estupro ou alguma coisa deste tipo! Levantou e andou até o quarto, deitou na cama, ficou de olhos abertos esperando o dia amanhecer, se ela contasse tudo ia acontecer de manhã cedo, pois as mulheres elogiavam aquela moça, tudo ia cair em cima dele é claro, diziam ser uma boa moça e respeitosa, podia ser boa e educada, mas de respeito não tinha nada, o seduziu e ele caiu na sua armadilha, também não podia julgá-la, pois foi o culpado de tudo e ia pagar pelo que fez!
Ele levantou bem cedinho na manhã seguinte, era segunda feira, andou até a igreja, abriu as portas, voltou e fez café, bebeu do café sentado á mesa ouvindo passos das senhoras entrando na igreja e se ajoelhando para rezar! Foi até a igreja, cumprimentou á todas, elas responderam com sorrisos nos rostos e votaram a orar. Está tudo bem, pois se não tivesse, ia olhar-me com olhar de ódio, “pensou”!
Ele arrumou a sua cama, pegou o leite que o ajudante de um vaqueiro o entregou em pé na porta, o pagou e ia entrar, mas parou ao ver a moça subindo a rua com a marmita nas mãos, o coração disparou, sentiu-se enraivecido por sentir tanta emoção por ver aquela mulher que podia acabar com a sua vida num piscar de olhos! Ela ficou á sua frente, sorriu e lhe entregou a marmita, ficou um tempo ali em pé o olhando, ouviu vozes de alguns meninos passando na rua, se virou e andou seguindo para a sua casa!
Ele entrou se sentou e desembrulhou o pano da marmita, assustou ao ver um bilhetinho dentro do pano de prato, o pegou e leu:
Vou voltar á noite para pegar novamente a marmita e o pano de prato:
Ludmila!
Ela sabe escrever, “ele pensou”!
Era muito difícil uma moça morando num lugar tão distante daquele saber escrever, comeu da comida, nem sentiu fome, ficou nervoso com o que ela escreveu, levantou, amarrou o pano na marmita e saiu!
Ele andou até um sitio próximo dali, ficou conversando com o dono do sitio por bastante tempo, o homem falou sobre vacas, cavalos, e animais, ele fingiu interesse, mas estava pensando na linda jovem!
Trancou bem a porta, deitou na cama, tentou dormi, mas as batidas á porta não o deixava dormi, sabia quem era, mas não levantou para abrir a porta, não queria se envolver, pois o errado já estava feito, não ia errar novamente, ela continuou batendo na porta e o chamou8:
__Hugo!
Ele ouviu, ficou quietinho deitado na cama, olhou para o telhado, percebeu que as batidas cessaram e ela desistindo foi embora!
Na manhã seguinte o padre levantou cedo, lavou a marmita, enrolou-a no pano e saiu descendo a rua.
Ela olhando da janela viu o padre á sua frente, o olhou com olhar de raiva, ele sentiu aquele olhar, o desvirou e olhou para dentro da casa e gritou:
__Dona Conceição!
A moça abriu a boca num Gesto surpreso, a mãe saiu da cozinha, entrou na sala, viu o padre lá fora, ficou em pé na porta e falou:
__Entre Padre Hugo!
O homem tentou sorrir, falou:
__Aqui está a sua marmita dona Conceição!
A mulher desceu os degraus da calçada, pegou a marmita das mãos do padre que tentou na olhar para a moça na janela o olhando sem piscar os olhos, a mulher falou:
__Ontem Ludmila foi lá pegar a marmita, mas o senhor não estava, fiquei muito preocupada Padre, é uma boa pessoa!
O senhor sentiu uma dor no coração, nem tinha coragem de falar, falou:
__É que fui dormi ontem, muito cedo dona Conceição! Gostaria de dizer que não precisa mais mandar comida!
A mulher arregalou os olhos, perguntou:
__Por que padre Hugo? Minha comida está r**m?
Ele se sentiu desconcertado, levou à mão á boca, tossiu, falou:
__Não, não senhora, é que já estou com bastante tempo e já posso fazer a minha própria comida. A sua comida é muito gostosa dona Conceição!
A mulher entendeu o padre a pagou e se virou começando a andar em direção da igreja, parou na porta da igreja, se virou e observou a moça na janela, o vento soprando os seus cabelos, ficava mais lindo com o vento levantando os seus cabelos! Ela o olhando não sorriu, pareceu muito triste, ele viu lagrimas correndo no seu rosto, o vento acariciando apele do seu rosto, se virou e entrou!
O padre fez a comida, não sentiu o cheiro gostoso que sentia da comida de dona Conceição, nem sabia cozinhar, mas precisava afastar daquela mulher! Sentou-se á mesa e comeu pouco! Ficou por um tempo sentado pensando na mulher o olhando e chorando tristemente por saber que ele só evitava-a, por este motivo dispensou a comida da sua mãe!
Ele orou por um tempo na igreja, saiu descendo a rua parou um tempo, observando a moça conversar com um rapaz que entregava leite para ele todas as manhãs. Ela se jogando contra o corpo do jovem alto e forte, de pele morena, Joaquim olhando e se encantando com a beleza da moça se entregou também, assim como o padre que voltou e entrou na igreja, o coração partido e sangrando de dor e ciúmes!
De vez em quando ela vinha á igreja trazer algum recado da mãe que era muito religiosa, ainda o chamava pelo nome, mas percebeu no seu olhar algo que a preocupava, não dizia nada, somente um obrigado!
Ele se sentou num banco da igreja, ouviu alguém bater palmas, viu o rapaz entrar segurando a garrafa de leite. O padre pegou o leite e pagou o rapaz que olhou para a cruz logo à frente, se sentou do lado do padre, olhando para a cruz perguntou inocentemente:
__Padre Hugo, é pecado f********o com uma moça de família?
O padre entendeu de quem ele estava falando, o coração doeu de amor, tossiu, olhou para a cruz, respondeu:
__Sim Joaquim!
Ele virou o rosto e encarou o padre, falou:
__Padre, eu tirei a virgindade da filha de dona Conceição, agora me sinto na obrigação de casar com ela!
O padre abriu a boca num gesto de surpresa, olhou para o bobo rapaz, ele pensava que foi o primeiro e claro que não foi! Nem soube o que dizer, o rapaz levantou e saiu da igreja montando no seu burro!
O padre sentiu o coração doer, deixou as lágrimas caírem, levantou e saiu da igreja!
Perambulou pelas ruas, quando deu por si, andava nos arredores dos sítios próximos, já estava anoitecendo, voltou e começou a subir a rua, viu a linda moça na janela, tomou coragem e aproximou da janela e falou:
__Boa noite Ludmila!
Ela o olhou, não sorriu, respondeu:
__Boa noite padre Hugo!
O homem percebeu frieza nas suas palavras, não o chamava de Padre, só pelo nome. Ele levou a mão á boca, olhou para o céu, percebeu que ia cair uma tempestade, o vento soprando muito forte, os cabelos da moça levantando! Ele a olhou e perguntou:
__Como pode mentir para o pobre do Joaquim dizendo ser virgem ainda?
Ela se assustou, olhou para trás, viu a mãe cochilando sentada no banco comprido, voltou a olhá-lo e falou baixinho:
___Ele vai se casar comigo, tu é um padre e não podes assumir o seu filho que carrego dentro da minha barriga!
O padre arregalou os olhos, abriu a boca e perguntou:
__O que disse?
Ela levou um dedo aos lábios pedindo silencio, falou:
__Eu espero um filho seu Padre Hugo. Minha mãe já sabe, mas pense ser filho do Joaquim que disse para ela que vais me assumir e o filho, ele também pensa ser dele este filho!
O padre a olhou por um tempo olhou para o vento soprando levantando poeira e tudo que encontrava pela frente, ele a olhou, sua voz misturou com o uivo do vento:
__Vamos embora daqui, fugiremos amanhã ao entardecer!
Ela começou a chorar, de repente começou a cair fortes pingos de chuva, ela falou:
__Eu não posso, tenho medo, minha mãe não pode ficar sozinha!
O padre se sentiu desesperado, a queria mais que tudo, a chuva começou a cair muito forte! Dona Conceição apareceu na porta e falou:
__Entre Padre Hugo, Vai se molhar se ficar na rua!
O homem subiu rapidamente os degraus da calçada e entrou, a mulher trancou a porta!
O vento uivando muito forte começou a destruir muitas casas, dona Conceição tremia toda de medo, o padre abaixou a cabeça e começou a orar, de vez em quando olhava para a moça sentada no banco do lado da sua mãe, ela tremia toda de medo da chuva caindo muito forte, a mãe levantou a cabeça e olhou para o padre, Estava meio que escuro, de vez em quando os relâmpagos iluminavam os rostos deles, só as chamas do fogão á lenha na cozinha que estavam acesas e iluminavam o casebre. A mulher falou:
__Já aconteceu uma chuva assim, toda vez que acontece uma desgraça nesta cidade, acontece uma chuva assim. Só não sabemos qual desgraça aconteceu desta vez, pois sabemos todas!
O padre olhou para a moça que entendeu, ela abaixou a cabeça e falou em voz alta:
__Eu prometo á Deus, que se esta chuva passar, vou me casar com o Joaquim e se ele morrer, jamais casarei novamente!