Capítulo 5 — A Primeira Noite de Silêncios

1456 Words
O quarto estava mergulhado numa penumbra suave. A cidade lá fora parecia distante, como se Manhattan tivesse sido engolida por um véu espesso de segredos. Eu ainda sentia cada pulsar no corpo, como se o toque dele tivesse deixado um mapa invisível na minha pele. Estava deitada de lado, o rosto virado para Christian, que me observava em silêncio. Os olhos dele eram dois abismos insondáveis, escuros, famintos, mas agora havia algo diferente ali. Uma ternura contida, um cuidado que eu nunca imaginei encontrar por trás daquela fachada fria. A respiração dele era pesada, compassada, mas não era apenas desejo , era um silêncio carregado de pensamentos não ditos, de confissões que pairavam no ar como uma promessa não pronunciada. Eu me mexi, puxando o lençol para cobrir o corpo, mas Christian segurou meu pulso, impedindo. — Não! A voz dele cortou o ar, baixa e firme. — Não se esconda de mim. Meus olhos encontraram os dele, e senti a garganta apertar. Não era apenas sobre o corpo. Era sobre ser vista. Sobre ser lida, como um livro que se abre sem permissão. — Eu não estou me escondendo… Sussurrei, mas até eu mesma ouvi a mentira nas minhas palavras. Ele ergueu uma sobrancelha, aproximou-se, os lábios roçando meu queixo. — Você mente até no silêncio. Murmurou, e havia quase um sorriso triste ali. — Mas eu vou ensinar você a parar. O toque dele foi lento, paciente. As pontas dos dedos traçaram meu pescoço, desceram pelo colo, percorreram os contornos dos meus s***s com uma delicadeza c***l. Cada roçar arrancava um pequeno suspiro, um arrepio que se espalhava como fogo líquido. — Você está tremendo. Ele disse, a voz rouca, os olhos fixos no meu rosto. — Não estou… Tentei negar de novo, mas ele pressionou um dedo sobre meus lábios. — Silêncio. Ordenou, o tom tão baixo que parecia um sussurro íntimo só nosso. — Só sente. Fechei os olhos, entregando-me à maré. O quarto estava quieto, mas dentro de mim, havia um vendaval. Senti os lábios dele tocarem minha clavícula, descendo em beijos lentos, quase devocionais. Ele explorava cada pedaço como se tivesse todo o tempo do mundo, como se cada milímetro da minha pele fosse um território sagrado. Quando chegou ao seio, passou a língua em círculos lentos ao redor do mamilo, sem pressa, me fazendo arquear as costas em busca de mais. — Christian… Murmurei, a voz tão baixa que parecia um pensamento. Ele não respondeu. Apenas sugou o mamilo com firmeza, arrancando um gemido profundo do meu peito. Sua outra mão descia devagar, explorando minha barriga, chegando ao centro do meu desejo. O toque foi suave no início, como um afago tímido, mas logo se tornou exigente. Eu me contorcia, cada músculo implorando, cada batida do coração gritando o nome dele. — Olha pra mim. Ele pediu, a voz carregada, quase quebrada. Abri os olhos, e nossos olhares se encontraram. Foi como se o mundo inteiro desaparecesse, como se só existisse aquele momento, aquele silêncio. Quando senti o orgasmo se aproximar novamente, o corpo inteiro estremeceu, o quadril buscando mais contato. Ele não desviou os olhos nem por um segundo. Estava ali comigo, inteiro, presente, como se quisesse me gravar dentro dele. O clímax veio como uma onda gigante, me arrancando da realidade, me afogando no prazer. Gritei, os olhos ainda presos nos dele, e vi quando o rosto dele se contorceu em puro êxtase, como se sentisse cada espasmo dentro do próprio corpo. Quando voltei a respirar, Christian se deitou ao meu lado, puxando-me para o peito. Eu ainda tremia, a pele quente, o coração disparado. — Você é um problema. Ele murmurou, os lábios tocando minha testa. — Um problema que eu quero na minha cama todas as noites. Não consegui responder. Apenas me aconcheguei mais, sentindo o cheiro dele, o calor. Ali, no silêncio da noite, percebi que não era apenas sexo. Era uma guerra silenciosa entre dois mundos que nunca deveriam ter se cruzado. Christian acariciava meus cabelos, a respiração lenta, como se estivesse contando segredos só para si mesmo. — Por que eu? Perguntei, quebrando o silêncio, a voz embargada. — Por que você me escolheu? Ele ficou em silêncio por um longo tempo, os dedos ainda se movendo em círculos lentos na minha nuca. — Porque você me desafia. Disse, finalmente, a voz rouca, carregada de uma sinceridade crua. — Porque você não tem medo de mim… mesmo quando deveria. Fechei os olhos, sentindo uma lágrima quente escorrer pela têmpora. Ele a enxugou com o polegar, mas não disse mais nada. O silêncio voltou, denso, pesado, mas estranhamente confortável. Um silêncio que falava de segredos, de promessas não feitas, de feridas antigas. Eu queria perguntar mais. Queria invadir cada parede que ele ergueu ao longo dos anos. Mas, naquela noite, entendi que às vezes as palavras são armas, e o silêncio, um abrigo. Minutos depois, senti os lábios dele encostarem na minha testa, depois na minha bochecha, num carinho que parecia tão errado vindo de alguém como ele, e ainda assim, tão certo. — Dorme. Ordenou, mas o tom era suave, quase terno. O sono me pegou aos poucos, me levando para um lugar onde as vozes não podiam me alcançar. Onde só existia o calor dele, o peso do braço ao meu redor, o cheiro que já estava gravado em mim. No último momento antes de apagar, ouvi uma confissão rouca, quase inaudível, que vibrou contra meu couro cabeludo. — Eu também não sei mais como fugir de você. A frase se misturou aos meus sonhos, um sussurro que ecoaria para sempre no fundo da minha alma. E assim, naquela primeira noite de silêncios, percebi que já estávamos muito além do jogo. Já não era mais uma farsa, um contrato, uma provocação. Era algo que não podia mais ser nomeado. Era um mergulho sem volta. Quando senti a respiração dela finalmente se tornar lenta, pesada, percebi que Stella havia caído num sono profundo. O quarto estava mergulhado em silêncio, exceto pelo som ritmado da cidade lá fora, uma sinfonia distante que parecia não nos alcançar. Eu a observei por longos minutos. O rosto dela parecia tão pacífico, tão vulnerável. Um contraste violento com a mulher de língua afiada, teimosa, que me enfrentava sem medo durante o dia. Meu dedo percorreu a linha suave do maxilar dela, depois subiu para traçar a curva delicada da sobrancelha. Eu não devia fazer isso. Não devia me permitir olhar tão de perto. Mas já era tarde demais. Eu tinha me convencido de que tudo era um jogo. Um contrato. Uma mentira que precisava ser controlada. Uma punição elegante para a ousadia dela. Mas quando a vi nua, tremendo sob o meu toque, gemendo meu nome com um abandono tão puro... algo em mim cedeu. Por anos, aprendi a viver no controle absoluto. Controlar pessoas, contratos, sentimentos. Nada escapava da minha ordem rígida. Até ela. Ela entrou no meu mundo como uma tempestade suave. Sorrateira. Imprevisível. E agora estava aqui, dormindo na minha cama, o corpo colado ao meu, como se sempre tivesse pertencido a este espaço. Senti meu peito apertar, uma sensação estranha, quase sufocante. Era medo. Eu odiava sentir medo. O que ela estava fazendo comigo? Por que cada respiração dela parecia arrancar mais uma camada da minha armadura? Eu passei os dedos pelos fios soltos do cabelo dela, respirando o cheiro doce, quase inocente. Um cheiro que agora estava gravado na minha pele, preso na minha mente como uma marca. Ela se mexeu levemente, murmurando algo incompreensível, e se aninhou ainda mais no meu peito. Um calor me atravessou, rasgando por dentro. “Você é um problema, Stella”, pensei, repetindo a frase que eu mesmo dissera. Um problema que eu não sabia se queria resolver... ou eternizar. Por um instante, imaginei acordá-la, tomar seus lábios outra vez, invadir seu corpo até que ela gritasse meu nome mais uma vez. Mas segurei o impulso. Ela estava exausta, entregue. E, estranhamente, aquela entrega silenciosa era mais poderosa do que qualquer grito. Fechei os olhos, respirando fundo, sentindo o peso dela sobre mim como uma âncora. Uma âncora que me puxava para um fundo que eu nunca imaginei querer explorar. “Eu também não sei mais como fugir de você”, confessei mais cedo, num lapso de fraqueza. E agora, no escuro, a verdade ecoava em mim como um trovão silencioso. Eu estava perdido. Com ela, não existiam contratos que me salvassem. Não existiam cláusulas, punições ou ameaças capazes de manter essa mulher fora de mim. Naquela noite silenciosa, enquanto Stella dormia tranquila, eu entendi a dimensão do problema onde havia caído. E, pela primeira vez em muito tempo, não tive vontade de sair.
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