Pensar nisso me fez sorrir.
— Senhor, o que eu faço? A voz de Eva me tirou dos meus pensamentos.
— Primeiro ligue para casa e pergunte pela minha esposa. Ordenei. — Preciso saber como ela está.
A minha assistente sorriu. Ela também acreditou na história de que eu estava muito apaixonado pela minha esposa.
— Em relação às reuniões, estarei disponível apenas para o Sr. Wright. Cancele o restante e remarque.
— Sim. Senhor.
Eva saiu do escritório sem reclamar, mas não sem antes fechar as cortinas para que nenhum dos meus funcionários idio*tas pudesse me ver. Eu odiava todos eles, sem exceção, mas não tinha poder para expulsá-los.
— Senhor. Eva anunciou alguns instantes depois. — Liguei para a sua casa.
— Então?
— Não consegui falar com a sua esposa. Mas disseram-me que ela está bem e que ela saiu para fazer compras.
— O que? Saltei do meu lugar. — Não... Mas, com quem?
— Eh, não sei. Acho que mencionaram que com um amigo, não entendi bem.
A dor de cabeça aumentou, fazendo me parecer louco e querer matar todo mundo. Especialmente a assistente está*pida na minha frente.
Alice ficou sem dúvidas enfurecida com o fracasso do nosso segundo aniversário.
Foi a primeira vez que ela saiu de casa sem mim.
ALICE
Saí de casa com a plena convicção de tornar a tarde de David difícil.
No momento, não pensei que ele prestaria muita atenção à minha ausência, mas queria que o plano fosse mais fácil e não tivesse que desistir.
O motorista parou em frente aos escritórios da empresa onde Arthur trabalhava. Ele não me fez nenhuma pergunta sobre a minha visita, já que não era estranho que eu decidisse visitá-lo também. Claro, eu sempre fazia isso com o David.
— George, posso pedir-lhe um favor? Perguntei-lhe.
— Sim, menina Alice, claro. Respondeu-me.
— Não informe o meu marido sobre esta visita. Eu só... Ele poderia ficar com um pouco com ciúmes e eu não quero nenhum problema.
— Você sabe que a minha lealdade é para você. Ele lembrou-me. — Posso perguntar se precisa de alguma coisa? Vejo-a um pouco preocupada.
— São apenas os meus problemas de saúde. Preciso de falar com o Arthur para me acalmar. Eu respondi.
Ele virou a cabeça e eu pude ler a preocupação nos seus olhos. George me conhecia desde criança e sempre me tratou como uma princesa. Mesmo depois de me casar, ela continuou a me chamar de «menina Alice ». Nenhum de nós deixou que isso mudasse o nosso relacionamento.
— Não tenho nada sério. Tentei rir, mas ele não relaxou a sobrancelha. — Acho que é que estou ansiosa. Ontem, o meu marido ...
— Você sabe o que eu acho dele. Ele disse num tom seco, se acomodando de volta no seu assento. — Mas prefiro reservar as minhas opiniões.
As palavras de George ainda ecoavam na minha mente enquanto eu subia no elevador até o andar onde a empresa estava localizada. Todos me cumprimentaram com um sorriso, especialmente a assistente, Mariza, que era uma senhora de temperamento forte, mas comigo ela era um sol adorável.
— Entre, filha, o Sr. Orwell está esperando por você. A propósito, você não veio com o seu marido?
— Decidi ser um pouco mais independente. Eu respondi.
Mariza levantou a suas sobrancelhas vermelhas.
— Serio? Que bom ouvir isso. É hora de você brilhar por conta própria.
Com muito nervosismo. E uma mistura das palavras de George e Mariza na cabeça, fui até o escritório de Arthur, que me recebeu com um abraço. O cheiro dele era quase idêntico ao do papai, então eu sempre me sentia imediatamente confortada.
Dessa vez eu queria chorar.
— O que houve, Alice? Ele me perguntou enquanto estávamos sentados na pequena sala de estar perto da janela saliente. — Eu te conheço desde do tempo que você cabia na palma da minha mão, então não minta para mim.
— Não vou mentir para você. Eu disse, segurando as lágrimas. Estar com Arthur me fez sentir protegida, mas também como uma garotinha vulnerável. — O meu casamento é uma mentira, uma farsa.
— Que? Ele franziu a testa. — Mas vocês se casaram por amor. E o seu marido...
— O meu marido não me ama. Interrompi. — Ele dorme com a minha funcionária, Amira, a garota a quem ofereci apoio para pagar os seus estudos.
— A filha de Janice? Ele perguntou, ficando pálido. — Não, não, você deve…
— Eu mesmo os vi. Expliquei, movendo as mãos nervosamente para tentar não destruir nada. — Eles estavam fazendo se*xo no quarto de hóspedes, onde ela estava hospedada.
— Infeliz. O seu rosto, antes branco, estava ficando vermelho. — Você deveria se divorciar de…
— Não, ainda não.
— Ele sabe que você sabe?
— Não, eu queria falar com você sobre esse outro assunto. Eu o interrompi. — David não sabe que eu descobri e eu não quero que ele saiba ainda.
— Mas filha, o mais rápido possível…
— Quero ler o acordo pré-nupcial que assinei. Quero ver quais são minhas opções.
— Claro, mas posso lhe dizer desde já que, uma vez comprovada a infidelidade, ele perderá todos os benefícios do casamento e ficará em dívida com você pela ajuda que lhe foi dada para salvar a imobiliária.
Assenti lentamente, pensando em mil possibilidades que fizeram o meu coração disparar. Se isso acontecesse, David não estaria mais em apuros, pois a sua imobiliária estaria melhor do que nunca graças à sua excelente gestão. Eu precisava sacaneá-lo com algo mais do que apenas coisas materiais.
— Vou me divorciar quando chegar a hora certa. Eu respondi.
— A hora é agora.
— Tenho que reunir provas, não acha? Preciso fazer tudo o que preciso fazer. Colocar GPS no seu carro é o principal, assim como câmeras em casa.
— Bom, o seu tio é especialista nisso. Sugeriu ele com um sorriso.
— Sim, terei que falar com Declan e o meu tio, assenti. Tenho certeza de que eles me darão todas as ferramentas que preciso. Graças a Deus David nunca interferiu no meu relacionamento com eles.
— Mas você terá que viajar para...
— Não, isso não será necessário. Interrompi-o. — Eles enviarão alguém para me ajudar.
— Bom.
Arthur acariciou a cabeça, moldada pela barba grisalha, e estreitou os olhos. Eu estava pensando numa maneira melhor de me ajudar, e isso me faz sentir um pouco melhor. Ter aliados que pudessem me apoiar era melhor do que estar sozinha, exceto pelo fato de que o meu amor por David vive em mim. O amor faz de você uma presa vulnerável e fácil para mentiras e enganos, mas eu me protegeria da melhor maneira possível.
Durante muito tempo, o Arthur tentou convencer-me a fazê-lo o mais rápido possível, mas eu recusei. Eu não disse para ele exatamente o que eu queria fazer, mas eu consegui convencê-lo com a desculpa de que queria reunir todas as provas possíveis.
Quando sai do prédio, algumas horas depois eu não me sentia melhor. Mas, não sentia vontade de chorar e agora estava com a cabeça fria.
— Eu quero ir as comprar no shopping. Disse ao George que assentiu.
— Menina Alice, o seu marido ligou. Ele ligou, mas, não atendi.
Eu sorri, agora eu me sentia muito melhor, até eufórica. Ele me procurou e talvez estivesse com medo.
— Você fez muito bem.
Verificando o meu celular, eu vi que tinha mais de trinta ligações dele, o que me fez rir em voz alta.
— Fo*da-se eu bastardo. Eu vomitei as palavras que estavam me atormentando, enquanto desligava o telefone.
— Você disse alguma coisa, menina Alice? George me perguntou.
— Não. Não disse nada. Eu respondi e sorri. — Vamos ao shopping.