Leah
Estou presa, encurralada entre o corpo dele, sem saída. A proximidade da pele dele me causa espasmos dolorosos, e a sua temperatura corporal incomum acende faíscas na boca do meu estômago.
Os seus lábios estão a poucos centímetros de distância, permitindo-me sentir a sua respiração.
Meu Deus! Ele vai me beijar?
Eu já estou prevendo. Eu já estou prevendo! E não estou fazendo absolutamente nada para impedi-lo.
Que dia*bos você está fazendo, Leah Falco?
Não, não, não. Eu me repreendo.
Nem pense em beijá-lo!
No entanto, não importa o quanto a minha mente racional se esforce para vir à tona, o meu cérebro insiste em trancá-lo e fazer o que quiser.
Ele vai me beijar. Que dia*bos, vou deixá-lo me beijar! Então, um estrondo alto lá fora nos pega de surpresa, e nós duas pulamos ao mesmo tempo. — O show começou. Ouço-o bufar enquanto tento controlar o meu coração acelerado. O meu coração quer sair pela boca e não tenho ideia de como pará-lo.
Estou completamente louca. O di*abo fez uma lavagem cerebral em mim. Onde dia*bos está a minha cabeça? O que teria acontecido se tivéssemos nos beijado?
O que estou pensando?! Ele é um psicopata, um maníaco, um sequestrador!
— Você está atrasada, sequestrada. Ele avisa, fazendo sinal para que eu o siga. — Então, se apresse.
— Ok, Dean Frost. Finalmente encontro a minha voz. — Vou dançar.
— Eu sabia que você era uma garota sensata, afinal. Diz ele com notável sarcasmo antes de dar instruções para uma loira peituda se arrumar.
Odeio isso. Sinto que sou o novo brinquedo dele e não tenho escolha a não ser entrar na brincadeira. Pelo menos até encontrar uma solução.
— Dean! Eu o interrompo quando ele se vira para ir embora. — Não sou responsável pelos ataques cardíacos fulminantes.
— Você realmente se acha tão irresistível?
— Eu sei das minhas qualidades. Sorrio enquanto dou de ombros. Não sei por que sinto a necessidade de provocar e demonstrar confiança, mesmo numa situação como essa, quando sei que ele me tem nas suas mãos.
Ele nem olha para mim e simplesmente continua o seu caminho sem dizer uma palavra.
Deixo escapar um longo suspiro quando estou sozinha com a loira e começo a divagar enquanto ela penteia o meu cabelo, me maquia e me veste. Não protesto contra as roupas decotadas, o excesso de maquiagem ou mesmo quando cobrem a minha pele com glitter. Simplesmente permaneço estoica como uma estátua e o deixo fazer o que bem entende. De qualquer forma, o estrago já está feito. Quer eu queira ou não, terei que ir lá.
Só espero que o Di*abo se engasgue com as próprias bolas, porque vou dar a ele o show da vida dele, mesmo sem saber como.
Já fui modelo, vendedora, caixa e enfermeira. Houve um tempo em que qualquer trabalho me servia, já que a situação e a minha inexperiência ou falta de educação não me davam muitas opções. No entanto, nunca me imaginei como stripper.
Dançar seminua para cem pervertidos vai muito além das minhas escapadas liberais ou beijos inocentes.
— Você já fez isso antes? Pergunta a minha companheira.
— Nunca. Respondo, observando o trio dançar com movimentos sincronizados, agarrados à barra como os profissionais que são.
— Só deixe a maré fluir, ok? Ela sugere, ao que respondo com um aceno automático. — Quando as apostas começarem, fique perto dos caras com as notas altas.
— Apostas?
Não tenho tempo para perguntar, porque logo em seguida, as luzes se apagam e ela puxa o meu braço para cima do palco e me posiciona à sua frente, escandalosamente pressionada contra o seu corpo.
— Faça o que eu faço. Ela sussurra, enquanto os primeiros acordes de uma música se*nsual que reconheço como "High" começam a ecoar nos meus ouvidos. — Então se deixe levar.
A música para de repente quando dois holofotes revelam as nossas figuras inteiras. Aplausos, vivas e assobios masculinos são imediatos. Sinto o meu coração batendo forte na cabeça e a minha respiração nos ouvidos, mas aceno com a cabeça em direção a minha parceira.
Dua Lipa começa a cantar e, com ela, começamos a nos mover. Levantamos as mãos, tocando-as com as palmas, depois nos viramos e pressionamos as costas uma contra a outra. Sinto que ela flexiona as pernas levemente e não hesito em segui-la até estar de quatro. Nos viramos para a plateia e sinto o seu próximo movimento. Já vi isso em filmes, então abro as pernas, afastando o constrangimento, antes de apoiar os joelhos no chão.
Fecho os olhos enquanto a vergonha me atinge enquanto flexiono os quadris, empurrando a bu*nda contra o chão.
Por favor, Senhor, me ajude. Dê-me forças para suportar isso.
Onde dia*bos eu me meti?!
Rezo mentalmente enquanto me levanto, mas meus sentidos ficam entorpecidos no exato momento em que encontro os olhos e o sorriso lascivo do meu sequestrador. De onde estou, apesar da escuridão, consigo ver o fogo no seu olhar.
— Você está indo bem, querida. A loira me bajula. — Agora é hora de ser espontânea.
Ele pisca para mim antes de caminhar em direção a um dos bares, e eu engulo em seco antes de ir para o outro lado.
Respiro fundo, coloco a mão no metal e deixo a letra da música envolver-me enquanto dou a minha primeira volta. Não tenho ideia do que estou fazendo; estou apenas focada em explorar a minha sensualidade como se a minha vida dependesse disso.
Segundos transformam-se em minutos, e minutos em horas... até que a dançarina me alcança e puxa o meu braço delicadamente. Estou prestes a perguntar se fiz algo errado, mas então percebo que a música acabou e ainda estou presa no meu próprio espaço.
— Você já beijou alguma garota? Ela pergunta, fazendo os meus olhos se arregalarem instantaneamente.
Posso contá-los nos dedos de uma mão, e ainda é muito. Foi durante uma fase de rebelião que fui forçado a deixar o mundo das passarelas, e só o fiz para confirmar a minha orientação se*xual. Se algo ficou claro para mim naquela ocasião, é que não gosto de garotas, nem dos seus beijos.
— Sim, mas... A frase é interrompida pelo toque dos seus lábios nos meus. É bem sutil, um toque simples que m*al senti. No entanto, a plateia irrompe em aplausos e exclamações diante do ato, movida por uma curiosidade mórbida.
Aprisionada e subjugada pelo di*abo, cercada por correntes invisíveis, arrependida de todos os meus erros passados, sofrendo só de imaginar o que me espera e atacada por uma onda de choque de calor... Se isso não é o Inf*erno, está bem perto disso.
— Você tem gosto dos bolos da Jo. Ela comenta com um sorriso de desculpas. Eu, por exemplo, ainda estou me recuperando do transe. — A propósito, eu sou Maya.
— Leah. Respondo baixinho.
De repente, notas verdes começam a voar pelo céu, enquanto uma voz dominante na sala começa a lançar números.
As apostas... Parece mais um leilão, e algo me diz que somos os grandes vencedores.
— O que eles estão pagando? Pergunto, com as pupilas dilatadas. Não quero pensar que terei que... ter inti*midade com alguém. Isso não vou fazer, com certeza. Frost pode me matar, me forçar a limpar qualquer coisa ou me trancar viva num caixão, mas não vou ceder.
— Por uma dança particular. Ela responde, me fazendo soltar a respiração presa imediatamente. — Não se preocupe, somos apenas dançarinas aqui. Se quiser algo... extra, é por sua conta.
Sem dizer uma palavra, sou levada para uma sala particular e, alguns minutos depois, um cara me segue.
— Paguei quinze mil dólares, então quero um bom show. Ele exige, enquanto fico perplexa.
Quinze mil dólares por uma dança?! De duas uma: ou ele tem mais dinheiro do que juízo, ou não tem juízo nenhum. Talvez ambos.
Bem, pelo menos ele é bonito.
Uma música num idioma que não conheço toca nos alto-falantes e, suspirando pela enésima vez, finjo que estou dançando.
Foi isso que aconteceu comigo: dançar à força com um estranho.
Não estou me saindo tão m*al quando o homem sorri satisfeito e, ao terminar, me faz um sinal com o dedo indicador para me juntar a ele, e eu aproximo-me lentamente.
— Você é uma deusa. Ele me examina da cabeça aos pés, sem tocar num fio de cabelo. — Nunca conheci ninguém como você. Diga-me, deusa, há algo no mundo que você queira?
Ele pode me tirar daqui? Será que finalmente encontrei alguém que pode me ajudar?