Capítulo 6 - Dmitry

1150 Words
Dmitry A minha dor foi diminuindo. Acredito que o remédio começou a fazer efeito. Eu ainda estava levemente anestesiado, mas não conseguia parar de admirar a beleza da mulher que tinha salvado a minha vida. Ela era diferente da maioria das mulheres da Rússia. Cabelos pretos longos, olhos acinzentados… belíssima. Eu acho que nunca vi uma mulher tão bonita na minha vida e, sinceramente, acho que não teria visto se não tivesse tomado esse golpe. Até quando esses desgraçados dos italianos tentam me matar, acabam me trazendo algo interessante. — Vai ficar olhando para cima o tempo todo? Os meus homens não vão subir, você não precisa se preocupar — falei devagar, porque ela estava em modo de defesa, olhando para a escada o tempo inteiro. Ela ficou muda por alguns segundos antes de respirar fundo e dizer: — Eu quero que você e os seus homens saiam da minha casa. Eu já salvei a sua vida, agora eu só quero ficar em paz com a minha filha. Eu já tenho problemas demais, não preciso de mais um. — Eu queria poder te ajudar, mas nesse momento eu não posso me locomover. Os pontos podem abrir e ainda é perigoso eu voltar para casa. Eu moro longe daqui. Mas não se preocupe, os meus homens não vão incomodar a rotina da sua filha. Quantos anos ela tem? Confesso que perguntei por curiosidade. Ela me encarou por longos segundos antes de responder: — Ela é um bebê. Só tem sete meses. E, mesmo assim, eu não quero homens armados dentro da minha casa. Eu quero que eles saiam. — Eu estou ferido e não posso sair agora. Eu te agradeço por ter salvado a minha vida e, se serve de consolo, eu também não queria estar aqui deitado na sua sala. Ela ficou em silêncio. Foi então que escutei o choro de um bebê. Ela me encarou imediatamente. — Eu não quero nenhum dos seus homens lá em cima, entendeu? — Sim, senhora. Nenhuma outra pessoa falaria assim comigo. Mas, pelo visto, ela não se importa se eu sou o Don. Ela demorou bastante lá em cima. O choro parou, mas ela ficou por um bom tempo. Quando desceu, estava com roupas mais confortáveis. — Você é solteira? Ela respirou fundo. Claramente não confiava em mim. E, para piorar, meus homens ainda estavam ali perto. Mikhail tinha saído para fazer a ronda e verificar se estava tudo seguro, mas deixou os homens posicionados na casa. — Eu salvei a sua vida, mas não sou obrigada a responder às suas perguntas. E mais uma coisa: eu não vou ficar em pé aqui na sala a noite toda. Eu vou dormir lá em cima, perto da minha filha. — Você vai abandonar um paciente ferido aqui embaixo sem cuidados médicos, doutora? Que é isso… Acredito que, por mais que você não quisesse me receber na sua casa, você salvou a minha vida. E agora que já salvou, deveria cuidar de mim. — Você só está aqui porque o seu irmão me obrigou. Eu teria batido a porta na sua cara, com certeza. E, nesse momento, você estaria em um hospital. — Acredito que os meus inimigos estejam me esperando na porta de um hospital, doidos para terminar o que começaram. Acredite, nem todos os meus homens são confiáveis. Eu não estou aqui por causa de um italiano maldito… estou aqui por causa de um dos meus próprios homens. — Mais um motivo para eles ficarem do lado de fora. Se tentaram matar o chefe deles, imagina o que não fariam comigo. Chamei um dos meus homens que estava encostado na parede. Ele veio imediatamente. Ela, por outro lado, deu alguns passos para trás. — A nossa querida médica disse que não vai poder ficar aqui embaixo. Então vocês vão me levar lá para cima. Em qual quarto eu vou dormir, doutora? — O quê? Como assim? — ela perguntou, confusa. — Você não quer dormir aqui na sala. E, realmente, aqui está quente. Então eu vou pedir para os meus homens me colocarem lá em cima. Espero que tenha um quarto de hóspedes… porque, se não tiver, vou ter que dormir no mesmo quarto que você. — Não, você não vai. — É a única forma deles ficarem do lado de fora. Os meus homens me ajudaram a levantar devagar e me carregaram até a parte de cima da casa. Mesmo ferido, deu para perceber que era uma casa muito bem estruturada. Ela claramente não era uma mulher pobre. Ela apontou para as portas e disse, firme: — Você vai ficar naquele quarto. O meu é aquele ali. — Eu acho que, por segurança, é melhor você ficar no mesmo quarto que eu. Eu não estou me sentindo muito bem. — Vocês podem esperar do lado de fora da casa — falei para os meus homens. — Avisem ao meu irmão que eu já estou no quarto. Eles me colocaram deitado na cama e saíram. Ela se aproximou de mim e disse: — Eu não vou dormir no mesmo quarto que você. Mas não se preocupe… você não vai morrer. — Você ainda não me respondeu se é casada. — Eu não sou casada. Eu acabei de me separar. O meu marido era um traste. Eu mordi os lábios, quase de forma automática. Uma mãe solteira. Interessante. O conselho não aprovaria… mas eu não devo explicações a ninguém. — Então você tem uma filha de sete meses e se separou. Mas, pelo visto, você tem uma vida confortável. Você trabalha em algum hospital? — Não. A minha filha ainda é um bebê. Eu vou voltar a trabalhar, mas ainda tenho algumas economias. Estou esperando um tempo. — Você parece muito nova. — Tenho vinte e poucos anos. Então sim… sou nova. — Nova, belíssima… e acabou de se separar. Não acredito que você não mereça um recomeço. — Eu não quero recomeçar. Estou cansada de homens. Nenhum de vocês presta. Eu soltei um pequeno sorriso. — Acho que uma mulher tão bonita não deveria generalizar. Até porque o seu ex-marido claramente não prestava… mas isso não significa que todos sejam iguais. Ela não respondeu. Apenas me encarou. — Eu quero que você cuide de mim na minha casa — continuei. — Vou pedir para um dos meus homens deixar o cartão. — Claro que não. Você tem dinheiro, pode contratar outro médico. — Posso. Mas não quero. Sustentei o olhar dela. — Foi você que salvou a minha vida. E eu quero que você cuide de mim. Respirei fundo. — Por falar nisso… estou sentindo dor. Você pode ver? Acho que estou com febre. Ela se aproximou devagar. Ainda desconfiada. Olhou o ferimento com atenção. Eu não estava sentindo nada. Até que ela colocou a mão no meu rosto. Se aproximou o suficiente. E, naquele momento… Eu puxei ela pela nuca. E beijei.
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