Versão Bônus: A Guardiã do Coração de Enrico Bellini
Personagens Principais:
Enrico Bellini: CEO de uma renomada vinícola italiana, dono de um charme sereno, com olhos cor de âmbar e um passado que o tornou reservado. Primo dos irmãos Venturini, ele prefere a solidão das videiras à exposição dos salões de negócios. Enrico é um homem de palavra, discreto e intensamente protetor com quem ama.
Isadora Nascimento: Brasileira, bibliotecária e pesquisadora de história medieval. Seu sorriso ilumina qualquer sala e sua curiosidade incansável a leva até a Villa dell’Amore em busca de manuscritos raros. Isadora é sensível, espirituosa e, sem saber, herdeira de uma história esquecida da vila.
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Capítulo 1 – Um Coração Esquecido
A brisa morna de setembro envolvia as colinas douradas da Villa dell’Amore quando Isadora desceu do táxi antigo com sua mochila, um mapa surrado nas mãos e uma carta de recomendação presa por um clipe.
A vinícola Bellini, com suas parreiras estendendo-se como braços em direção ao horizonte, parecia saída de um livro antigo. E de certo modo, era mesmo. Segundo os registros, havia ali um livro perdido — um diário de uma dama do século XVII que teria vivido um amor proibido… e deixado pistas espalhadas por entre vinhos e promessas.
Mas Isadora não esperava encontrar Enrico Bellini.
Ele surgiu com sua camisa branca semiaberta, a barba por fazer e um olhar entre o tédio e a surpresa ao vê-la. Ela, tão cheia de cores e sorrisos, parecia não pertencer àquele mundo de silêncio, uvas e tradição. E foi exatamente por isso que ele não conseguiu parar de olhá-la.
— Você está perdida? — ele perguntou, num italiano tão perfeito que parecia música.
— Depende. É aqui que os corações perdidos encontram pistas para se reencontrar?
Ele sorriu. Pela primeira vez em muito tempo.
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Capítulo 2 – O Diário da Dama
Na biblioteca da propriedade, entre livros raros e segredos selados por séculos, Isadora encontrou o manuscrito que mudaria tudo.
Era o diário de Caterina Bellini, ancestral de Enrico, e que contava uma história de amor com um jovem plebeu — uma história que fora ocultada pela família por gerações. A última página falava de um colar escondido, símbolo da união proibida e juramento eterno de amor.
Enquanto lia em voz alta para Enrico, ele se aproximava mais. A princípio por curiosidade. Depois… porque não conseguia resistir à forma como Isadora lia cada palavra como se fosse poesia. E, talvez, como se fossem deles.
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Capítulo 3 – A Primeira Taça
Ele a convidou para jantar, como forma de agradecimento. Mas havia mais em jogo.
Na vinícola, uma taça de vinho Bellini era como um selo — e Enrico, mesmo sem perceber, já a havia escolhido. Isadora, rindo com os olhos, provou o vinho e comentou:
— Tem gosto de promessa.
Enrico, já rendido, respondeu com voz baixa:
— Porque é exatamente isso que é.
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Capítulo 4 – A Sócia Esquecida
Mas nem todos estavam prontos para aceitar Isadora.
Bianca Bellini, prima distante e ex-sócia do negócio, sempre acreditou que seria ela ao lado de Enrico. O retorno dela à vila foi como uma nuvem escura — com intrigas, mentiras e até a tentativa de desacreditar a pesquisa de Isadora.
Mas Enrico, diferente de outros homens, não cedia à pressão. Ele confiava em Isadora. A defendia. E, quando Bianca tentou usar o conselho da família contra ela, ele bateu a taça na mesa e declarou:
— Se ela for embora, eu vou com ela. E vocês perdem não só a verdade… como a mim.
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Capítulo 5 – O Colar
Foi Clara, a pequena filha de Rafael e Vanessa, que encontrou o colar.
Durante uma visita à propriedade, ela escorregou no porão e viu a peça presa sob uma tábua. Levado até Isadora, o objeto brilhou entre seus dedos, como se soubesse que o destino fora cumprido.
Enrico a beijou ali mesmo. Um beijo lento, selado por séculos de histórias interrompidas.
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Epílogo Bônus
Meses depois, a vinícola Bellini lançava uma nova safra: Promessa Eterna. O rótulo trazia a ilustração de dois corações entrelaçados e a seguinte frase:
"O que está escrito com amor, nem o tempo, nem a história apagam."
Isadora e Enrico casaram-se sob as glicínias, cercados por todos os casais que formavam a irmandade dos Venturini, Montello, Hernández e Maddox.
A filha deles nasceu com olhos âmbar como o pai e sorrisos de poesia como a mãe.
O legado de amor seguia firme… guardado agora, também, por livros e vinhos.
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Prólogo
A Guardiã de Corações
Havia um tempo em que promessas eram seladas com sangue e juramentos feitos ao luar tinham o peso do destino.
Na cidade escondida entre os vales encantados da Toscana, onde as colinas pareciam cantar antigas melodias e o vento sussurrava histórias esquecidas, nasceu a lenda da Guardiã. Diziam que em cada geração, uma mulher seria escolhida para proteger os corações daqueles que o destino uniria — não com feitiços ou encantamentos, mas com a força da empatia, da coragem, e do amor incondicional.
Angelina Baronni não sabia que era a escolhida.
Filha de um ourives e uma boticária, cresceu entre pedras preciosas e perfumes de flores raras. Era intensa, sensível, e dona de uma beleza serena que contrastava com os segredos que carregava nos olhos. Sempre soube que havia algo diferente em si mesma — algo que a ligava aos outros de forma invisível, profunda. Mas foi apenas ao cruzar o olhar com Miguel Alonzo, o arquiteto que redesenhava sonhos com as mãos e ocultava dores no silêncio, que tudo começou a se revelar.
O amor entre eles não nasceu como uma faísca — foi fogo antigo, que ardeu de novo ao menor toque. Mas amar, para ela, nunca seria simples. Não quando o destino a tornava responsável por tantos outros corações. Não quando precisava proteger aqueles que ainda nem sabiam o quanto estavam entrelaçados.
Agora, anos depois, Angelina está prestes a cumprir o seu maior papel. Não apenas como mulher, esposa ou mãe — mas como Guardiã de uma nova geração.
E nesta história, todos os caminhos, todos os sorrisos, todas as dores… levarão de volta ao lugar onde tudo começou.
Porque quando o amor é verdadeiro, o tempo se curva, o mundo se cala, e o coração reconhece o seu guardião.
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Capítulo 1
O Reencontro com o Tempo
Angelina observava o entardecer da varanda da casa de campo, com um sorriso suave tocando seus lábios. Os vinhedos da Toscana se estendiam como um manto dourado, tingido pelo sol poente. O aroma das flores silvestres misturava-se com o cheiro da terra molhada — o perfume da sua infância, da sua origem.
Miguel estava no ateliê, trabalhando em novos esboços para o projeto do hotel Venturini em Florença. Mesmo com os cabelos um pouco mais grisalhos e o olhar mais sereno, ele ainda era o homem que fazia seu coração disparar com um simples olhar. Seus dedos deslizavam sobre os traços da prancheta com a mesma precisão com que a tocava, com devoção e ternura.
— Mamãe… — a voz doce de sua filha interrompeu o momento.
Amora, de seis anos, tinha os olhos do pai e a alma da mãe. Levava nos gestos um encanto inexplicável, quase místico. Ela se aproximou com uma flor colhida no jardim.
— Trouxe pra você. É daquelas que o vovô chamava de "coração encantado", lembra?
Angelina ajoelhou-se, os olhos marejados.
— Lembro sim, minha flor. E agora sei que era mais do que um nome bonito. Era uma promessa.
A Guardiã estava desperta. E o tempo, mais uma vez, havia chegado.
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Capítulo 2
As Cordas Invisíveis
A casa estava cheia naquela noite.
Luciano e sua esposa Maitê haviam trazido os gêmeos para passar o fim de semana. Rafael, Vanessa e o pequeno Pietro chegaram mais cedo, acompanhados de Thiago e Vanessa Romani, que agora esperavam seu segundo filho.
Na mesa longa, entre risadas, brindes e histórias do passado, o presente se firmava com laços invisíveis — mas fortes como aço.
Angelina observava os rostos à sua volta. Cada um deles havia enfrentado suas batalhas, curado feridas, e agora construía a própria família. Mas o que os unia era mais do que amizade. Era propósito. E ela sabia disso. Sempre soube.
Sentou-se ao lado de Donatella Venturini, que como sempre, usava brincos grandes e expressões maiores ainda.
— Está tudo nos olhos, minha querida. Os filhos crescem, os cabelos embranquecem… mas o que sentimos, ah… isso vive eternamente nos olhos.
Angelina sorriu. Donatella sabia mais do que dizia. Sempre soube.
— Você sente que algo está por vir? — perguntou a matriarca.
Angelina hesitou.
— Não… eu sei que está por vir. E desta vez… não será apenas amor.
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Capítulo 3
Os Sinais
Na manhã seguinte, Miguel acordou antes do sol nascer. Encontrou Angelina sentada no jardim, de olhos fechados e mãos sobre o peito. Ela parecia ouvir algo que ele não podia.
— Tive um sonho — disse ela, ao notar sua presença. — Uma menina de cabelos cacheados e olhos dourados me chamava de Guardiã. Ela me levou até uma ponte. E lá… vi uma nova geração de amores se formando.
Miguel ajoelhou-se à sua frente, pegando suas mãos com cuidado.
— Você nunca esteve sozinha nisso. Seja o que for que precise ser feito… eu estarei ao seu lado.
Ela assentiu, os olhos brilhando.
— Vamos precisar reunir todos. As famílias, os amigos… os filhos. Há algo grande para acontecer, e todos eles fazem parte disso.
E foi naquele instante que o primeiro sinal apareceu. Uma borboleta dourada pousou no ombro de Amora, que corria entre as flores. Ela parou, olhou para a mãe, e sorriu.
— A menina do sonho tinha essa borboleta, mamãe. Era igualzinha…
Angelina levantou-se, o coração acelerado. O chamado estava feito.
E a Guardiã, uma vez mais, atenderia.