✝ Capitulo 1
A verdade tem um cheiro. Uns dizem que é sangue, dinheiro e outros, arquivo da polícia. Para mim, sempre foi papel velho e tinta seca.
Sou repórter investigativa, e o pessoal vive falando da minha beleza – que, claro, uso quando preciso. Mas meu negócio é ser rigorosa. Não invento manchetes, monto quebra-cabeças. Contudo, estava tudo meio parado. Fazia um tempão que eu não sentia aquela empolgação de ter achado algo importante.
Aí, numa tarde chuvosa, lembrei do que o meu avô dizia: Se não tá rolando nada agora, Megan, escuta o que rolou antes.
Peguei um jornal antigo, amarelado, com uma data esquisita. Tinha uma notinha sobre um vilarejo perdido na Transilvânia. Umas camponesas juravam que viram algo nas sombras da floresta. Uma coisa que não respirava, só observava.
— Falta só essa, né? Onde nasceu o Drácula – falei sozinha, já sentindo um frio na espinha.
Lenda? Talvez. Mas meu instinto dizia que tinha algo ali, uma história esperando para ser contada.
✝
— Transilvânia, Megan? — Sr. Jackson, meu chefe, olhou por cima dos óculos, meio cético, meio curioso.
— Não dá pra provar nada, mas o medo daquelas pessoas é real — insisti, chegando perto da mesa dele e continuo — Se for só lenda, a gente faz uma matéria cultural. Se for verdade… meu amigo, vai ser a reportagem do ano.
Apresento ao meu chefe essa história, mostrando que pode ser algo bom… mesmo se fosse um fato não comprovado. Poderíamos transformar essa notícia baseada nas lendas que perpetuava por Transilvânia que se tornou o lar dos contos de terror.
Ele suspirou, vencido.
— Muito bem! Senhorita Johnson, está autorizada a fazer a entrevista, imagino que sua assistente a Senhorita Madden irá te acompanhar.
— Faço questão disso...— respondi, sorrindo.
— Beleza. Deixe a sua agenda livre, arrume as coisas, compra as passagens, reserva o hotel. Já sabe o que fazer.
Saí de lá já programando tudo que será necessário e precisava da Bonnie comigo — Às vezes era necessário em algumas viagens levar o seu pessoal para ajudar. Ela é minha assistente e também o meu juízo, mas dessa vez, ia ser difícil convencê-la.
Depois do trabalho, fui até a casa de Bonnie e bati superansiosa e logo foi aberta.
—Oi! Megan — Falou vindo abraçar-me, se afastou abrindo passagem e entrei na sua casa indo direto para o sofá.
—Oi Bonnie, vim aqui, pois, tenho novidades.
—Que novidade? O que está a acontecer? — Perguntou se sentando ao meu lado, mas acabou fechou a cara logo depois.
Ela conhecia-me bem demais, sua daquelas que vai atrás de cada pista.
—Tenho uma notícia! Achei nossa próxima matéria bombástica!
—Sério? Onde? — ela perguntou, animada.
Bonnie estava feliz pela novidade e seria agora a parte que poderia mudar tudo.
—Na Transilvânia — falei baixinho, vendo a cara dela mudar.
—QUE? — Bonnie gritou, paralisada. — Megan, eu sei que você é louca por um furo e toda liberal, mas isso é demais! Aquele lugar é… é amaldiçoado!
—Bonnie, calma — tentei rir. — É só lenda. Ninguém provou nada. É só pra ver a cultura local.
— Ah, tá! E você acredita em Papai Noel? — ela retrucou rabugenta, tentei conter o riso, pois, Bonnie morre de medo dessas coisas.
—Já pediu autorização do Senhor Jackson?
—Sim, já conversei com o chefe e você sabe que os meus créditos estão em alta com ele — Continuo a ser a melhor jornalista, mesmo não estando a dar tantas entrevistas recentemente.
—Que entrevista é essa, hein?
Respirei fundo, agora seria a parte difícil revelar o que encontrei que chamou a minha atenção.
—Umas camponesas do vilarejo, afirma que viram uma coisa estranha perto de um castelo abandonado no meio da floresta.
Bonnie levantou os braços, como se estivesse a pedir ajuda divina.
—Megan, você pirou de vez! Eu não vou pra nenhum lugar que tenha castelo abandonado e floresta na mesma frase!
—Bonnie, não me abandona — implorei num tom doce, segurando os braços dela. —Eu preciso de você.
Ela ficou quieta. Aí suspirou pensativa e essa foi a brecha que precisava.
—Tá certo… Eu não vou deixar minha amiga doida ir sozinha encontrar o Drácula. Mas se eu morrer, vou te assombrar pra sempre.
—Sabia que podia contar com você! — abracei ela forte.
—Vamos logo com isso, antes que eu desista... — ela falou, toda agitada, comigo ao seu lado toda animado.
Bonnie acabou precisando fazer um chá para se acalmar.
—Tenho tudo organizado e já marquei o voo, faltam apenas as malas — Digo sapeca e ela olhou percebendo que eu sabia que concordaria e vi apenas a informar.
—Você não tem jeito mesmo..., mas vou passar na igreja antes.
—Como assim?
—Preciso de água benta, se vamos para Transilvânia, tem que se preparar pra tudo.
Bonnie era uma comédia mesmo, tentava esconder o medo que sentia através de piada sobre o assunto.
Descobri seu tremendo medo quando fomos ao cinema e escolhi filme de terror, foi agoniante ser o centro das atenções com Bonnie ao meu lado gritando e esperneando como se tivesse alguém matando a mesma.
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Deixei tudo planejado e fui embora da casa dela tensa, indo direto para casa arrumar o que preciso e ter meu merecido descanso, quando cheguei minha irmã estava toda produzida "deve sair com o namorado j**k" — Rogers. j**k Rogers como ela firmava ser o amor da vida todinha dela.
Ele é mais velho, um cara legal. Fico feliz de ver a Sarah feliz.
—Mana — Ela percebeu que cheguei e veio sorrindo.
—Oi Sarah, posso pedir um favor bem rápido — Digo e continuo — Não vai demorar...
—No que precisa de ajuda?
—Antes de sair, você ajudaria a arrumar as minhas malas?
—Claro e para aonde vai dessa vez? — Minha irmã perguntou batendo as mãos uma na outra.
—Vou a Transilvânia a trabalho, consegui uma história.
—Transilvânia? — Sarah me abraçou, animada. —Que lugar inusitado esse, mas estou feliz por você… irmã! Que bom que você vai!
—E quanto a você? Vai ficar bem? — Pergunto preocupada, era instintivo, por ser a irmã mais velha.
—Não se preocupe! Posso ficar na casa de j**k — Ergui a testa a olhando desconfiada, e a mesma corou envergonhada.
—Vem! Vou te ajudar com as malas — Sarah mudou o assunto arrastando-me para o quarto toda contente.
Enquanto ela me ajudava a escolher a roupa – um vestido azul que ela insistiu pra eu levar, porque repórter também tem que ser elegante – eu fiquei meio preocupada.
Aproveite que minha irmã estava entretida e fui tomar banho, tirei a roupas jogando no cesto de roupa suja. Entrei meu corpo inteiro na água quente e quando terminei sai enrolada na toalha e mesma ela já arrumou tudo e escolheu a roupa que vestiria para a viagem um vestido azul-marinho que mostrava minhas silhuetas e pernas junto com sapatos brancos.
— Vai ficar tudo bem, Sarah?
— Relaxa! Vai sim...
Após vesti um pijama confortável que a mesma escolheu, a segui para baixo e foi nesse exato momento que a campainha tocou, Sarah foi abri toda radiante e pela escada. Quando o j**k chegou, os dois pareciam tão apaixonados que deu até alivio.
—Estou feliz que vocês estão juntos finalmente, estava na hora.
O conheço e sei o quando é um homem respeitável, os dois faziam bem um para o outro e precisei aceitar, mesmo ele sendo mais velho que minha irmã.
—Megan — Reclamou Sarah com o rosto todo vermelho.
—Tudo bem, Sarah... — j**k a acalmou e conversei com ele sobre minha viagem, além de pedi para terem juízo quando estivesse fora.
— Cuida dela, j**k — pedi, vendo os dois de mãos dadas.
—Sempre, Megan — ele prometeu, e eu fiquei mais tranquila.
—Já tomei demais o tempo de vocês — Digo aproximando da minha irmãzinha.
—Tchau! Irmã e divirtam-se — Digo abraçada a ela.
—Quando você chegar me ligue, vou ficar com o meu celular ligado o tempo todo — Pede Sarah e sorrio.
—Pode deixa! Comporte-se e j**k cuide da minha irmã quando estiver fora.
—Farei isso sempre, Megan — Agora ganhou ainda mais meu respeito.
Eles saíram de mãos dadas sem conseguirem desgrudar seus olhos um do outro, suspirei feliz por minha irmã ter encontrado o amor.
A casa ficou um silêncio, era estranho essa casa em silêncio que era sempre preenchido por Sarah. Comi alguma coisa na sala, com a TV ligada só pra não ficar tão quieto. Tranquei tudo.
“Manias de quem trabalha com perigo, mesmo que só no papel”.
Fui pro quarto, escovei os dentes e arrumei a mala, deitei na cama, relaxando. Comecei a pegar no sono, mas vi uma imagem na minha cabeça: um castelo abandonado sob uma lua vermelha.
Eu não sabia ainda, mas meu destino já estava traçado na Transilvânia, esperando por alguém que contasse a história, e essa pessoa era eu.