David
As próximas horas foram gastas ligando para Alice e o seu motorista. Fui até obrigado a cancelar o encontro com o meu amigo, que não ficou chateado porque raramente cancelava e porque a sua vida era feliz o suficiente para ficar bravo com essas coisas. Ele era de fato casado com a mulher que amava, tinha um filho muito esperado e um negócio tão próspero que poderia se expandir para outro continente em poucos meses. O meu já tinha feito isso anos atrás, mas a má gestão do meu pai, ou melhor, a sua ingenuidade com os sócios, que o traíram não ajudou muito. Deu muito trabalho suportar um casamento horrível e conseguir estabilizar tudo e colocar o negócio imobiliário de volta ao topo. E agora que tudo está como está, Alice decidiu enlouquecer.
— Onde dia*bos você está? Murmurei enquanto andava de um lado para o outro no nosso quarto, onde eu tinha chegado depois de procurá-la como um louco no shopping. — Com quem dia*bos você está?
Fui até a janela e dei um soco, fazendo o vidro tremer. O meu estômago estava queimando há meia hora, e a minha cabeça estava prestes a explodir também. Eu poderia imaginá-la descobrindo sobre mim e Amira e vingando-se ficando com outro homem. Mesmo que ela fosse puritana, eu duvidava muito que se*xo com ela fosse insuportável. Bastou um olhar para ela para saber que, mesmo que ela ficasse parada, você poderia go*zar satisfatoriamente.
Qualquer homem iria querer levá-la para a cama e não discutiria muito se ela buscasse refúgio nos seus braços.
— Por que estou pensando em coisas tão estúp*idas? Bati na bochecha para tentar sacudir o cérebro.
Antes que eu pudesse ligar novamente para o motorista, para quem eu já havia ligado quarenta e cinco vezes, recebi uma ligação de Amira. Pensei em desligar, mas decidi atender. Depois do que fizemos, era improvável que eu tivesse dores de cabeça, ao contrário da minha infeliz esposa.
— Você poderia vir me buscar? Ela disse. A sua voz soava chorosa. — Sofri um acidente na aula.
— Você está bem? Perguntei, preocupado.
— Eu me cortei com uma faca de cozinha. Estou bem, mas prefiro ir para casa.
— EU…
— Por favor, David, venha me buscar, preciso de você.
Suspirando em resignação, assenti.
— Ok, eu vou...
A minha frase ficou inacabada, pois nesse momento Alice entrou no quarto com sacolas de compras. Ela estava usando uma calça bem justa e uma regata branca que deixava o início dos seus se*ios visível. O seu cabelo loiro caía em ondas sobre os ombros, do jeito que ela costumava usar antes de se casar comigo.
Desliguei a ligação com Amira e caminhei na sua direção num passo rápido. Alice arregalou os olhos e tentou sorrir, mas não conseguiu; Peguei-a pelo braço e a suas compras caíram.
— Onde di*abos você estava? Perguntei, sem perceber que estava gritando.
— Fui às compras. Estou vindo do shopping. Ela disse nervosamente. — David, o que você está fazendo aqui?
— Você não vai ver a minha cara de idi*ota. Estou ligando para você há horas e nem você, nem seu m*aldito motorista me atendem. E eu te procurei no shopping, você não estava lá. O que você estava fazendo?
Ela cerrou os dentes e se afastou de mim com força, uma força que eu não sabia que ela tinha. A raiva era tanta nos seus olhos que por um momento pensei que ele tivesse descoberto o meu relacionamento com Amira.
— Eu fui dar uma volta mais cedo, David. Eu não queria falar com você nem com mais ninguém. Ela confessou, me deixando perplexo. — Acho que deveríamos reconsiderar o nosso relacionamento.
— Que? Sobre o que você está falando? Eu engasguei.
— Você me deixou sozinha no nosso aniversário de novo. Ela retrucou. — E eu sei que não pareço chateada, mas acho que estou. Eu estou, muito mesmo.
— Alice, você sabe que…
— Eu sei, eu sei que você tem muita viagem e trabalho a fazer. O fato de a sede da imobiliária não ser aqui é problemático, mas pelo menos você poderia tirar um tempinho para mim, ou me dizer de uma vez por todas se não quer ficar comigo para que eu...
— Para você?! Eu gritei, sacudindo-a. — Para que você possa procurar outra pessoa e me deixar?
— Eu não disse...
— É isso que você está querendo dizer. É isso que sugere quando você se veste desse jeito, quando nunca o faz.
— Eu queria fazer algo por…
— Você é minha esposa. Murmurei, pegando-a nos braços. Alice se contorceu com o beijo forçado que comecei a dar nela, mas não me importei. As minhas veias ardiam de raiva. — Você não vai me trocar por outro homem.
Alice continuou a se contorcer, mas começou a gemer quando a deitei na cama e posicionei-me sobre ela para chupar o seu pescoço. Era longo, elegante, macio e exalava um perfume que alcançava todas as partes do meu corpo, especialmente a parte que eu queria inserir nela.
Eu queria tra*nsar com ela pelo menos uma vez. Seria aceitável mantê-la calma até que tudo isso acabasse? Sim, talvez. Eu faria isso, seria meu antes de qualquer outra pessoa.
No entanto, a razão voltou quando o meu celular vibrou e me lembrei de Amira. Não, eu não podia tocar em Alice, eu não podia ceder aos desejos idio*tas do meu pai e do meu sogro.
— Você está saindo? Alice perguntou quando eu relutantemente me afastei.
— Sim. Tenho assuntos de trabalho. Respondi. — Não vai sair, Alice. Se quiser ir as comprar é só me dizer.
— Mas...
— Iremos ao médico em breve. Algo não está certo com você.
O olhar que ela me deu, deixou claro o que ela queria dizer. Não é comigo que tem alguma coisa errada. É com nos dois. Ainda assim, não fiquei e fui ajudar a única mulher que eu queria naquele momento.
Ninguém iria me impor nada. Nem mesmo o meu intendo desejo pela minha esposa.