Leah
O homem jaz morrendo no chão, a mancha de sangue se espalhando pelo carpete, e eu não consigo evitar o olhar, completamente estupefata.
O que eu fiz?
Que dia*bos eu fiz?!
Eu o matei.
Eu sou um assassino!
— Sua desgraçada... Ouço-o rosnar com os dentes cerrados, e então reajo.
— Meu Deus! Tapo a boca com as mãos antes de correr para o lado dele para ajudá-lo. — Socorro! Grito descontroladamente, rasgando a sua camisa. — Que po*rra você fez?
— Foi você... garotinha. Ela ainda tem forças para falar, então não estou completamente perdida. — Não era isso que você... queria?
— Cala a boca! Digo histericamente enquanto tampo o ferimento com as mãos trêmulas. — Alguém venha, droga!
Caramba! O sangue continua jorrando, o Di*abo começa a delirar e a histeria me domina quando ninguém responde aos meus soluços.
— O que está acontecendo...? Um homem de cabelos cor de cobre que eu nunca tinha visto antes irrompe na sala, atordoado com a cena. — Dean? Que p*orra...? O que você fez com ele? Ele questiona ao nos alcançar.
— Eu não queria! Protesto, o líquido carmesim manchando a minha pele pálida. — Foi ele! A arma disparou. Eu não queria!
Começo a chorar como uma louca, o meu corpo tremendo incontrolavelmente. O fato de Josephine chegar gritando não ajuda em nada. O caos se desenrola diante dos meus olhos, mas pior é o que está acontecendo no meu estômago e em todo o meu corpo em geral. No entanto, não tiro as mãos do ferimento sangrento.
Não sei como faço isso, mas me agarro ao peito do meu captor como se a minha vida dependesse disso enquanto o homem desconhecido levanta o seu corpo inconsciente para carregá-lo até a cama.
— Jo, ligue para o Dr. West. Ele pede antes de terminar de despir todo o seu torso. — E pegue o kit de primeiros socorros.
— O que você está fazendo? Pergunto, com os olhos saltando das órbitas. — Temos que levá-lo para um hospital!
— Você quer ir para a prisão? Pela primeira vez, ele me encara, me dando uma visão perfeita dos seus olhos, da mesma cor do seu cabelo. Por alguns segundos, esqueço o desastre ao meu redor e inclino a cabeça, examinando-o mais de perto. No fundo, ele parece o... Dia*bo. — Você quer? A sua pergunta me desperta do meu estupor, e eu tremo de horror. — Não, certo? Aqui. Ele me entrega o kit de primeiros socorros assim que Jo o traz.
— O que eu faço? Pergunto, o meu cérebro ainda em estado catatônico.
— Como eu sei! Você é a enfermeira aqui.
— Como...? Dean suspira de dor, e eu ignoro o fato de que o estranho sabe quem eu sou para me concentrar diretamente no ferimento. — Vou precisar de água esterilizada.
— Vou buscar. Anuncia a Sra. Josephine.
Limpo a área com extremo cuidado, com a ajuda do moreno, que aparentemente tem alguma habilidade em primeiros socorros.
— Espero que o médico traga sangue. Explico, com lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto. — Porque ele vai precisar.
O médico chega alguns minutos depois e, em questão de dez segundos, o quarto se transforma numa sala de cirurgia.
— Não há ferimento de saída. Ele comunica algo que eu já percebi. — A clavícula pode estar comprometida. A senhora já auxiliou em alguma cirurgia antes, Srta....?
— Falco. Completo. — Sim, eu já.
— Ótimo, você me ajudará na operação enquanto o Sr. Collins. Ele aponta o queixo para o estranho. — Monitore os sinais vitais.
Inserimos uma veia e instalamos dispositivos. Que não faço ideia de onde os conseguiram. Sob as instruções do cirurgião. Eles lidam com tudo com calma e eficiência, como se cenas como essas fossem comuns e já tivessem o equipamento pronto.
Passa-se uma hora interminável em que a tarefa de extrair a bala parece impossível. Ela se alojou no osso, e a melhor solução seria fraturá-lo e depois reconstruí-lo. Mas esse procedimento seria muito complicado, arriscado e, em hipótese alguma, poderia ser realizado numa sala cirúrgica improvisada sem a presença de um cirurgião ortopédico ou um raio-X prévio.
— Vamos, vamos. Dou um tapinha encorajador em mim mesma enquanto seguro a pinça.
— Aqui está. O maior suspiro que já soltei escapa dos meus lábios assim que vejo o pequeno encaixe entre a pinça. — Este design é bem estranho... e único. Explica o médico, examinando o conteúdo nas suas mãos. — A A?
— Amir Ahmad. Diz Collins, virando-se para me olhar. — Você certamente fez uma bela entrada, Leah Falco.
E quem dia*bos é esse?
Aparentemente, ele me conhece muito bem.
— Você deve ficar de olho nele pelas próximas 24 horas e me notificar sobre qualquer mudança ou sinal de alerta.
— É a sua vez, Garota de Fogo. Aponta o cara que ainda não conheço enquanto Jo acompanha o médico até a saída. — A propósito, eu sou Jackson.
— Eu sou Leah. Respondo. — Mas obviamente você já sabe disso. Você é amigo do assassino psicopata?
— Se você está se referindo ao Dia*bo... algo assim. Ele inclina a cabeça enquanto me olha estranhamente. — Jo vai garantir que você consiga tudo o que precisa e algo leve para o jantar. Você não vai atirar nele de novo, vai?
— Eu não atirei nele! Exclamo de repente, furiosa, aliviada por o choque momentâneo ter passado.
— Eu estava prestes a...
Um novo arrepio me percorre ao me lembrar das últimas horas. É demais. Ao meu redor, o tempo passa na velocidade da luz, carregado de uma intensidade avassaladora. Não acho que nenhum ser humano consiga suportar tal fardo por muito tempo.
— Como quiser.
— Se você é amigo desse degenerado perturbado, não deveria querer me matar por machucá-lo? Questiono, irritada, já que ele não perdeu nem um pouco a expressão divertida.
— Eu deveria... mas ele mesmo causou isso. Prometi não interferir e pretendo manter a minha palavra, então te vejo amanhã, querida. Ah! Ele para antes de cruzar a soleira da porta para se virar e sorrir para mim mais uma vez. — Bela apresentação que você deu hoje à noite. Eu entendo por que você irrita tanto os homens.
— Você não pode irritar alguém cujo cérebro já está doente. Respondo em tom de desdém antes de ir para o que presumo ser o banheiro.
Sem me importar com as consequências, tiro as minhas roupas encharcadas de sangue e entro no chuveiro quente. O passado, o presente e a inferência do futuro que me aguarda se misturam na minha cabeça, atormentando-me a ponto de me dar dor de cabeça.
Só saio da banheira quando a minha pele está completamente enrugada e me cubro com o primeiro roupão que encontro pendurado num armário enorme.
O maníaco quase transformou-me numa assassina, então não me importo com o que ele faça comigo se me pegar revirando os seus pertences. As coisas não podem piorar.
Jo entra no quarto com uma bandeja de comida e uma muda de roupa. Ela coloca tudo na minha frente antes de ir até a cama do chefe e tocá-lo em absoluto silêncio.
Eu não preciso ser um gênio para deduzir que ela está chateada comigo, para não mencionar triste. Eu me pergunto como uma mulher aparentemente gentil acabou amando o homem mais desprezível que já conheci na minha vida.
Hoje, mais do que nunca, odeio a minha mãe biológica por me trazer a este mundo.
Suspiro pela enésima vez, pegando as minhas roupas e me levantando para me trocar. No entanto, o seu chamado interrompe-me no meio do caminho: imagino a situação difícil pela qual você está passando. Ela afirma, sem desviar a atenção do Di*abo. — Você deve estar vivendo um infe*rno, literalmente. Ao longo dos anos, aprendi a aceitar que, por mais que eu o ame, o meu Dean não é um bom homem, mas ele não seria capaz de machucar uma mulher... pelo menos fisicamente.
— Ele ia me bater. Estremeço, lembrando-me do cinto nas suas mãos. — Ele tinha um...
— Eu não ia fazer isso. Ela objeta, muito certa da sua afirmação. — A mão do Dean não é fraca em infligir punição de todos os tipos, mas você pode viver sabendo que ele nunca encostará um dedo em você. Lembre-se disso da próxima vez.
Não foi isso que ele quis dizer quando me olhou com aqueles olhos dia*bólicos, prometendo me causar a dor mais agonizante.
Praticamente arrasto-me em direção ao banheiro e, quando volto, a mulher sumiu.
Fico parada diante do meu desprezível sequestrador de braços cruzados, examinando-o sem nem saber o que estou procurando.
As pessoas não nascem m*ás, elas simplesmente se desviam, e geralmente há uma razão convincente para isso.
— Quem é você, Dean Frost? Penso em voz alta. — E por que está me provocando em vez de se submeter?
Passo as mãos pelos cabelos soltos e faço um barulho estranho com os lábios ao perceber que estou tentando psicanalisar o homem que me mantém em cativeiro e ameaça assassinar os meus amigos.
Esfrego o pescoço, sentindo-me exausta, antes de movê-lo de um lado para o outro, na esperança de aliviar a tensão. Então, paro abruptamente quando vejo um dispositivo na gaveta entreaberta da minha criado-mudo.
Um celular. Meu celular!
Eu me jogo para pegá-lo a toda velocidade e rezo ao meu Deus todo-poderoso de joelhos quando verifico se ainda tem bateria.
O que eu faço? O que eu faço?
Não posso dizer nada e correr o risco de perder alguém, mas... consigo ouvir a voz da pessoa que mais amo no mundo. A única capaz de me acalmar.
Não hesito e, com os dedos trêmulos, disco o número enquanto contenho os soluços.
— Olá... É tudo o que consigo dizer.
— Pelo amor de Jesus Cristo! Lágrimas me traem com a sua exclamação, e a realidade me atinge com força. — Onde você estava, Leah Falco?
— Estou de férias. Consigo mentir.
— Sem contar a ninguém? Você enlouqueceu?! Eu nem me afasto quando o grito dela ameaça machucar o meu tímpano. — Ou você está pensando em deixar Romeu e eu loucos?
— Desculpe, ok? Prendo a respiração para conter um soluço. — Tive um colapso emocional, e você sabe como eu sou.
— Onde você está?
— Vim para o orfanato. Mordo o lábio inferior. — Senti falta da Dona Clarice e das crianças. Não sei quanto tempo ficarei aqui, mas será muito tempo. Admito, com pesar. — O serviço não é bom, então não me ligue. Farei isso quando puder.
O D*iabo se move inquieto sob os lençóis, e o medo me atinge instantaneamente. Não quero, mas preciso desligar.
— Leah...
— Preciso desligar. Digo apressadamente. — Você não tem ideia do quanto eu te amo, Cassandra Reid.
O sujeito geme de dor, e eu rapidamente paro as suas mãos enquanto ele tenta tocar o ferimento.
— Não, não! Ele suspira, delirante. — Seu filho da pu*ta!