Capítulo 6 — Só Existe Uma Cama

1616 Words
O som do despertador ecoou como um murro seco no silêncio do quarto. Stella estremeceu nos meus braços, enterrando o rosto no meu peito, tentando se esconder da manhã que chegava implacável. — Desliga… Ela murmurou, a voz rouca, carregada de sono, mas com um toque de provocação que me atravessou como com sua voz quente. Sorri, um sorriso raro, que talvez nem eu soubesse que era capaz de dar. Deslizei a mão pelos cabelos dela, puxando suavemente. — Não vai fugir de mim hoje. Respondi, minha voz baixa, grave, um aviso e uma promessa ao mesmo tempo. Ela ergueu o rosto, os olhos semicerrados, a boca entreaberta, ainda inchada dos beijos da noite anterior. Um convite silencioso que me fazia esquecer qualquer urgência do dia. — Eu não estou fugindo… Rebateu, mas o sorriso torto no canto dos lábios a denunciava. Me inclinei e capturei sua boca num beijo lento, exploratório. Não era um beijo de bom dia. Era um lembrete. Um aviso de que, sob aquele teto, só existia uma cama. E nela, só existia espaço para nós dois. Quando me afastei, ela estava ofegante, os olhos arregalados, como se o mundo tivesse parado ao nosso redor. — Você sempre acorda assim? Sussurrou, a voz embargada, quase reverente. — Assim como? Perguntei, provocando, a mão já deslizando pela lateral do corpo dela. — Como se quisesse me devorar. Ela respondeu, o rosto corando, os lábios tremendo. Inclinei-me outra vez, mordiscando levemente seu lábio inferior. — Não só quero. Eu vou. O gemido baixo que escapou dela foi como gasolina no fogo que já queimava em mim. Com um movimento rápido, a puxei para cima de mim. Stella arqueou as costas, os cabelos caindo ao redor do rosto como um véu selvagem. Meus olhos correram por cada curva, cada pequeno tremor, gravando tudo na memória como uma pintura viva. Ela tentou protestar, mas as palavras morreram quando deslizei as mãos pelos quadris, guiando-a. — Eu… eu não… Ela balbuciou, a respiração já falha. — Você quer. Eu interrompi, a voz firme, mas cheia de um calor que me surpreendia. — Sente. Ela se moveu devagar, experimentando, testando a si mesma e a mim. O contato arrancou um gemido rouco da minha garganta, um som primal, carregado de posse e entrega. Quando ela afundou completamente, o mundo desapareceu. Meus dedos cravaram na cintura dela, o controle pendurado por um fio tão frágil que podia se romper a qualquer segundo. Ela se moveu outra vez, os lábios entreabertos, os olhos fechados, como se estivesse flutuando. — Olha pra mim. Ordenei, minha voz saindo baixa, rasgada. Ela abriu os olhos, e naquele instante, percebi: não existia mais barreira. Não existia mais jogo. Ali, éramos apenas dois corpos despidos, duas almas queimando no mesmo fogo. Ela começou a se mover com mais força, mais confiança, o som dos nossos corpos se chocando enchendo o quarto, um ritmo que era só nosso. Cada vez que ela descia, sentia como se fosse meu último suspiro. Cada vez que subia, o vazio me rasgava, me lembrando do quanto eu precisava dela. Ela gemeu alto, o nome quebrou dos lábios dela como uma prece. — Christian… Fechei os olhos, o som me atravessando, se alojando em algum lugar que eu não sabia existir. Quando senti as contrações começarem, puxei-a para baixo, segurando forte. Meu quadril subiu, profundo, possessivo. — Goza pra mim. Sibilei, os dentes roçando o pescoço dela. — Agora. Ela explodiu, o grito dela vibrando contra meu peito, o corpo tremendo descontrolado. Perdi o controle. Segurei os quadris dela com força, tomando cada parte, até que a onda me levou também, arrancando um rugido baixo, o nome dela preso entre os dentes. Por um longo momento, ficamos ali, respirando pesadamente, as testas coladas, os corações batendo como tambores em guerra. Ela escorregou para o meu peito, os braços ao redor do meu pescoço, o corpo ainda tremendo em pequenos espasmos involuntários. — Eu… Ela começou, mas as palavras ficaram presas. Passei a mão pelo cabelo dela, sentindo a suavidade úmida contra os meus dedos. — Não precisa dizer nada. Murmurei. — Aqui, não existe mentira. Só nós. Ela respirou fundo, afundando ainda mais no meu abraço. O silêncio voltou, mas era um silêncio diferente. Não era tenso, não era uma arma apontada. Era um abrigo. Depois de um tempo, percebi que ela havia adormecido outra vez. O corpo pesado, entregue, como se finalmente tivesse encontrado um porto seguro. Observei cada detalhe. O contorno suave da mandíbula, os lábios levemente entreabertos, a pele ainda corada do prazer. Ela parecia tão pequena ali, mas ao mesmo tempo, tão poderosa. "Como você se infiltrou em mim tão rápido?", pensei, passando o polegar pela curva do ombro dela. "Como conseguiu quebrar todas as minhas defesas sem nem perceber?" Eu era Christian West. O homem que não precisava de ninguém. O CEO que dobrava empresas e destruía adversários com um simples olhar. Mas ali, com ela adormecida na minha cama, percebi que todas as minhas guerras haviam sido apenas preparação para essa batalha silenciosa. A batalha de manter Stella. De manter o que sentia por ela escondido. Ou talvez… de finalmente admitir. Fechei os olhos, respirando o cheiro dela, sentindo o calor do corpo pequeno e quente contra o meu. Por um instante, deixei a máscara cair. Não havia câmeras. Não havia contratos. Não havia espectadores. Só existia uma cama. E, nela, eu me rendia completamente a ela. Acordei .O quarto ainda estava tomado por uma penumbra suave, a luz da manhã filtrava-se pelas cortinas pesadas como um suspiro tímido. Eu estava deitada sobre o peito dele, e podia sentir cada batida do seu coração vibrando contra a minha pele. Um som grave, constante, tão humano que parecia impossível associar ao homem frio e inatingível que eu conhecia no escritório. Fechei os olhos, tentando organizar o turbilhão que me atravessava. As lembranças da noite anterior me invadiram como ondas quentes: os beijos, os gemidos, a forma como ele me segurou como se eu fosse algo precioso e perigoso ao mesmo tempo. O modo como seu olhar me devorava, como se ele estivesse me esperando há muito mais tempo do que ousava admitir. Foi a noite mais intensa da minha vida. A pele ainda ardia nos lugares onde ele me tocou, os lábios ainda formigavam onde ele havia marcado. A minha i********e ainda sentia as ondas dos vários orgasmos daquela noite. A verdade era que eu sempre o quis. Desde o primeiro dia na empresa. Desde o momento em que entrei naquela sala envidraçada, vi o olhar frio, os cabelos escuros perfeitamente penteados para trás, a mandíbula dura, os olhos tão afiados que pareciam cortar minha respiração. Eu deveria ter sentido medo. E senti. Mas era um medo que carregava outro nome: desejo. Nunca consegui explicar, nem para mim mesma , como um homem mais velho, doze anos de diferença, tão distante, tão inatingível, podia mexer comigo dessa forma. Era o magnetismo sombrio dele, a maneira como todos se encolhiam quando ele passava, como se fosse um predador solto entre presas. E eu… eu sempre fui atraída pelo perigo. Lembrei de quantas vezes saí da sala dele com as pernas trêmulas, o coração acelerado, as mãos suadas. Quantas noites acordei soando seu nome, o corpo implorando por um toque que eu não deveria querer. Mas agora, depois daquela noite, tudo parecia tão claro. Eu não apenas desejava Christian. Eu sempre o esperei. O prazer que ele me deu era diferente de tudo. Não era apenas físico. Era um prazer que me dissolvia, que me reconstruía em pedaços menores e mais reais. O tipo de prazer que deixa marcas, que fica gravado no sangue. Na forma como ele me olhava, eu via uma fome contida. Uma espera silenciosa que ele mesmo talvez nem soubesse explicar. Passei a ponta dos dedos pelo peito dele, devagar, como se estivesse lendo um livro escrito em carne. Na empresa, ele era o meu chefe. O CEO intocável. O homem que me mandava memorandos impessoais, que criticava cada atraso, cada erro mínimo. O mesmo homem que me obrigava a manter a postura ereta, a língua afiada, a coragem sempre pronta. Mas aqui, debaixo , na mesma cama, ele era só Christian. Um homem de carne e osso, pulsando sob meus dedos, respirando meu nome no escuro. Quis rir ao lembrar das vezes em que jurei para mim mesma que o odiava. Que aquele frio que sentia era repulsa. Mentira. Sempre foi desejo. Sempre foi ele. O Christian do escritório me dominava com a frieza, me dobrava com palavras afiadas. O Christian da cama me destruía com calor, me reconstruía com toques. Senti as lágrimas subirem, mas segurei. Não queria que ele me visse fraca, não queria me entregar por completo… ainda. Respirei fundo, apoiando o queixo no peito dele, observando a expressão relaxada que eu nunca tinha visto antes. Ali, ele parecia quase… humano. E talvez fosse isso que mais me quebrasse. Saber que, por trás das paredes de vidro e das reuniões implacáveis, existia um homem que esperava por mim. Era insuportável e lindo ao mesmo tempo. Acariciei o rosto dele, os traços fortes, a barba que começava a crescer, a boca que me ensinou mais sobre mim mesma em uma noite do que todos os meus amores passados juntos. Naquele instante, percebi que eu não podia mais me enganar. Eu o desejava mais do que o ar. Mas amanhã, no escritório, eu voltaria a ser a secretária. Ele voltaria a ser o CEO. O mundo lá fora não aceitaria o que éramos ali. Mas naquela cama, só existia uma verdade: eu era dele. E, no fundo, ele também já era meu.
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