Episódio 5

1346 Words
Pensar nisso me fez sorrir. — Senhor, o que eu faço? A voz de Eva me tirou dos meus pensamentos. — Primeiro ligue para casa e pergunte pela minha esposa. Ordenei. — Preciso saber como ela está. A minha assistente sorriu. Ela também acreditou na história de que eu estava muito apaixonado pela minha esposa. — Em relação às reuniões, estarei disponível apenas para o Sr. Wright. Cancele o restante e remarque. — Sim. Senhor. Eva saiu do escritório sem reclamar, mas não sem antes fechar as cortinas para que nenhum dos meus funcionários idio*tas pudesse me ver. Eu odiava todos eles, sem exceção, mas não tinha poder para expulsá-los. — Senhor. Eva anunciou alguns instantes depois. — Liguei para a sua casa. — Então? — Não consegui falar com a sua esposa. Mas disseram-me que ela está bem e que ela saiu para fazer compras. — O que? Saltei do meu lugar. — Não... Mas, com quem? — Eh, não sei. Acho que mencionaram que com um amigo, não entendi bem. A dor de cabeça aumentou, fazendo me parecer louco e querer matar todo mundo. Especialmente a assistente está*pida na minha frente. Alice ficou sem dúvidas enfurecida com o fracasso do nosso segundo aniversário. Foi a primeira vez que ela saiu de casa sem mim. ALICE Saí de casa com a plena convicção de tornar a tarde de David difícil. No momento, não pensei que ele prestaria muita atenção à minha ausência, mas queria que o plano fosse mais fácil e não tivesse que desistir. O motorista parou em frente aos escritórios da empresa onde Arthur trabalhava. Ele não me fez nenhuma pergunta sobre a minha visita, já que não era estranho que eu decidisse visitá-lo também. Claro, eu sempre fazia isso com o David. — George, posso pedir-lhe um favor? Perguntei-lhe. — Sim, menina Alice, claro. Respondeu-me. — Não informe o meu marido sobre esta visita. Eu só... Ele poderia ficar com um pouco com ciúmes e eu não quero nenhum problema. — Você sabe que a minha lealdade é para você. Ele lembrou-me. — Posso perguntar se precisa de alguma coisa? Vejo-a um pouco preocupada. — São apenas os meus problemas de saúde. Preciso de falar com o Arthur para me acalmar. Eu respondi. Ele virou a cabeça e eu pude ler a preocupação nos seus olhos. George me conhecia desde criança e sempre me tratou como uma princesa. Mesmo depois de me casar, ela continuou a me chamar de «menina Alice ». Nenhum de nós deixou que isso mudasse o nosso relacionamento. — Não tenho nada sério. Tentei rir, mas ele não relaxou a sobrancelha. — Acho que é que estou ansiosa. Ontem, o meu marido ... — Você sabe o que eu acho dele. Ele disse num tom seco, se acomodando de volta no seu assento. — Mas prefiro reservar as minhas opiniões. As palavras de George ainda ecoavam na minha mente enquanto eu subia no elevador até o andar onde a empresa estava localizada. Todos me cumprimentaram com um sorriso, especialmente a assistente, Mariza, que era uma senhora de temperamento forte, mas comigo ela era um sol adorável. — Entre, filha, o Sr. Orwell está esperando por você. A propósito, você não veio com o seu marido? — Decidi ser um pouco mais independente. Eu respondi. Mariza levantou a suas sobrancelhas vermelhas. — Serio? Que bom ouvir isso. É hora de você brilhar por conta própria. Com muito nervosismo. E uma mistura das palavras de George e Mariza na cabeça, fui até o escritório de Arthur, que me recebeu com um abraço. O cheiro dele era quase idêntico ao do papai, então eu sempre me sentia imediatamente confortada. Dessa vez eu queria chorar. — O que houve, Alice? Ele me perguntou enquanto estávamos sentados na pequena sala de estar perto da janela saliente. — Eu te conheço desde do tempo que você cabia na palma da minha mão, então não minta para mim. — Não vou mentir para você. Eu disse, segurando as lágrimas. Estar com Arthur me fez sentir protegida, mas também como uma garotinha vulnerável. — O meu casamento é uma mentira, uma farsa. — Que? Ele franziu a testa. — Mas vocês se casaram por amor. E o seu marido... — O meu marido não me ama. Interrompi. — Ele dorme com a minha funcionária, Amira, a garota a quem ofereci apoio para pagar os seus estudos. — A filha de Janice? Ele perguntou, ficando pálido. — Não, não, você deve… — Eu mesmo os vi. Expliquei, movendo as mãos nervosamente para tentar não destruir nada. — Eles estavam fazendo se*xo no quarto de hóspedes, onde ela estava hospedada. — Infeliz. O seu rosto, antes branco, estava ficando vermelho. — Você deveria se divorciar de… — Não, ainda não. — Ele sabe que você sabe? — Não, eu queria falar com você sobre esse outro assunto. Eu o interrompi. — David não sabe que eu descobri e eu não quero que ele saiba ainda. — Mas filha, o mais rápido possível… — Quero ler o acordo pré-nupcial que assinei. Quero ver quais são minhas opções. — Claro, mas posso lhe dizer desde já que, uma vez comprovada a infidelidade, ele perderá todos os benefícios do casamento e ficará em dívida com você pela ajuda que lhe foi dada para salvar a imobiliária. Assenti lentamente, pensando em mil possibilidades que fizeram o meu coração disparar. Se isso acontecesse, David não estaria mais em apuros, pois a sua imobiliária estaria melhor do que nunca graças à sua excelente gestão. Eu precisava sacaneá-lo com algo mais do que apenas coisas materiais. — Vou me divorciar quando chegar a hora certa. Eu respondi. — A hora é agora. — Tenho que reunir provas, não acha? Preciso fazer tudo o que preciso fazer. Colocar GPS no seu carro é o principal, assim como câmeras em casa. — Bom, o seu tio é especialista nisso. Sugeriu ele com um sorriso. — Sim, terei que falar com Declan e o meu tio, assenti. Tenho certeza de que eles me darão todas as ferramentas que preciso. Graças a Deus David nunca interferiu no meu relacionamento com eles. — Mas você terá que viajar para... — Não, isso não será necessário. Interrompi-o. — Eles enviarão alguém para me ajudar. — Bom. Arthur acariciou a cabeça, moldada pela barba grisalha, e estreitou os olhos. Eu estava pensando numa maneira melhor de me ajudar, e isso me faz sentir um pouco melhor. Ter aliados que pudessem me apoiar era melhor do que estar sozinha, exceto pelo fato de que o meu amor por David vive em mim. O amor faz de você uma presa vulnerável e fácil para mentiras e enganos, mas eu me protegeria da melhor maneira possível. Durante muito tempo, o Arthur tentou convencer-me a fazê-lo o mais rápido possível, mas eu recusei. Eu não disse para ele exatamente o que eu queria fazer, mas eu consegui convencê-lo com a desculpa de que queria reunir todas as provas possíveis. Quando sai do prédio, algumas horas depois eu não me sentia melhor. Mas, não sentia vontade de chorar e agora estava com a cabeça fria. — Eu quero ir as comprar no shopping. Disse ao George que assentiu. — Menina Alice, o seu marido ligou. Ele ligou, mas, não atendi. Eu sorri, agora eu me sentia muito melhor, até eufórica. Ele me procurou e talvez estivesse com medo. — Você fez muito bem. Verificando o meu celular, eu vi que tinha mais de trinta ligações dele, o que me fez rir em voz alta. — Fo*da-se eu bastardo. Eu vomitei as palavras que estavam me atormentando, enquanto desligava o telefone. — Você disse alguma coisa, menina Alice? George me perguntou. — Não. Não disse nada. Eu respondi e sorri. — Vamos ao shopping. ‍‌‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​‌​‌​‌​‌
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