As verdades de Clara Helena sempre dizia que o apartamento de Clara parecia uma colagem viva de memórias: quadros com frases de impacto, plantas espalhadas em cada canto, fotos em molduras de tamanhos diferentes, livros empilhados sem ordem aparente. Tudo exalava energia, cor, excesso — exatamente como Clara. Naquela noite, a amiga estava especialmente animada. Uma panela borbulhava no fogão, o cheiro de alho dourado e tomate fresco tomava conta do ar. Helena sentou-se à mesa da cozinha, observando-a com uma ponta de cansaço. — Você precisava mesmo cozinhar tudo isso só para duas pessoas? — Helena perguntou, apoiando a cabeça na mão. — “Só para duas pessoas”? — Clara ergueu uma colher de p*u como quem segura uma espada. — Minha cara, cozinhar em abundância é minha forma de terapia. Alé

