Episódio 11

1842 Words
Leah O homem jaz morrendo no chão, a mancha de sangue se espalhando pelo carpete, e eu não consigo evitar o olhar, completamente estupefata. O que eu fiz? Que dia*bos eu fiz?! Eu o matei. Eu sou um assassino! — Sua desgraçada... Ouço-o rosnar com os dentes cerrados, e então reajo. — Meu Deus! Tapo a boca com as mãos antes de correr para o lado dele para ajudá-lo. — Socorro! Grito descontroladamente, rasgando a sua camisa. — Que po*rra você fez? — Foi você... garotinha. Ela ainda tem forças para falar, então não estou completamente perdida. — Não era isso que você... queria? — Cala a boca! Digo histericamente enquanto tampo o ferimento com as mãos trêmulas. — Alguém venha, droga! Caramba! O sangue continua jorrando, o Di*abo começa a delirar e a histeria me domina quando ninguém responde aos meus soluços. — O que está acontecendo...? Um homem de cabelos cor de cobre que eu nunca tinha visto antes irrompe na sala, atordoado com a cena. — Dean? Que p*orra...? O que você fez com ele? Ele questiona ao nos alcançar. — Eu não queria! Protesto, o líquido carmesim manchando a minha pele pálida. — Foi ele! A arma disparou. Eu não queria! Começo a chorar como uma louca, o meu corpo tremendo incontrolavelmente. O fato de Josephine chegar gritando não ajuda em nada. O caos se desenrola diante dos meus olhos, mas pior é o que está acontecendo no meu estômago e em todo o meu corpo em geral. No entanto, não tiro as mãos do ferimento sangrento. Não sei como faço isso, mas me agarro ao peito do meu captor como se a minha vida dependesse disso enquanto o homem desconhecido levanta o seu corpo inconsciente para carregá-lo até a cama. — Jo, ligue para o Dr. West. Ele pede antes de terminar de despir todo o seu torso. — E pegue o kit de primeiros socorros. — O que você está fazendo? Pergunto, com os olhos saltando das órbitas. — Temos que levá-lo para um hospital! — Você quer ir para a prisão? Pela primeira vez, ele me encara, me dando uma visão perfeita dos seus olhos, da mesma cor do seu cabelo. Por alguns segundos, esqueço o desastre ao meu redor e inclino a cabeça, examinando-o mais de perto. No fundo, ele parece o... Dia*bo. — Você quer? A sua pergunta me desperta do meu estupor, e eu tremo de horror. — Não, certo? Aqui. Ele me entrega o kit de primeiros socorros assim que Jo o traz. — O que eu faço? Pergunto, o meu cérebro ainda em estado catatônico. — Como eu sei! Você é a enfermeira aqui. — Como...? Dean suspira de dor, e eu ignoro o fato de que o estranho sabe quem eu sou para me concentrar diretamente no ferimento. — Vou precisar de água esterilizada. — Vou buscar. Anuncia a Sra. Josephine. Limpo a área com extremo cuidado, com a ajuda do moreno, que aparentemente tem alguma habilidade em primeiros socorros. — Espero que o médico traga sangue. Explico, com lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto. — Porque ele vai precisar. O médico chega alguns minutos depois e, em questão de dez segundos, o quarto se transforma numa sala de cirurgia. — Não há ferimento de saída. Ele comunica algo que eu já percebi. — A clavícula pode estar comprometida. A senhora já auxiliou em alguma cirurgia antes, Srta....? — Falco. Completo. — Sim, eu já. — Ótimo, você me ajudará na operação enquanto o Sr. Collins. Ele aponta o queixo para o estranho. — Monitore os sinais vitais. Inserimos uma veia e instalamos dispositivos. Que não faço ideia de onde os conseguiram. Sob as instruções do cirurgião. Eles lidam com tudo com calma e eficiência, como se cenas como essas fossem comuns e já tivessem o equipamento pronto. Passa-se uma hora interminável em que a tarefa de extrair a bala parece impossível. Ela se alojou no osso, e a melhor solução seria fraturá-lo e depois reconstruí-lo. Mas esse procedimento seria muito complicado, arriscado e, em hipótese alguma, poderia ser realizado numa sala cirúrgica improvisada sem a presença de um cirurgião ortopédico ou um raio-X prévio. — Vamos, vamos. Dou um tapinha encorajador em mim mesma enquanto seguro a pinça. — Aqui está. O maior suspiro que já soltei escapa dos meus lábios assim que vejo o pequeno encaixe entre a pinça. — Este design é bem estranho... e único. Explica o médico, examinando o conteúdo nas suas mãos. — A A? — Amir Ahmad. Diz Collins, virando-se para me olhar. — Você certamente fez uma bela entrada, Leah Falco. E quem dia*bos é esse? Aparentemente, ele me conhece muito bem. — Você deve ficar de olho nele pelas próximas 24 horas e me notificar sobre qualquer mudança ou sinal de alerta. — É a sua vez, Garota de Fogo. Aponta o cara que ainda não conheço enquanto Jo acompanha o médico até a saída. — A propósito, eu sou Jackson. — Eu sou Leah. Respondo. — Mas obviamente você já sabe disso. Você é amigo do assassino psicopata? — Se você está se referindo ao Dia*bo... algo assim. Ele inclina a cabeça enquanto me olha estranhamente. — Jo vai garantir que você consiga tudo o que precisa e algo leve para o jantar. Você não vai atirar nele de novo, vai? — Eu não atirei nele! Exclamo de repente, furiosa, aliviada por o choque momentâneo ter passado. — Eu estava prestes a... Um novo arrepio me percorre ao me lembrar das últimas horas. É demais. Ao meu redor, o tempo passa na velocidade da luz, carregado de uma intensidade avassaladora. Não acho que nenhum ser humano consiga suportar tal fardo por muito tempo. — Como quiser. — Se você é amigo desse degenerado perturbado, não deveria querer me matar por machucá-lo? Questiono, irritada, já que ele não perdeu nem um pouco a expressão divertida. — Eu deveria... mas ele mesmo causou isso. Prometi não interferir e pretendo manter a minha palavra, então te vejo amanhã, querida. Ah! Ele para antes de cruzar a soleira da porta para se virar e sorrir para mim mais uma vez. — Bela apresentação que você deu hoje à noite. Eu entendo por que você irrita tanto os homens. — Você não pode irritar alguém cujo cérebro já está doente. Respondo em tom de desdém antes de ir para o que presumo ser o banheiro. Sem me importar com as consequências, tiro as minhas roupas encharcadas de sangue e entro no chuveiro quente. O passado, o presente e a inferência do futuro que me aguarda se misturam na minha cabeça, atormentando-me a ponto de me dar dor de cabeça. Só saio da banheira quando a minha pele está completamente enrugada e me cubro com o primeiro roupão que encontro pendurado num armário enorme. O maníaco quase transformou-me numa assassina, então não me importo com o que ele faça comigo se me pegar revirando os seus pertences. As coisas não podem piorar. Jo entra no quarto com uma bandeja de comida e uma muda de roupa. Ela coloca tudo na minha frente antes de ir até a cama do chefe e tocá-lo em absoluto silêncio. Eu não preciso ser um gênio para deduzir que ela está chateada comigo, para não mencionar triste. Eu me pergunto como uma mulher aparentemente gentil acabou amando o homem mais desprezível que já conheci na minha vida. Hoje, mais do que nunca, odeio a minha mãe biológica por me trazer a este mundo. Suspiro pela enésima vez, pegando as minhas roupas e me levantando para me trocar. No entanto, o seu chamado interrompe-me no meio do caminho: imagino a situação difícil pela qual você está passando. Ela afirma, sem desviar a atenção do Di*abo. — Você deve estar vivendo um infe*rno, literalmente. Ao longo dos anos, aprendi a aceitar que, por mais que eu o ame, o meu Dean não é um bom homem, mas ele não seria capaz de machucar uma mulher... pelo menos fisicamente. — Ele ia me bater. Estremeço, lembrando-me do cinto nas suas mãos. — Ele tinha um... — Eu não ia fazer isso. Ela objeta, muito certa da sua afirmação. — A mão do Dean não é fraca em infligir punição de todos os tipos, mas você pode viver sabendo que ele nunca encostará um dedo em você. Lembre-se disso da próxima vez. Não foi isso que ele quis dizer quando me olhou com aqueles olhos dia*bólicos, prometendo me causar a dor mais agonizante. Praticamente arrasto-me em direção ao banheiro e, quando volto, a mulher sumiu. Fico parada diante do meu desprezível sequestrador de braços cruzados, examinando-o sem nem saber o que estou procurando. As pessoas não nascem m*ás, elas simplesmente se desviam, e geralmente há uma razão convincente para isso. — Quem é você, Dean Frost? Penso em voz alta. — E por que está me provocando em vez de se submeter? Passo as mãos pelos cabelos soltos e faço um barulho estranho com os lábios ao perceber que estou tentando psicanalisar o homem que me mantém em cativeiro e ameaça assassinar os meus amigos. Esfrego o pescoço, sentindo-me exausta, antes de movê-lo de um lado para o outro, na esperança de aliviar a tensão. Então, paro abruptamente quando vejo um dispositivo na gaveta entreaberta da minha criado-mudo. Um celular. Meu celular! Eu me jogo para pegá-lo a toda velocidade e rezo ao meu Deus todo-poderoso de joelhos quando verifico se ainda tem bateria. O que eu faço? O que eu faço? Não posso dizer nada e correr o risco de perder alguém, mas... consigo ouvir a voz da pessoa que mais amo no mundo. A única capaz de me acalmar. Não hesito e, com os dedos trêmulos, disco o número enquanto contenho os soluços. — Olá... É tudo o que consigo dizer. — Pelo amor de Jesus Cristo! Lágrimas me traem com a sua exclamação, e a realidade me atinge com força. — Onde você estava, Leah Falco? — Estou de férias. Consigo mentir. — Sem contar a ninguém? Você enlouqueceu?! Eu nem me afasto quando o grito dela ameaça machucar o meu tímpano. — Ou você está pensando em deixar Romeu e eu loucos? — Desculpe, ok? Prendo a respiração para conter um soluço. — Tive um colapso emocional, e você sabe como eu sou. — Onde você está? — Vim para o orfanato. Mordo o lábio inferior. — Senti falta da Dona Clarice e das crianças. Não sei quanto tempo ficarei aqui, mas será muito tempo. Admito, com pesar. — O serviço não é bom, então não me ligue. Farei isso quando puder. O D*iabo se move inquieto sob os lençóis, e o medo me atinge instantaneamente. Não quero, mas preciso desligar. — Leah... — Preciso desligar. Digo apressadamente. — Você não tem ideia do quanto eu te amo, Cassandra Reid. O sujeito geme de dor, e eu rapidamente paro as suas mãos enquanto ele tenta tocar o ferimento. — Não, não! Ele suspira, delirante. — Seu filho da pu*ta! ‍
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