Os dias seguiam, a chuva continuou caindo forte! Lu7cas alimentava as galinhas e o porco vestido uma capa amarela de plástico. Eu não lhe dirigia nenhuma palavra e pensava, tentando encontrar um jeito de fugir dali!
Com a chuva, a colina ficava mais fria e o vento uivava como um animal selvagem! Até o cachorro sentia medo do vento uivando de dia e a noite aqueles uivos pareciam gemidos gigantescos pedindo por socorro! Seis meses ali e tive a certeza que jamais ia sair daquele lugar isolado de tudo e de todos! Lucas descia de carro para buscar comida, roupas e coisas necessárias e não entendia por qual motivo os seus pais não tinha me descoberto ali, talvez pelo motivo de saberem que o filho tinha me sequestrado! Eu sabia que seria besteira ser inimiga dele e não tinha como isso acontecer, pois me sentia muito solitária e ele era o único ser humano que eu tinha contado! Quando ele saía para caçar, ou pescar ou ir buscar comida na cidade, eu ficava com o cachorro e alimentava os animais que se tornavam muitos e eu brincava no quintal com eles que só andavam atrás de mim, pois se tornaram os meus amigos! Com um tempo, descobrimos que eu estava grávida do Lucas, pois em noites de solidão, ele fazia amor comigo beijando todo o meu corpo e não tinha como não aceitá-lo, pois a solidão ardia dentro do coração e a saudade do Marcelo, da minha mãe e da Sandra apertava mais ainda a cada dia! A minha barriga crescia, Lucas sentia-se feliz por saber que ia ser pai e por muitas vezes me batia quando eu dizia que precisava ir ao medico fazer o pré-natal ou consultar! Ele me agredia quando enxergava nos meus olhos alguma tristeza e vontade de ir embora dali! Obrigava-me a amar viver do seu lado no lugar solitário! Os nove meses já tinham aproximado e eu só aguardava a natureza reagir! Ele trazia vestidos de gestantes comprados em alguma loja da cidade, pois eles vinham com etiquetas! Eu andava de dia, pelo quintal da colina e aproximava da alta ribanceira olhando a estrada seguindo para baixo, o vento tocando nos meus cabelos os levantando, o cachorro brincando com algum bichinho correndo pelo mato, a água da bica fazendo um barulho gostoso de ouvir e o vento uivando sem parar! Eu já tinha acostumado com o uivar do vento e sabia quando algum bicho aproximava, pois a mata estremecia toda, corria entrando traçando a porta quando o Lucas não estava ali! Já vi, do buraco da fechadura, ursos andando no quintal procurando comida, mas saía rapidamente, por causa dos cachorros que Lucas trouxe para amedrontar os animais selvagens!
Certa manhã, Lucas saiu para a cidade, eu não me sentir muito bem e fui para o quarto deitando na cama começando a vomitar tudo que eu comi! Não conseguir levantar da cama, mesmo com sede e com fome continuei ali na esperança que Lucas entrasse e me socorresse! Uma forte contração dominou-me quando um temporal começou a cair lá fora! Meus gritos misturaram com os trovoes e relâmpagos como se partissem o céu escuro por causa do temporal! Sentei-me e coloquei muita força! Nessas horas, a mãe natureza nos ensina como fazer e a ser forte e eu tive que ser muito forte, pois as dores pareciam querer me partir ao meio e eu soltava altos gritos que ecoavam pelos ares! A criança saiu de dentro do meu corpo deslizando rapidamente fazendo um “plof”!
Seguei o menino nos braços, levantei da cama muito devagar, sentindo o liquido que saiu de dentro da minha v****a descer pernas abaixo e o cordão umbilical tocar-me, peguei a tesoura em cima da mesinha que o Lucas deixou ali com muitos remédios. Voltei para a cama cortando o cordão umbilical, amarrei-o, embrulhei a criança que tremia e chorava de frio e fome, num cobertor e amamentei-o!
Eu estava com muita fome e sede, mas tinha muito medo de sair do quarto, pois entravam pelas frestas do telhado, cobras, aranhas e outros bichos que aprendi a matar! Tinha medo de algum bicho peçonhento encostar-se ao meu filho e por esse motivo, fiquei ali encolhidinha agarrada ao corpinho do meu filho ouvindo a chuva cair lá fora e o temporal acontecer derrubando árvores e tudo que encontrava pela frente!
A noite caiu, e nada de Lucas chegar, para matar a fome e sede, deixei o sono dominar-me!
Na manhã seguinte bem cedinho, acordei ouvindo o motor do carro de Lucas! Ele gritou pelo meu nome olhando a bagunça que a chuva fez por todo lado e falou alto:
_Melissa... Uma árvore caiu e não pude vim ontem... Ainda mais com todo esse temporal...
Ele entrou na casa chamando pelo meu nome e não respondi. Mas quando entrou no quarto e viu a criança nos meus braços soltou um grito:
_Meu Deus!
Correu aproximando da cama pegou a criança nos braços! Eu falei sentindo-me muito fraca:
_Estou com fome...
Ele correu para a cozinha ainda com a criança nos braços, pegou comida e água e voltou me entregando! Sentei-me e comi toda comida bebendo água! Ele sentou-se na cama do meu lado prometendo nunca mais me deixar ali sozinha!
O tempo passou e ninguém veio buscar-me! Meu filho crescia, brincando com os animais no quintal e nada sabia, nem ao menos ler! Quando o meu filho completou dois anos, tive outro filho e um ano depois tive uma linda menina e em todos os partos, Lucas me ajudava a colocá-los para fora! Os meus gritos enquanto paria os meus filhos, ecoavam pela colina fazendo eco!
Tive seis filhos dentro de sete anos! Eu já não era mais a mesma Melissa de antes! Tinha engordado e muito, os s***s ficaram flácidos, os olhos com bolsas escuras e toda beleza se perdeu naquela alta colina! Lucas continuava lindo e forte! Vestia roupas caras, sapatos novos... Cortava o cabelo em alguma barbearia da cidade e nenhum filho da p**a fez alguma questão de saber o que ele fazia naquelas colinas altas e frias! Meus filhos cresciam, não conheciam nada além daquela colina alta, gelada e mesmo assim eram felizes com o amor da mãe que vivia por eles, porque se não fosse por eles, eu teria me matado á viver e ver os meus filhos vivendo como ermitões! Eu chorava observando os meus filhos crescendo como animais vestiam roupas que o pai trazia e dizia para ter cuidado, pois estava difícil de subir a colina com o carro cheio! A principio, eu sentia-me muito solitária, e entregava o meu corpo a ele para acabar com o vazio dentro de mim! Mas com o tempo, fui percebendo que ele continuava lindo, bem vestido, arrogante, sedutor, enquanto eu vestia vestidos velhos, rasgados, pois ele já não me dava mais nada e por muitas vezes costurei roupas e as remendei para usar!
Ele já não fazia sexo comigo e só subia aquela colina para ver os seus ermitões que ele considerava como filhos! Por muitas vezes, enquanto lavava as suas roupas, vi batom nas roupas dele e senti perfume feminino ali, sendo que eu não tinha mais bijuterias ou perfumes! Por quinze anos, eu vivi naquela alta colina! Meu filho mais velho como não sabia da existência de outro lugar além daquele, não exigia nada!
Ele me ajudava em tudo quando Lucas não estava e se tornou muito parecido com o pai, tão parecido que os dois pareciam irmãos gêmeos!
Naquele dia, Lucas saiu descendo a colina no seu carro novo! Lavei toda roupa na bica enquanto o meu filho cortava a lenha. Meu filho Lucas que nem era registrado, olhou para o céu e falou:
_Mãe... Melhor guarda essa lenha dentro de casa, pois vai chover e não se sabe quando vai parar!
Balancei a cabeça concordando, meus outros filhos ajudaram o irmão mais velho enquanto a menina brincava no quintal com uma velha boneca que o pai deu, único brinquedo que ela tinha!
De repente, ouvi um motor de carro que não era do Lucas na estrada da alta colina!
Parei de fazer a comida no fogão à lenha e sair andando para a beirada da colina observei lá embaixo e vi um carro vindo à direção do rancho! Corri para dentro da casa de madeiras e peguei o revolver que Lucas deixava ali, para a gente de defender de algum perigo e gritei:
_Entrem todos!
Meus filhos correram e entraram! Eu andei até a estrada e fiquei ali em pé vestida um vestido longo maltrapilho, descalça e apontando a arma em direção do carro que se aproximava cada vez mais!
O carro parou a minha frente! Os vidros eram escuros e não dava para ver quem estava ali! Meu filho mais velho veio e aproximou do carro observando tudo como se fosse um animalzinho e perguntou:
_O que é isso mãe?
De repente, a porta do carro se abriu e um senhor alto [de corpo gordo, com um fino bigode, calvo, calçava botas de cano alto e usava roupas caras] saiu do carro levantou as mãos ao perceber que eu ia atirar e gritou:
_Melissa... Pare Melissa! Sou eu...
Reconheci a voz do pai do Lucas e abaixei a arma arregalando os olhos! Comecei a chorar observando os meus filhos aproximando aos pouco do carro como se fossem bichinhos assustados olhando o carro e admirados, pois nunca tinham visto nada parecido!
O pai de Lucas ficou olhando assustado os meus filhos e falou boquiaberto:
_Meu Deus! Como ele teve coragem de fazer isso?
O homem me olhou e falou começando a chorar:
_Perdoe-me Melissa... Em nome do meu filho... Perdoe-me!
Comecei a chorar e fui abraçada pelo homem que beijou a minha testa e soluçando falou:
__O Lucas dirigia bêbado pela cidade e acabou batendo o carro. Ele está no hospital internado e contou toda verdade, pois teve medo de morrer e vocês ficarem aqui isolados pelo resto das suas vidas!
Chorei muito e chorei mais ao saber do falecimento da minha mãe, pois ao saber que eu tinha desaparecido, acabou adoecendo!
O carro entrou na cidade já estava anoitecendo e eu chorei muito emocionada ao ver as ruas iluminadas e uma fraca neblina cair deixando tudo mágico! Abracei os meus filhos sentados do meu lado agarrados em mim olhando tudo com muito medo!
FIM
A autora:
Pode até pensar ser fácil escrever e publicar livros eróticos sendo eu uma mulher, mas confesso que não é fácil, e por incrível que pareça, existe o preconceito por se tratar de uma autora do sexo feminino e não masculino, como se este, somente tivesse o direito de gozar ou pensar em sexo! Eu não me importo, tenho páginas e f*******: onde compartilho os meus livros com todo amor e orgulho. Amo o que faço e é maravilhoso escrever e saber que alguém leu a sua obra! Não é fácil ser uma autora de contos eróticos, pois existe aquela parte de pessoas “taradas” sem nenhum respeito ou escrúpulo, que se descobrir qualquer coisinha da autora, como um site, f*******: e outras redes sociais, vão lá e tentam saciar as suas fantasias fazendo perguntas tolas e isso irrita muito! Mas também, existe aquela parte dos que quer publicar algum livro, ou elogiar, ou somente conhecer o autor! Não é fácil ser autora de livros eróticos e por este motivo, muitas mulheres que escrevem erotismo, não mostram as suas verdadeiras identidades com receio de ser “cantada” e assediada. E posso afirmar de que isso acontece e muito! Existem homens que buscam pela net autoras de livros eróticos somente para assediá-las e isso é muito desconfortante e até triste! Acostumar ninguém acostuma, eu, por exemplo, bloqueio quem faz isso ou ignoro. Se existir reencarnação, quero ser novamente autora de erotismo, pois amo escrever livros eróticos! Por muitas vezes, sonho e ao acordar vou lá e escrevo tudo. Alguns leitores criticaram os meus livros por conter cenas longas “fortes”. Eu gosto disso... Amo escrever histórias “picantes”, depravadas etc. Tenho muito amor e orgulho do que faço e agradeço a Deus por essa chance de poder escrever para outras pessoas lerem e tirarem proveito disso... Agradeço muito a todos os leitores com um imenso carinho no coração por lerem os meus livros! Só peço que ajudemos nós mulheres que gostamos de satisfazer sexualmente outras pessoas através da leitura, para que possamos continuar sem nenhuma vergonha ou medo! Compre um livro de uma autora de erotismo, seja você do sexo masculino ou feminino e nos ajude a fortalecer mais ainda! Que cada um possa fazer aquilo que mais ama, sem ser esbarrado pelo preconceito e falta de conhecimento que todos têm o direito de está no lugar que interessar sem ser “perturbado” por ninguém! Deus abençoe a todos vocês e mais uma vez, peço que compre livros de autoras do sexo feminino para que o tabu ainda existente possa se extinguir!
Um grande abraço!
Irinélia Oliveira
Escrevo romance, drama, suspense, terror e erótico. Escrevo também lindas e dramáticas histórias de reis e rainhas, mas dá pra perceber que é a mesma pessoa quem os escrevem quando se lê pelo menos dois livros em seguida.
Deus da à sabedoria e talento para todos, mas tem que ser feito com amor e dedicação quando se descobre o que lhe foi dado por ele.
Agradeço a todos!
Deus abençoe vocês!
Beijos;
Irinélia Oliveira