Leah
Me tire daqui.
O pensamento me vem à mente, mas o descarto após alguns segundos de reflexão. Não sei quem é esse homem, nem de onde ele veio, nem se isso é apenas uma artimanha do di*abo. Além disso, é melhor conhecer o dia*bo do que o desconhecido.
Não é como se você conhecesse o Sr. Frost muito bem. Gorjeia o meu subconsciente.
— Nada... Engulo em seco, ainda tentada a implorar por ajuda. Queria que ele fosse o meu Príncipe Encantado do meu próprio romance! No entanto, por algum motivo, o meu instinto me impede de acreditar.
— Tem certeza? Ele pega um maço de notas para me entregar. — Com isso, você poderia deixar esta vida e ser livre.
Livre... como eu queria ser.
— Agradeço, senhor. Dou um meio sorriso. — Mas acho que não vou precisar.
— Deve haver algo que eu possa lhe dar, uma lembrança para que você se lembre sempre desta noite.
Acho que nunca vou esquecer esta noite.
Olho para baixo, procurando a melhor maneira de rejeitar a sua oferta, e então algo passa diante dos meus olhos como se eu tivesse encontrado o tesouro escondido de Ali Babá.
— Ah, entendi. A sua voz me tira dos meus pensamentos enquanto o observo sacar a sua arma. Sensual, imprudente e perigoso... uma combinação explosiva. O seu toque me arrepia, mas deixo que ele levante o meu queixo. — Você quer?
— Você me daria? Retruco, tomada por uma nova onda de ousadia. Nunca segurei uma arma na vida, mas tenho certeza de que ela me ajudará muito no meu cativeiro.
— Só pedir.
— Por favor? Ele inclina a cabeça e, para o meu espanto, simplesmente me estende a arma.
Examino-a brevemente nas minhas mãos e, para ser sincero, parece perfeita. É pequena e, portanto, fácil de esconder, como se tivesse sido feita para mim.
— Guarde com carinho. Explica o estranho. — Porque isso é um empréstimo. Então guarde-a em segurança, porque um dia eu virei buscá-la.
— Sério...? Não consigo terminar de falar, pois o protagonista dos meus piores pesadelos irrompe abruptamente no estabelecimento, e eu escondo a arma às pressas na frente do meu espartilho.
— A festa privada acabou. Ele profere com a mesma expressão sinistra de algumas horas atrás no sótão. Na verdade, tenho a leve impressão de que ele está prestes a se jogar em cima do meu companheiro.
— Relaxe, Dia*bo. Afirma o cliente, ainda sorrindo. — Estou nos seus domínios e, portanto, sob suas regras.
— Tenha muito cuidado, Rei. Dean ameaça deliberadamente. — Porque nenhum rei está acima do Di*abo.
Sem dizer mais nada, ele me agarra pelo pulso e arrasta-me para fora da mesma forma que me trouxe para dentro: me arrastando. No entanto, consigo ouvir o homem cujo nome nem sei.
— Vou mandar lembranças ao Príncipe! Ele proclama. — Certamente ele pensa diferente.
Rei? Príncipe? Di*abo?
Todo mundo aqui tem pseudônimo?
Não é como se fossem agentes secretos.
— Você está me machucando! Protesto enquanto ele me empurra em direção ao elevador. Vou voltar para a prisão. — Nunca pensei que diria isso, mas prefiro ficar na boate dançando pole dance a noite toda do que voltar para aquele quarto fantasmagórico.
— Você não consegue evitar, consegue? Ele me ataca de repente, o seu olhar me assassinando.
— Evitar o quê? Pergunto. — Conversar? Algumas pessoas me chamam de papagaio falante.
— Você provoca todo homem que conhece. Ele interrompe. — Você os tenta, você faz investidas, e isso, querida Leah, não está certo.
— Eu não sou sua amante. Protesto, irritada. — E antes de tudo, eu fiz o que você pediu!
— Você gostou de dançar para ele? Ele pergunta com raiva. — Me diga!
— Que dia*bos você está fazendo? Bufo, cética e completamente perplexa. — Além de psicopata, você também sofre de um transtorno de personalidade?
As portas do elevador se abrem na sala de estar da cobertura, e ele me leva para a minha cela da mesma maneira.
Entramos no quarto, ele me joga na cama e começa a desabotoar a camisa até a metade. Então engulo em seco muito devagar enquanto o observo desfazer o cinto e tirá-lo.
— Ele vai me bater?
É um bom momento para admitir que estou aterrorizada.
— Você vai aprender a controlar o seu comportamento promíscuo. Ele proclama. — Do jeito bom. Ele inclina a cabeça antes de sorrir. — Ou do jeito rui*m.
— O que você vai fazer? Pergunto num sussurro trêmulo.
— Sobre o que eu te avisei no primeiro dia, pequena? Ele pergunta, e eu vasculho a minha memória, mas o medo me impede de pensar com clareza. — Você deveria ter pensado nisso antes de brincar com o Dia*bo.
— Eu não brinquei com ninguém. Pulo na defensiva ao sentir a primeira lágrima cair nas minhas bochechas. — Eu fiz o que você me pediu. Eu estava lá porque você me mandou!
— Não minta! Ele exclama, ainda mais furioso. — Assim que viu a sua chance, você fugiu com ele pelo corredor. Você dançou com ele, você deixou que ele te tocasse! Me diz uma coisa, querida, você beija todos os homens que conhece?
— Eu não beijei ninguém! Soluço. — Por favor, não me machuque.
— Machucar? Oh, querida. Estou começando a odiar esse termo. — Você não tem ideia do que essa palavra significa.
— Não chegue perto de mim. Digo, observando-o avançar sem desfazer o cinto. — Não chegue perto de mim!
Eu me mexo inquieta, e então algo me incomoda entre os meus se*ios.
A Arma.
Não hesito em puxá-la e levantá-la contra ele num movimento rápido.
Por alguns instantes, ele demonstra um toque de espanto, depois ri como um verdadeiro sádico.
— Ora, ora, meu querido amigo Amir deixou um presente para você. Infelizmente, ele continua avançando, ainda que lentamente. — E o que você planeja fazer com isso?
— Chegue mais perto e veja você mesmo. Por mais que eu tente firmar a minha voz, não consigo parar de tremer.
— Você vai atirar em mim? Ele me obriga a me levantar. — Vamos, faça isso.
Deixo escapar um suspiro alto quando ele leva a mão que segura a arma ao peito. Os meus olhos querem saltar das órbitas e o meu corpo inteiro treme violentamente de terror.
O que eu estava pensando? Não consigo fazer isso.
— Me solta. Exijo.
— Atire, defenda-se. Ele ignora o meu apelo, apertando a minha mão com mais força. — Vamos, salve-se dessa provação.
— Me solta!
— O que você está esperando?
Começamos a lutar imediatamente. Isso é loucura. Não consigo lidar com a sua força bruta, mas luto com unhas e dentes para evitar uma tragédia. Os meus dedos ficam dormentes, sinto que vou desmaiar e então... um som alto ensurdece os meus ouvidos.
Eu puxei o gatilho.
Eu puxei o gatilho!
A arma cai no chão enquanto me afasto em meio a um grito agudo, e o meu estado piora ao ver Dean cair de joelhos com uma mancha no peito direito.
Meu Deus, eu acertei ele!
O seu corpo finalmente cai no chão, e então ele fica inconsciente.
Não sei o que fazer. Estou petrificada, e a minha mente só consegue pensar numa coisa: eu o matei.