CAPÍTULO 6

947 Words
Ana passou o dia inteiro tentando acalmar os nervos. Sua última incursão no escritório de Victor quase a entregara por completo. Mas, ao invés de impedi-la, aquilo só aumentou sua determinação. Victor Moretti não era apenas um homem poderoso e perigoso. Ele era um enigma, um eclipse que encobria verdades sombrias. E Ana queria expô-las. Quando o sol começou a desaparecer no horizonte, tingindo o céu com tons de laranja e roxo, ela vestiu um tubo preto colado ao corpo, f***a lateral e saltos altos, deixando seus cabelos soltos em ondas suaves. Se queria passar despercebida, precisava agir como parte daquele ambiente. O Dono da Noite brilhava em vermelho e dourado quando Ana atravessou suas portas mais uma vez. O cheiro de desejo, álcool e mistério pairava no ar. O ambiente pulsava ao som da batida lenta e sensual da música, casais se entreolhavam, corpos se misturavam no salão. E, no meio de tudo, Victor. Sentado em seu trono particular no mezanino, observando como um rei que detinha o poder absoluto sobre cada alma naquele lugar. Seu olhar pousou sobre ela no instante em que entrou. Ele a esperava. Ana engoliu em seco. Havia algo de predatório naquele olhar. Ela fingiu indiferença e desceu as escadas que levavam ao bar, onde encomendou um drink, tentando se misturar à multidão. Mas a presença de Victor era como um campo gravitacional, impossível ignorar, impossível resistir. Foi então que a cadeira ao lado dela foi ocupada. — Voltou para brincar com fogo, Ana? O tom rouco e sedutor da voz dele enviou arrepios por sua espinha. Ela se virou devagar, encontrando aqueles olhos castanhos ardendo de desafio e posse. — Talvez eu só goste do perigo. Victor sorriu, um sorriso perigoso. Ele sabia que aquilo era mentira. Ana não estava ali apenas pelo jogo de sedução. — Ou talvez esteja testando meus limites. — Ele inclinou-se, o perfume amadeirado envolvendo-a. — Mas, dolcezza, sou eu quem dita as regras desse jogo. Ana segurou o copo com firmeza, tentando manter a compostura. Ela precisava desviar, precisava recuperar o controle. — Talvez seja hora de mudar isso. Victor soltou um riso baixo, divertido, mas sem qualquer doçura. — Você é teimosa. — E você é possessivo. Ele ergueu uma sobrancelha, os olhos estreitando-se. — E isso te assusta? Ela respirou fundo antes de responder. — Não. Mentira. Assustava. Mas, mais do que isso a excitava. A música ao redor parecia diminuir quando Victor deslizou um dedo pela lateral do braço dela, dando um toque leve e deliberado. — Se está aqui, Ana, então sabe que já é minha. O coração dela deu um salto. Mas antes que pudesse esponder, Victor segurou seu queixo entre os dedos, obrigando-a a encará-lo. — Você pode correr, tentar se esconder, mas no fim sempre volta para mim. Ana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Porque, no fundo, talvez ele estivesse certo. E esse era o maior perigo para todos. ****** O olhar de Victor segurava Ana como um laço invisível, apertando-a sem esforço. Ele não precisava de palavras para deixá-la presa a ele. Sua presença bastava. Ana engoliu em seco, tentando recuperar o fôlego, mas sabia que estava sendo devorada por aquela conexão ardente e perigosa. Victor Moretti era como um eclipse, ocultando tudo ao seu redor e tornando impossível olhar para outra direção. — Vamos para um lugar mais reservado. — Ele ordenou, sem dar espaço para protestos. Ana hesitou. Ela sabia que recusar seria um desafio direto. Mas aceitar significava se render, cruzar uma linha da qual talvez não conseguisse mais voltar. Ainda assim, ela assentiu. Victor sorriu de canto, satisfeito. Ele segurou sua mão e a guiou pelo clube, os olhares curiosos seguindo cada passo. Todos sabiam quem ele era. Todos sabiam o que ele fazia. E agora, todos sabiam que ela era dele. Subiram uma escada privada até um corredor discreto, longe do caos da pista de dança. Victor abriu uma porta e a puxou para dentro. O escritório era amplo, com móveis luxuosos e um bar privado. Mas o que realmente chamou a atenção de Ana foi a presença dele. Victor trancou a porta atrás de si e se virou lentamente. — Você quer respostas, não quer? — Ele cruzou os braços, encostando-se à mesa, os olhos cravados nela como lâminas afiadas. Ana respirou fundo, sustentando o olhar dele. — Quero. — E está disposta a pagar o preço por elas? A pergunta foi feita em um tom baixo, sedutor, mas repleto de perigo. Ana soube naquele instante que aquilo não era um simples jogo. — Que tipo de preço? — Ela perguntou, mantendo a voz firme, mesmo que seu coração martelasse. Victor deu um passo à frente, eliminando qualquer espaço entre eles. Seu cheiro, sua presença, sua energia dominadora, tudo nela gritava alerta. — Eu te dou as respostas que quero. — Ele ergueu a mão e traçou um dedo pelo maxilar dela. — Mas, em troca, você será minha. Completamente. Sem resistência. Sem fugas. Ana sentiu a respiração falhar. — Você quer me comprar? Victor riu baixo, sem humor. — Não sou homem para pagar por algo que já me pertence. A declaração a fez estremecer. A posse em sua voz era palpável, sufocante, viciante. Ana sabia que tinha duas opções, continuar investigando de forma perigosa e clandestina ou aceitar o acordo e se aproximar do perigo de um jeito ainda mais tentador. Ela levantou o queixo, desafiadora. — E se eu recusar? Victor a puxou para perto, seu nariz roçando a lateral do rosto dela. — Então terá que me convencer de que consegue me deixar. O desafio estava lançado. E Ana não sabia se queria mesmo ganhar.
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