Episódio 3

1406 Words
— Podemos tomar café da manhã juntos? Perguntei inocentemente. — Acho que vou me atrasar. — Você é meu marido, pode se atrasar. Eu ri. David ficou em silêncio por alguns momentos. — Você está brava comigo? Você não vem me abraçar. — Droga, você me pegou. Murmurei, deixando-o pálido. Fingi não notar e corri para abraçá-lo. Os seus músculos bem trabalhados ficaram tensos como sempre, o que eu pensava que era porque ele estava afetado por mim, mas agora eu entendia o desgosto que ele sentia por mim ou o grande amor que ele sentia por aquela infeliz garota. — Estou só um pouco brava, mas sei que você vai me compensar. — Sim, claro que sim. Olhei para cima e encontrei algo que me deu esperança de atingir o meu objetivo. Os seus lábios carnudos separaram-se e a suas pupilas ficaram cada vez mais dilatadas. A sua maçã subia e descia enquanto ela inclinava a cabeça na minha direção para me beijar. E então eu me afastei. — Não, eu não escovei os dentes. Eu disse, me afastando. — E eu ainda estou com raiva. — Alice… — Se você quer que eu supere isso, pelo menos tome café da manhã comigo, por favor. Ele pensou por um momento e assentiu. Sorri de excitação. Amira certamente estaria lá para testemunhar a minha crise de náusea. Nunca haveria um filho entre mim e David, mas semear dúvidas nela seria o começo do fim para eles. DAVID Eu não poderia descrever o comportamento de Alice como estranho, mas foi a primeira vez que ela me disse abertamente que estava chateada. Ele sempre aceitava as minhas rejeições com um sorriso, aceitando e justificando as minhas desculpas. Está ficando mais difícil. Pensei irritado enquanto me vestia e tentava não pensar em como fiquei tentado a beijá-la quando ela me abraçou. Ela tinha vinte e sete anos, em comparação aos vinte de Amira, mas por algum motivo parecia muito jovem, especialmente quando não estava usando maquiagem. Naquela manhã, ela acordou com os lábios mais vermelhos do que nunca, como se os tivesse mordido, o que os fez parecer mais cheios do que o normal. Eu posso ter me apaixonado por Amira, mas ainda era um homem com desejos. E Alice era uma mulher linda, o meu ódio não me impediu de reconhecer isso. — Você se importa se eu descer com o rosto limpo? Alice me perguntou enquanto saía do quarto. — Claro que não. Respondi. — Você fica mais bonita assim. — Não acho que você esteja me dizendo a verdade, mas obrigada. Soltei um pequeno suspiro. Essa era a mesma Alice de sempre. Mesmo não querendo, eu precisava continuar tratando-a bem, pelo menos até que a notícia da sua suposta infertilidade chegasse. Lá embaixo estavam Janice e Amira, que estavam correndo para preparar o café da manhã. Tentei não olhar para Amira, mas era impossível. Dessa vez ela estava usando uma blusa que deixava à mostra os sei*os dela, aqueles que eu tinha colocado na boca na noite anterior. — Bom dia. Janice nos cumprimentou, sorrindo. — Estamos servindo café da manhã agora. — Eu só quero frutas. Disse Alice, fazendo com que todos nós a olhássemos surpresos. — Hoje acordei sem muito apetite. — Você está se sentindo m*al? Perguntei. Alice assentiu. — Sim claro. Talvez mais tarde, quando você for embora, eu tome mais café da manhã. — Espero que sim. Murmurei enquanto a segui até a sala de jantar. Ignorando Amira, segui a minha esposa até a sala de jantar. Puxei a cadeira para ela e sentei-me na cabeceira da mesa, de costas para as portas do jardim. Nossa casa, a pedido de Alice, não era a enorme mansão em que ela morava, mas sim uma casa de proporções menores, feita para um casal recém-casado que queria se ver o tempo todo. Eu odiava essa casa porque era difícil evitar Alice, mas eu era forçado a agradá-la. — Em breve tudo acabará. Você só precisa esperar um pouco. Consolei-me. Amira e Janice trouxeram o nosso café da manhã. Minha namorada, sem que a minha esposa percebesse, estava me matando com o seu olhar para que eu fosse embora de uma vez por todas, para que eu desse alguma desculpa e não tivesse que tomar café da manhã com ela. Eu a ignorei. Alice parecia um pouco indisposta e eu não iria embora até ter certeza de que ela ficaria bem. Não fiz isso porque estava preocupado, mas porque queria descartar a possibilidade de não termos sido pegos. Alice de repente pegou a minha mão quando eu estava prestes a comer. O seu sorriso doce deixou a minha mente em branco por um momento, até que ela falou. — Eu gostaria de ir às compras, você poderia vir comigo? — Desculpe, querida, mas tenho trabalho a fazer. Respondi. O seu sorriso permaneceu, embora tenha ficado mais triste. Ela gentilmente retirou a mão. — Tudo bem, vou às compras. — O que você precisa? Pode… — Não, são só roupas e outras coisas. Ultimamente, tenho me sentido um pouco mais inchada. — Inchada? Eu fiz uma careta. — Sinto muito que você não possa vir comigo, mas agradeço por ter me abraçado. Foi um lindo presente de aniversário dormir com você. Ela me disse, com a voz cheia de emoção. Parei de respirar. Quando os seus olhos castanhos brilhavam daquele jeito, eu sentia que a odiava ainda mais, porque eu simplesmente não conseguia desviar o olhar. Os seus lábios ainda estavam muito vermelhos, e senti aquela vontade idi*ota de beijá-los novamente. Aquele encontro rápido com Amira não funcionou para mim. Eu teria que encontrar alguma desculpa para nos vermos novamente. — Então, você estará aqui hoje à noite? — Acho que não. Eu respondi. — Bem, talvez eu consiga algum tempo, mas o trabalho imobiliário... — Entendo, mas pelo menos ligue e me avise. Acariciei a sua bochecha e sorri para ela. — Claro. Quando comecei a comer, notei que Amira estava fazendo o suco de laranja com raiva. Ela era muito ciumenta e territorial, e frequentemente me punia por demonstrar afeição por Alice. Não havia dúvidas na sua mente de que desta vez ela ameaçaria deixar-me, e eu teria que lhe dizer a mesma coisa novamente: pode ir embora. Mais tarde, ela se arrependeria. Aquele ciclo vicioso estava me cansando, mas não havia como deixá-la. Apesar de tudo, ela esperou tanto por mim e tinha grandes planos para nós dois. — Oh, infer*no. Alice gemeu, limpando a garganta. — O que está acontecendo? Perguntei a ela. — Acho que a fruta está um pouco madura demais. Experimentei outro pedaço de abacaxi e analisei o seu sabor. — Acho que está normal. — O gosto é… rui*m para mim. — Senhora, mas é fresco. Disse Janice, aproximando-se da sala de jantar. Um pensamento rápido passou pela minha cabeça, mas eu o descartei. Amira não ousaria fazer algo ru*im com Alice, não se ela não quisesse que a sua cabeça fosse cortada. — Não, talvez seja só eu que não esteja me sentindo muito bem. Alice respondeu docemente. — Não se preocupe, Janice. Vou comer outra coisa mais tarde. — Senhora. O rosto da minha futura sogra iluminou-se com um grande sorriso. — Será que você está…? Fiquei tenso e olhei para Alice, querendo matá-la. Grávida? Como? Eu não permitia que homens visitassem esta casa se eu não estivesse aqui. O som de vidro quebrando ecoou por todo o andar térreo. Nós três nos viramos para Amira, que havia deixado cair a jarra de suco e tremia da cabeça aos pés. Os seus olhos estavam arregalados e ele ficou muito pálido, revelando a sua raiva. — Sinto muito, sinto muito. Ela disse. Levantei-me para ajudá-la e evitar que ela se machucasse com o vidro, mas Alice também se levantou e cambaleou. Obrigação e uma preocupação secreta fizeram-me escolher Alice. ‍‌‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​‌​‌​‌​‌ ‍‌‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​‌​‌​‌​‌
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