Episódio 8

1684 Words
Apoio os cotovelos na ilha da cozinha enquanto pego uma mecha de cabelo e a enrolo entre os dedos. Uma simples palavra e ela vai estar comendo na minha mão. No entanto, nem tenho tempo de abrir a boca quando o mestre dos meus piores pesadelos irrompe a cozinha e derruba o estranho no chão com um soco. Ofego de horror com a cena inesperada. No entanto, fico sem palavras diante do olhar intenso que me lança. Oh, céus! Estou em apuros. Algo me diz que estes últimos dias foram apenas o começo. A verdadeira provação começa agora. Ele vai me matar, posso ler no fogo que envolve a sua expressão. E já está claro para mim que será uma morte dolorosa. Dean Tento me concentrar nos papéis, mas é impossível. É como se eu não conseguisse entender o que estou lendo. O meu corpo está aqui no carro, mas minha mente já alcançou o prédio e atravessou a sala do sótão diretamente para o quarto daquela garotinha intrépida. Desde o momento em que me viu, ela me reconheceu como o ex-noivo da sua melhor amiga. No entanto, ela nunca mencionou o nosso encontro há um mês nesta mesma cidade. Ela não se lembra de mim... A raiva surge novamente, e sinto vontade de sacudi-la com veemência e depois abrir o seu cérebro. Como ela pôde se esquecer de mim? De mim! Vou puni-la porque ninguém me esquece. É hora de começar o seu calvário. — E possuí-la. Acrescenta a voz na minha cabeça. No entanto, ne*go a ideia, por mais tentadora que seja. Ainda não é hora. Primeiro, preciso deixá-la louca, depois pegá-la, e no final ela cairá aos meus pés, clamando por misericórdia e cantando as fraquezas dos meus inimigos ao som de La Traviatta. Assim que o motorista estaciona, corro para o elevador. Afrouxo a gravata e desfaço os botões do colarinho da camisa enquanto viro à esquerda em busca da minha prisioneira. No entanto, um murmúrio interrompe o meu caminho. É o Steve? Um anjo? Com quem dia*bos ele está falando? O meu cérebro parece disparar instantaneamente como um botão de emergência automático, e cerro os punhos, incapaz de conter o tremor. — Que não seja o que estou pensando, porque eu vou matá-lo. De fato, assim que entro na cozinha, vejo os dois bem próximos um do outro, e ela está rindo como riu comigo na noite em que trocamos as primeiras palavras. — Que atrevido! Derrubo o filho da pu*ta com um soco antes de chutá-lo, ignorando o grito daquela garota irritante. — Saia! Eu digo bruscamente, puxando as mangas do seu paletó, sem me importar nem um pouco com a sua boca sangrenta. — Vá para a boate e pegue as suas coisas porque você está fora. Eu o jogo em um dos meus seguranças antes de ir atrás de quem causou toda a confusão. — Me solta! Ela luta em vão. — Você é um troglodita de me*rda! — E você é uma provocadora com buc*eta! Eu retruco no mesmo tom furioso. — Você não consegue conter as suas tendências paqueradoras? — Você consegue fazer isso com as suas tendências psicopatas? Ela retruca ferozmente. Ficou claro para mim desde o início que ela não foge do perigo, mas isso é... demais. Ele não tem amor pela vida? Porque agora, a ideia de cortar a garganta dela viva parece muito tentadora na minha mente. Eu a solto e me afasto um pouco antes que ela faça algo de que eu possa me arrepender mais tarde. — O que você está fazendo aqui fora? Questiono, recuperando a razão. Leah me deixa louco, descontrolado, e essa é uma reação que absolutamente ninguém é capaz de provocar, nem mesmo aquele m*aldito Magnata do Aço. — Como você saiu? — Eu a tirei. A voz de Jo se intromete, e eu x*ingo silenciosamente. — Ela precisava de ajuda na cozinha. Algum problema com isso, Dean? Claro que sim, mas não vou dar a ela o prazer de me confrontar. Não estou com vontade de ouvir os seus sermões hoje, já que a minha cabeça já está muito quente. — Não se meta na minha vida, Jo. É tudo o que digo antes de puxar o braço da morena e arrastá-la em direção ao elevador sob protestos. — Para onde você está me levando, maníaco? Ela profere, ainda se debatendo. — Você não veio de férias, querida. Estipulo, segurando a suas duas mãos para mantê-la imóvel e, em seguida, entrando pela porta enquanto o elevador se abre. A escuridão do lugar, juntamente com as luzes coloridas e fracas, nos envolve instantaneamente. — E na minha casa, você tem que ganhar a sua própria comida e abrigo. — Então me expulse! Ela reclama. — Me mande de volta para a Itália e problema resolvido. — Preciso te lembrar que você está aqui por livre e espontânea vontade? Pergunto. — Você quer voltar? Muito bem, suponho que Coulson esteja disposto a te receber em solo italiano. Qual cabeça ele deveria trazer de presente? — Você é um idi*ota! Ela se joga em mim, chutando. — Bastardo, bastardo, stronzo... Ela profere todos os insultos que consegue pensar em italiano. No entanto, não resiste quando a puxo em direção à escada e entramos no camarim. — O que é isso? Ela aponta, piscando para conter as lágrimas. — Seu novo emprego. Ele respondo, divertido. — Está vendo aquele poste? Aponto para o palco. — Vamos ver se você dança tão bem quanto costumava ser modelo. — Eu não sou uma vagabu*nda! Ela protesta. No entanto, nada pode tirar essa expressão divertida de mim. Seja qual for a opção que eu escolher, vou gostar do mesmo jeito. — E eu não vou dançar para nenhum pervertido! — Cuidado, garotinha. Aviso com despeito. — Não deixe as meninas ou qualquer um dos clientes ouvirem você. O seu sofrimento se tornaria ainda mais agonizante. Acostume-se com este lugar porque será seu novo segundo lar. Agora vista algo se*xy. — Sem chance! — É isso ou limpar os banheiros. Eu digo. — A escolha é sua. — Prefiro me cercar de m*erda do que fazer parte disso. Ela cruza os braços numa pose indignada, e eu não consigo parar de olhar para o seu decote generoso. Meu Deus! Eu consigo entender por que todos estão olhando para ela e desejando-a. Leah Falco não é uma beleza exótica como sua amiga Cassandra Reid, mas tem um rosto e um corpo marcantes, que contrastam perfeitamente com a sua personalidade altiva e extrovertida. Ela é a mulher mais sensual que já conheci, e o pior é que a vagabu*nda sabe disso. — Se é isso que você quer. Eu a seguro pelo ombro para levá-la até o lugar previamente preparado para ela, e tenho que usar todas as minhas forças para conter o riso com a sua reação. — O que você esperava? Noventa por cento das pessoas que vêm aqui ficam bêbadas. — Me dá o equipamento antes que eu te estraçalhe a cabeça. Ela estende a mão, lutando contra o reflexo de engasgo, na minha direção. Com um sorriso, vou até a esquina para voltar com os produtos de limpeza e entregá-los a ela. — Cuidado para não confundir desinfetante com água sanitária. Brinco, me divertindo. — Deixe tudo brilhando. — Seu desgr*açado miserável. Ela murmura com os dentes cerrados. — Você disse alguma coisa? — Me dá o resto! Ela exige. — Acho que o que você tem é suficiente. — Onde estão os equipamentos de proteção? Ela sibila, cada vez mais irritada. — Preciso pelo menos das luvas e de uma máscara. — Ah... Faço uma careta. — Acho que estamos sem eles. Você vai ter que se virar. — Eu não vou tocar no vômito dos outros! Ela exclama, apavorada. Sinceramente, o fato de ela ter medo de tocar em restos de comida e não de encarar o Di*abo é irônico demais. — Então você vai ter que dançar, pequena. Pelo que parecem horas, permanecemos em silêncio, sem nunca quebrar o contato visual. Ela pondera as suas opções, e eu espero por uma resposta, enquanto me deleito com as belas vistas que ela oferece. — O tempo está passando, e preciso deixar claro que você não tem a noite toda para decidir. Ela se aproxima, encorajada, com aqueles olhos cinzentos ferozes que me lembram de uma leoa selvagem. — Você é um ma&níaco desprezível, sabia disso? Ela pergunta em voz bem baixa, como se estivesse me acariciando com o seu hálito. É mais um dos truques dela. Luto contra a ansiedade de possuí-la. Ela só está tentando te provocar. — Esqueceu o meu nome? Pergunto orgulhosamente. — Não, mas aos meus olhos, você não parece o aclamado Di*abo. Ela afirma, franzindo os lábios. — Pelo contrário, você parece um cachorrinho ferido cujo brinquedo foi tirado. Sabe de uma coisa? Agora, mais do que nunca, reafirmo a minha decisão de comprar aquela passagem de avião para minha amiga. Embora, se eu estivesse no lugar dela, teria ido até o altar e deixado você lá para se tornar o motivo de chacota da cidade que você tanto elogia. Droga! Ela está pressionando contra a minha ferida aberta, tentando me fazer sangrar. Ela me tenta, sem saber que sou capaz de acender as chamas do inf*erno e queimá-la viva. Num movimento inesperado, eu a envolvo nos meus braços e a jogo contra a parede. — Você está tentando me provocar, pequena? Pergunto abruptamente, com a voz subitamente rouca. — Bem, então, esteja preparada para as consequências. Os meus lábios aproximam-se dos dela. Sinto-a tremer sob o meu toque e estabeleço contato direto com os seus olhos. Ela quer que eu a beije. Aqueles orbes prateados clamam por isso. Talvez o seu cérebro não se lembre de mim, mas o seu corpo sim. Eu disse que esperaria, que seria paciente... mas que se danem meus planos! Essa pequena descarada precisa de uma lição, e eu vou lhe ensinar uma. Reajustarei a minha estratégia mais tarde, mas hoje Leah Falco será minha. ‍
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