A Doutora Lúcia, preciso falar com ela.
Lúcia: Aqui, sou eu, venha como por favor senhorita. — acompanho a mesma até uma sala reservada. — Allana, eu sinto muito, mas sua avó estava voltando de uber quando bateram no carro que ela estava, o fazendo capotar diversas vezes. — Começa tudo a girar... minha avó cadê ela meu Deus. — infelizmente ela e o motorista vieram a óbito na hora. — eu perco todos os sentidos e só choro e choro, a Doutora me acalma e eu estou sem chão minha vozinha. Tudo no mesmo dia, perdi o serviço e a minha avó, o que irei fazer agora.
Depois de resolver tudo no hospital saio indo em direção ao ponto do ônibus para ir para a casa, ligo pra Marina e conto tudo, ela fica de me encontrar lá em casa. Estou na parada sozinha quando começa a chuver. O ônibus demora muito para vir e a chuva não para. Sinto algo pressionar as minhas costas e logo encosta um cara do meu lado.
XX: Bora princesa, passa tudo... — olho pra trás vendo que tem outro armado. Começo a chorar e entregar as coisas, mas eles não satisfeitos me levaram para o beco atrás da parada e fizeram o que eu mais temia, abusaram de mim e fizeram meu dia piorar ainda mais, eu estou sem chão, eles começam a desferir tapas e chutes em mim e eu desmaio.
—
Acordo assustada e percebo que estou no hospital.
Lúcia: Minha querida, como está?
Allana: Meu Deus, esse é o pior dia da minha vida. — Desmancho em lágrimas novamente.
Lúcia: Eu sinto muito querida, eu sei o que aconteceu, mas olha pra mim, tu vai sair dessa, as coisas irão melhorar, você é forte meu bem, sua avó não iria querer te ver assim. — eu concordo com ela. — tem alguém que queira ligar. — eu concordo e dou o número da Marina. Não demorou muito e ela chegou. Quando ela me viu me abraçou e começou a chorar junto comigo.
Marina: Eu sinto tanto amiga, me desculpa, eu devia ter me demitido e te levado para a casa.
Allana: A culpa não é sua, está ouvindo. — ela concorda entre lágrimas.
Marina: Como ela chegou aqui?
Lúcia: Um rapaz a trouxe aqui, disse que a encontrou no beco atrás da parada toda ensaguentada e machucada.
—
A médica receita algumas coisas, fomos embora para minha casa, eu só precisava de um banho e cama, Marina deitou comigo e me abraçou, passando todo conforto para mim. Decidi cremar a minha avó, era isso que ela queria, a Marina que me ajudou em tudo, tanto financeiramente como com o apoio.
—
2 semanas depois...
Não consigo serviço em lugar nenhum e pra piorar hoje recebi a carta de despejo, tenho até o final de semana para sair daqui e eu não sei o que fazer, para onde ir... Marina não tem como me ajudar, ela mora com seus pais e a relação deles é horrível e mesmo assim não conseguiria morar de favor... Respiro fundo e então vejo que não tem outra saída, vou ter que voltar para o morro. Lá temos a nossa casa, o último lugar que eu queria ter que voltar, mas é isso ou morar na rua.
—
Depois de tudo organizado, Marina me ajuda e nós vamos em direção ao morro, Marina me deu um celular para podermos conversar, mandei mensagem para Tainá, minha amiga de infância aqui do Morro e falei que eu estava voltando... Ela amou a ideia, mas eu, eu estou apavorada.
Chego no pé do morro e tiro as coisas do carro, me despeço da Marina que fala que outra hora aparece aqui... Caminho até a entrada e rezo para não cruzar com aquele filho da p**a, não agora pelo menos... Sou barrada na entrada e quando eu vejo quem é eu não consigo parar de sorrir, ele fica me olhando sem entender p***a nenhuma.
Pistola: Iih qual foi mina, virou dentista que não para de mostrar os dentes?
Allana: Credo pistola, não lembrava que você era tão grosso assim. — ele me olha com uma careta, realmente ele não está me reconhecendo e eu entendo, sai daqui há 5 anos atrás e eu era morena e meu cabelo era mais pro liso e sem contar que meu corpo era menos chamativo.
Tainá: Meu Deus você voltou, ai Allana que saudade cara. — Pistola arregalou os olhos.
Pistola: p***a Allana, tá diferente demais.
Allana: o tempo me fez bem, agora eu posso subir? — Pistola coça a cabeça e o V7 aparece, lembro dele também, ele fazia a minha segurança.
V7: O que tá pegando aqui? Moradora nova? Vamo ter que ir falar com o chefe. — nessa hora eu engulo seco, olho para a Tainá apavorada já.
Allana: Não, pelo amor de Deus, eu não posso encontrar com ele agora. — falo já começando a chorar.
Tainá: Calma Allana, o CB não é mais o Dono daqui. — agora quem arregala os olhos é o V7.
V7: c*****o Allana, quanto tempo po. — Nós nos comprimentamos e eu olho pra eles aliviada.
Allana: Ele ...?
V7: Não, ele não morreu. — na mesma hora eu murcho de novo.
Pistola: Mas perdeu o posto, ele estava virado em um vacilão, então foi rebaixado pra vapor.
Allana: Então ele ainda tá no Morro? — eles concordam e eu passo a mão nos cabelos.
V7: fica suave que contigo ele não faz nada, agora bora lá fala com o patrão. — eu concordo e então subimos em direção a boca, com vários olhares curiosos sobre mim. V7 bate na porta e então uma voz grave e que chega arrepiar manda entrar e assim fazemos.
V7: Patrão, essa é a Allana, ela morava aqui, mas foi embora, ela tem uma casa na rua 7 e quer voltar, trouxe ela pra vocês conversarem. — O "patrão" que até então estava com a cabeça baixa, levantou seu olhar para mim e minha nossa senhora, me arrepiei todinha. Ele me olhou de cima a baixo me deixando completamente envergonhada e molhada só pelo olhar intimidador que ele direciona a mim.