Episódio 4

1705 Words
Alice Rir era a última coisa que eu deveria fazer, mas era o que eu mais queria fazer. Amira teve que esconder a sua raiva o melhor que pôde, dizendo que tinha tido um dia difícil, mas que me parabenizaria se eu estivesse grávida. Janice pediu desculpas várias vezes, olhando para a filha com um olhar assassino. David, por outro lado, pegou-me no colo e carregou-me até o quarto. — Tem certeza de que está bem? Ele perguntou, olhando para a porta. Era mais do que óbvio que ele queria ir com aquela mulher para ajudá-la. — Estou me sentindo melhor, obrigada, meu amor. Eu respondi. Toda a minha diversão inicial estava desaparecendo. Eu ainda estava sentindo o gosto dessa primeira vitória, mas foi triste confirmar que o meu marido amava outra mulher, uma por quem ele teria feito todo o possível para apoiá-la nos seus sonhos. — Por que você está tão tonta? Ele perguntou. — É realmente isso que Janice diz? O seu olhar de raiva inesperada reavivou a minha diversão. A ideia de ser corno o afetou muito; isso feriu o seu orgulho. Eu estava morrendo de vontade de gritar para ele que eu estava nos braços de outro homem, um homem de verdade, mas me contive. Fazê-lo sentir ciúmes dessa forma direta não iria funcionar. Pelo contrário, ele me veria como um ser inferior a ele. — Você está duvidando de mim, David? Perguntei com a voz trêmula. — Nunca fiquei com ninguém, nem mesmo com você. Muitas emoções passaram pelo rosto do meu marido e, de repente, ele estava sentado ao meu lado, acariciando o meu rosto. — Sem ninguém. Ele murmurou. Fiquei parada enquanto ele se inclinou e começou a beijar-me de uma forma apaixonada que era incomum nele. Por um momento me senti feliz, apaixonada como sempre, e correspondi ao beijo, que continuava a incendiar o meu interior, que despertava em mim os desejos mais apaixonados e, ao mesmo tempo, o maior amor. Quando pareceu que o beijo levaria a algo mais, ele afastou-se abruptamente e balançou a cabeça. — Desculpe, eu não deveria ter feito isso. Ele disse agitado, com os lábios vermelhos. — Você está tonta. — Acho que me sinto melhor agora. Respondi, lançando-lhe o meu olhar mais doce, embora ele estivesse de costas para mim. — Você poderia…? — Tenho que ir, mas prometo que volto… — Não, não é necessário. Se você tem trabalho a fazer com a nova coleção, eu entendo você. Eu o interrompi. — Mas então… — Claro, eu vou cuidar de você mais tarde. Ele prometeu, parecendo aliviado. Ele me deu um beijo na testa e foi embora, deixando para trás um rastro da sua colônia, que certamente ficou impregnada na pele de Amira. — Não, você não vai chorar. Sussurrei, piscando várias vezes e tocando a minha barriga para tentar acalmar a sensação de queimação nela. — Você não pode chorar, não mais. Pensei em me dar um tapa, mas não foi preciso. Quando me levantei, os meus olhos estavam secos novamente. — Senhora, por favor, me perdoe pelo que a minha filha fez. Janice me pediu da porta. — Nós limpamos tudo, e aquele jarro está… — Pelo amor de Deus, Jan. Eu sorri para ela docemente, um sorriso que seria falso até eu saber se ela sabia de tudo ou não. — É só uma jarra. Não se preocupe, eu entendo que Amira esteja nervosa. — Não sei, ela tem agido de forma muito estranha ultimamente. Eu suspeito que ela esteja namorando alguém, mas não consegui... — Calma. Interrompi-a. — Tenho certeza de que você logo descobrirá o que há de errado com elA. As verdades sempre vêm à tona. — Espero que sim, minha senhora. Ela sorriu aliviado, o que me fez saber que a pobre mulher não sabia de nada. — Sinto muito… — De jeito nenhum, Janice. Volte para baixo e aja como se nada tivesse acontecido. — Você precisa de alguma coisa? Ela perguntou. — Eu posso te trazer… — Não, não, estou melhor agora. Vou tomar café da manhã no shopping. E, a propósito, talvez eu vá ao médico. O meu check-up correu muito bem, mas acho que posso ter pego um resfriado. — E você não pensou em estar grávida? Ela sugeriu. — Você é uma mulher casada e… — Vou ver. Respondi, esperando que a mensagem chegasse até Amira. — Por enquanto, acho que é só cansaço e talvez falta de vitaminas. Vou começar a me exercitar e sair mais. — Isso é muito bom. Depois de alguns minutos, ela foi embora e aproveitei para tomar um banho rápido. Ao sair, disquei o número da única pessoa no mundo em quem eu confiava e que me diria o que fazer, mesmo que não concordasse com os meus planos. — Alice? Respondeu Arthur, meu advogado e o homem que era como um segundo pai para mim. — Que surpresa! — Você está no seu escritório ou em casa? Perguntei nervosamente e em voz baixa. — No meu escritório, querida. Ele respondeu. — Há algo errado? — Preciso de você. Eu disse com a voz embargada. — Posso ir te ver? — Claro, mas o que é que você…? — Eu te conto absolutamente tudo quando nos encontrarmos. Eu o interrompi. — A única coisa que posso te dizer é que mais cedo ou mais tarde, estarei divorciada. DAVID Não foi difícil convencer Amira a entrar no carro quando a encontrei no ponto de ônibus. O difícil foi fazê-la parar de gritar e chorar. — Por quê? Eu disse para você não engravidá-la! — Alice não está grávida, droga. Murmurei. — Você poderia se acalmar, por favor? Deixe-me falar. — Mas ela estava tonta. — E? Isso pode ser devido a muitas coisas? Você está paranoica, Amira. — Não, não estou. — Se ela está grávida, não é meu. Afirmei, sentindo um gosto amargo na boca ao dizer isso. Se fosse assim, eu arrancaria a cabeça dela, mas não antes de encontrar o seu amante e matá-lo na frente dela. Eu não ia deixar um miserável e um bastardo tomar o que era meu, e isso incluía a minha esposa. Enquanto ela e eu estivéssemos casados, ela seria minha propriedade. — Não, mas ela nunca sai de casa a não ser que seja com você. Ela disse entre dentes, causando-me uma grande satisfação interna que estava soterrada pela minha frustração. — Não minta para mim, David. Esse filho é seu. Vou deixar você na maldita escola e não quero que fique me procurando. Ela gritou enquanto eu parava no semáforo. — Eu odeio quando você fica assim. Se você não quer confiar em mim, tudo bem, mas... Amira pareceu sair do choque e balançou a cabeça. — Você me jura que ela não está grávida? Ela perguntou, apoiando-se no meu braço. — Perdoe-me, estou com muito medo. Você dorme com ela, a qualquer hora... — Você sabe que eu tenho que fazer isso, porque senão seria estranho, e você sabe que eu só faço isso quando estou naquela casa. Droga, Amira, nós lutamos tanto para ficarmos juntos, você acha que eu seria tão estúp*ido? — Você tem razão. Inclinei a cabeça, procurando os seus lábios apaixonados e esperando esquecer o beijo que eu dei na minha esposa. Eu estava prestes a desistir, e isso não era nada bom. Quando parei o beijo, fiquei um pouco assustado. Por alguma estranha razão, eu esperava ver Alice, não a minha namorada caprichosa e irritante. — Parece que temos alguns negócios para resolver. Ela disse maliciosamente, passando a mão sobre minha ereção. — Não estou feliz com você. — Por favor, me perdoe, David. Ela implorou. — Por favor, vamos para aquele hotel que... — Tudo bem, mas não vou te dar moleza. Você foi avisada. — Ok, ok. O seu prazer é o meu. Eu bufei diante de uma frase tão ridícula, que eu nunca tinha entendido, mas continuei o meu caminho para aquele lugar horrível onde costumávamos nos encontrar antes de eu deixá-la perto da escola. Tomar Amira era a melhor coisa que eu podia fazer agora para me livrar do desejo que a minha m*aldita esposa tinha me deixado. |•| Ao chegar às instalações da GoldenRush, senti-me um pouco aliviado. Nem Alice, nem Amira. Seria apenas eu e o meu trabalho que esqueceríamos o fato de que levei muito tempo para terminá-lo. Eu ainda estava furioso com Amira pela cena, mas também pela dúvida que estava corroendo a minha cabeça. O que dia*bos havia de errado com Alice? Ela estava doente ou tinha combinado de ver alguém? — Senhor! Exclamou Eva, minha assistente, quando bati o meu punho na mesa. — Você está bem? — Sim. Eu menti. — O que dia*bos você quer? — Você me chamou para confirmar os seus compromissos com os parceiros imobiliários. Ah, e o seu encontro com o Sr. Wright. — Droga, esqueci do Stephan. Murmurei, levando a mão à têmpora. A minha cabeça estava doendo de novo e, se não fosse pelo fato de que todos os meus exames estavam bem, eu teria pensado que havia algo errado comigo. Algo pior que uma doença estava me perseguindo, e era a ideia de ser corno. Não um corno como eu poderia ser se Amira me traísse. Isso poderia ser facilmente resolvido mandando ela se fod*er. Mas um corno oficial. Não havia nenhuma estipulação no acordo pré-nupcial sobre o que eu poderia fazer em caso de infidelidade, embora declarasse o que eu poderia fazer caso isso acontecesse. — M*aldito seja Ryan Kingston, você me ferrou. Pensei com ódio do meu falecido sogro. Mas ele também foi, em parte, justo, beneficiando-me caso Alice não pudesse me dar filhos. Eu aproveitaria isso e a deixaria na rua. Ou talvez não, talvez eu a fizesse minha amante quando Amira fosse minha esposa. Eu tornaria a vida dela tão miserável quanto ela tornou a minha. ‍‌‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​‌​‌​‌​‌
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