Capítulo 8 – A Prova da Rosa
O sol já tocava o topo das montanhas quando Alessa desceu os degraus do castelo, guiada por Lisandro. O jardim onde aconteceria a prova da rosa era um espaço mágico, com caminhos de seixos brancos, fontes antigas e arcos floridos que perfumavam o ar com jasmim e lavanda.
Diante dela estavam dispostas sete rosas, cada uma em um pedestal. Cada pretendente deveria escolher uma, mas só uma rosa representava o coração verdadeiro do príncipe. A lenda dizia que apenas quem visse com os olhos da alma conseguiria identificá-la.
As outras candidatas hesitavam, olhavam de um lado para o outro, buscavam conselhos nos olhares alheios. Alessa, no entanto, apenas fechou os olhos. Lembrou-se da noite em que escutou Lorenzo falar com um jardineiro sobre como sua mãe cultivava uma rosa rara, cujo perfume só se revelava quando tocada por alguém com intenções puras.
Ela seguiu seus instintos e parou diante da quarta rosa. Não era a mais vistosa. Suas pétalas tinham um tom rubro suave, quase tímido. Ela a tocou, e um suave aroma se espalhou, tão delicado quanto uma lembrança de infância. Lorenzo, observando ao longe, sorriu.
— Temos uma vencedora — declarou o Grão-Mestre das Provas, a voz grave ecoando no jardim.
As outras damas ficaram estáticas. Algumas indignadas, outras espantadas. Mas ninguém ousou contestar.
Capítulo 9 – O Baile do Luar
Para celebrar a vitória, um baile foi preparado nos salões de mármore branco do castelo. Candelabros de cristal lançavam reflexos como estrelas e músicos afinavam violinos em notas suaves. Alessa fora vestida com um vestido prateado, bordado com fios de luar. Seu cabelo preso com delicadeza, adornado por pequenas pérolas.
Lorenzo a recebeu com um beijo no dorso da mão, e seus olhos azuis, intensos como o céu antes da tempestade, diziam mais do que as palavras que lhe faltavam.
— Nunca desejei tanto dançar com alguém — sussurrou ele.
A valsa começou, e os dois pareciam flutuar. O salão se esvaziava ao redor deles, como se o tempo tivesse parado. O toque dele era firme, mas respeitoso; seus passos seguros guiavam os dela, que se entregava sem receios.
Quando a música cessou, Lorenzo inclinou-se e, bem junto ao ouvido dela, murmurou:
— Meu coração já fez sua escolha, muito antes da rosa.
Alessa sentiu o rosto corar, mas antes que pudesse responder, um mensageiro interrompeu o momento, trazendo notícias urgentes que fariam o conto de fadas dar lugar ao inesperado.
Capítulo 10 – As Sombras do Reino
O mensageiro trazia um pergaminho selado com a marca do Reino de Viremont, um dos mais antigos rivais de Monte Sogni. A carta acusava o príncipe Lorenzo de romper um acordo de noivado selado ainda na infância com a princesa Isolde de Viremont, ameaçando consequências políticas.
A notícia se espalhou pelo castelo como fogo em palha seca. Conselheiros se reuniam às pressas, nobres cochichavam pelos corredores, e Alessa se viu no meio de uma tempestade que não compreendia.
Lorenzo estava furioso, mas contido. Ele nunca aceitara tal acordo, firmado sem sua anuência. No entanto, como príncipe, suas decisões tinham peso político.
— Não posso permitir que nosso povo sofra por causa de um capricho diplomático — confessou ele a Alessa, naquela noite.
— E eu não permitirei que você sacrifique sua felicidade por um acordo frio — respondeu ela.
Foi naquele instante que o amor deles deixou de ser apenas encanto e se transformou em aliança.
Capítulo 11 – O Conselho e a Escolha
Um grande conselho foi convocado. Alessa foi autorizada a falar, algo raro para alguém fora da nobreza. Com coragem e serenidade, ela argumentou sobre o direito à liberdade de escolha, citando leis ancestrais do reino e a nova era de respeito que Lorenzo vinha promovendo.
Alguns duques torceram o nariz, outros se surpreenderam com a eloquência da jovem. Ao final, coube a Lorenzo a palavra final.
— Minha vida, meu coração, não são moedas de troca. Nosso reino não será guiado por promessas forçadas, mas por convicções verdadeiras. E minha convicção mais firme é que Alessa é minha escolha.
A tensão se transformou em aplausos. Até mesmo o embaixador de Viremont reconheceu a firmeza da posição e prometeu renegociar os termos pacificamente.
Capítulo 12 – A Coroação do Amor
Dias depois, os sinos do castelo tocaram alto. Alessa e Lorenzo subiam os degraus da Catedral de Mármore, onde seriam unidos não só pelos votos de amor, mas pelo reconhecimento do reino.
Alessa usava um vestido marfim, simples, mas de uma elegância que roubava o fôlego. Lorenzo, em trajes reais, segurava sua mão como se segurasse o próprio destino.
Diante do altar, juraram fidelidade e amor eterno. E quando os sinos tocaram novamente, o povo aclamou a nova princesa.
Do alto da sacada, Alessa viu os rostos sorridentes, os lenços brancos no ar, e uma lágrima escorreu. Não de tristeza, mas da mais pura felicidade. O conto de fadas não terminava ali. Ali, era onde ele começava.
Versão Bônus: A Guardiã do Coração de Enrico Bellini
Personagens Principais:
Enrico Bellini: CEO de uma renomada vinícola italiana, dono de um charme sereno, com olhos cor de âmbar e um passado que o tornou reservado. Primo dos irmãos Venturini, ele prefere a solidão das videiras à exposição dos salões de negócios. Enrico é um homem de palavra, discreto e intensamente protetor com quem ama.
Isadora Nascimento: Brasileira, bibliotecária e pesquisadora de história medieval. Seu sorriso ilumina qualquer sala e sua curiosidade incansável a leva até a Villa dell’Amore em busca de manuscritos raros. Isadora é sensível, espirituosa e, sem saber, herdeira de uma história esquecida da vila.
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Capítulo 1 – Um Coração Esquecido
A brisa morna de setembro envolvia as colinas douradas da Villa dell’Amore quando Isadora desceu do táxi antigo com sua mochila, um mapa surrado nas mãos e uma carta de recomendação presa por um clipe.
A vinícola Bellini, com suas parreiras estendendo-se como braços em direção ao horizonte, parecia saída de um livro antigo. E de certo modo, era mesmo. Segundo os registros, havia ali um livro perdido — um diário de uma dama do século XVII que teria vivido um amor proibido… e deixado pistas espalhadas por entre vinhos e promessas.
Mas Isadora não esperava encontrar Enrico Bellini.
Ele surgiu com sua camisa branca semiaberta, a barba por fazer e um olhar entre o tédio e a surpresa ao vê-la. Ela, tão cheia de cores e sorrisos, parecia não pertencer àquele mundo de silêncio, uvas e tradição. E foi exatamente por isso que ele não conseguiu parar de olhá-la.
— Você está perdida? — ele perguntou, num italiano tão perfeito que parecia música.
— Depende. É aqui que os corações perdidos encontram pistas para se reencontrar?
Ele sorriu. Pela primeira vez em muito tempo.
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Capítulo 2 – O Diário da Dama
Na biblioteca da propriedade, entre livros raros e segredos selados por séculos, Isadora encontrou o manuscrito que mudaria tudo.
Era o diário de Caterina Bellini, ancestral de Enrico, e que contava uma história de amor com um jovem plebeu — uma história que fora ocultada pela família por gerações. A última página falava de um colar escondido, símbolo da união proibida e juramento eterno de amor.
Enquanto lia em voz alta para Enrico, ele se aproximava mais. A princípio por curiosidade. Depois… porque não conseguia resistir à forma como Isadora lia cada palavra como se fosse poesia. E, talvez, como se fossem deles.
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Capítulo 3 – A Primeira Taça
Ele a convidou para jantar, como forma de agradecimento. Mas havia mais em jogo.
Na vinícola, uma taça de vinho Bellini era como um selo — e Enrico, mesmo sem perceber, já a havia escolhido. Isadora, rindo com os olhos, provou o vinho e comentou:
— Tem gosto de promessa.
Enrico, já rendido, respondeu com voz baixa:
— Porque é exatamente isso que é.
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Capítulo 4 – A Sócia Esquecida
Mas nem todos estavam prontos para aceitar Isadora.
Bianca Bellini, prima distante e ex-sócia do negócio, sempre acreditou que seria ela ao lado de Enrico. O retorno dela à vila foi como uma nuvem escura — com intrigas, mentiras e até a tentativa de desacreditar a pesquisa de Isadora.
Mas Enrico, diferente de outros homens, não cedia à pressão. Ele confiava em Isadora. A defendia. E, quando Bianca tentou usar o conselho da família contra ela, ele bateu a taça na mesa e declarou:
— Se ela for embora, eu vou com ela. E vocês perdem não só a verdade… como a mim.
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Capítulo 5 – O Colar
Foi Clara, a pequena filha de Rafael e Vanessa, que encontrou o colar.
Durante uma visita à propriedade, ela escorregou no porão e viu a peça presa sob uma tábua. Levado até Isadora, o objeto brilhou entre seus dedos, como se soubesse que o destino fora cumprido.
Enrico a beijou ali mesmo. Um beijo lento, selado por séculos de histórias interrompidas.
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Epílogo Bônus
Meses depois, a vinícola Bellini lançava uma nova safra: Promessa Eterna. O rótulo trazia a ilustração de dois corações entrelaçados e a seguinte frase:
"O que está escrito com amor, nem o tempo, nem a história apagam."
Isadora e Enrico casaram-se sob as glicínias, cercados por todos os casais que formavam a irmandade dos Venturini, Montello, Hernández e Maddox.
A filha deles nasceu com olhos âmbar como o pai e sorrisos de poesia como a mãe.
O legado de amor seguia firme… guardado agora, também, por livros e vinhos.