Enquanto o mundo de Dante desmorona aos poucos, o mundo de Selena segue em outra direção — firme, determinado, quase teimoso em sobreviver.
Depois de dias turbulentos, entre medo, incerteza e sentimentos que ela não ousa nomear, Selena mergulhou completamente no trabalho. A loja voltou a ser seu porto seguro, o lugar onde ela sempre soube quem era e o que queria construir.
Agora, cada peça da nova coleção carrega um pouco de todas as suas cicatrizes recentes: tecidos fortes, cortes precisos, detalhes que revelam delicadeza sem fragilidade. Ela reorganiza vitrines, ajusta manequins, atende clientes com atenção redobrada. Existe uma calma técnica nos seus gestos — quase como se a moda fosse a única parte da vida que ela ainda consegue controlar.
O objetivo dela é claro, quase urgente: expandir a marca.
Fortalecer seu nome no mercado, abrir portas, alcançar bairros que sempre pareceram distantes. A confusão com Dante, o peso do passado e o susto do sequestro só reforçaram uma certeza silenciosa: ela não pode — e não quer — depender de ninguém para crescer.
Selena está focada, determinada, cansada e, ao mesmo tempo, estranhamente viva. O coração tenta tropeçar para trás, mas a mente a puxa para frente, como sempre fez.
E ali, entre tecidos, croquis e atendimentos impecáveis, ela tenta reconstruir sua rotina, seus limites e, quem sabe, a si mesma.
Na elegante sala de estar, iluminada pela luz que está indo embora devagar em um fim de tarde. Giulia revisa alguns arquivos no laptop, tentando organizar as ideias — e, secretamente, os sentimentos que andam empurrando para debaixo do tapete, a sua insegurança em relação a Selena. O som da porta se abrindo anuncia a chegada de Arthuro. Ele m*l coloca a mala no chão antes de se aproximar da filha e deposita um beijo leve em sua testa, como fazia desde que ela era pequena.
Ele pergunta, num tom calmo e observador, como está indo a situação com Dante.
Giulia responde com honestidade calculada: tudo está indo bem… não exatamente como imaginou, mas bem. Arthuro solta uma risada leve, aquela típica de quem já entende muito do mundo, e diz que ela precisa de paciência. Dante, para ele, é um homem lento — não por falta de interesse, mas por excesso de cautela. Sugere que talvez ela devesse “adiantar um pouco as coisas”, o que faz os dois riem juntos.
Mas logo o sorriso de Giulia perde força. A dúvida que ela vinha carregando desde a descoberta das fotos lateja, e ela decide perguntar ao seu pai sobre a relação entre seu tio Raffaele e os pais de Dante.
Arthuro responde sem hesitação: eles foram amigos de infância.
Raffaele, segundo ele, era muito próximo de Marco; negócios aproximam pessoas, e algumas famílias acabam se misturando naturalmente. Caterina, porém — diz Arthuro — nunca esteve tão próxima de Raffaele. Apenas cordial. Nada além disso.
Ao perceber o interesse súbito da filha, ele estreita os olhos e pergunta por que tantas perguntas.
Giulia sorri, disfarçando a inquietação que insiste em arranhar por dentro, e diz que é só curiosidade.
Arthuro finaliza com uma informação que parece simples, mas acende ainda mais o alerta na cabeça dela:
Hoje, Raffaele e Marco não são mais tão próximos. Raffaele teve problemas com a justiça e perdeu parte significativa dos negócios — e isso, naturalmente, afastou as relações.
Giulia fecha o laptop devagar.
O pai continua falando, mas a mente dela já está longe — presa na sensação de que aquela história tem mais camadas do que aparenta. Ela só não sabe, ainda, qual delas ela realmente quer descobrir. Ela olha para o relógio, e de repente solta um – Nossa, já são Cinco Horas, preciso me arrumar – Seu pai se cala – Irá sair com as amigas de novo hoje?
– Não, tenho um encontro com o Dante hoje
— Ah, certo. Não esquece do que eu falei hein? — disse Arthuro dando uma piscadinha e uma risada leve e divertida enquanto se retira indo em direção ao bar da sua mansão
Giulia subiu para o quarto ansiosa para se vestir, queria ficar linda e provocante de um jeito que Dante não seria capaz de resistir. O que ela imaginou e esperou tanto estava prestes a acontecer, finalmente estava ganhando forma e ela estava decidida a não deixar escapar.
Ela abriu o guarda-roupa com firmeza e puxou o vestido preto recém-comprado na loja de Selena. Só de tocá-lo, sentiu um arrepio. O tecido elegante, a estrutura perfeita, o corte que moldava o corpo como se tivesse sido feito para ela… era praticamente uma armadura de sedução.
Ao colocá-lo, Giulia encarou o espelho e respirou fundo — ali, refletida, parecia outra mulher. Uma lady moderna, poderosa, impecável.
O vestido abraçava suas curvas com uma confiança silenciosa, e Giulia sorriu sozinha.
— É isso… — murmurou, ajeitando os cabelos com cuidado.
Passou o perfume favorito, colocou os brincos de pérola que Arthuro sempre dizia que realçam sua beleza e, por fim, calçou os saltos pretos que completavam o look sem precisar de esforço.
Ao terminar, ela se olhou novamente no espelho — dessa vez, sem pressa.
Era como se estivesse diante da melhor versão de si mesma. Segura. Firme. Preparada.
Na cabeça dela, Dante não escaparia daquela noite.
O encontro era mais do que um jantar: era a chance de finalmente aproximar o futuro que ela sempre imaginou do presente que estava ao alcance das mãos.
Giulia pegou a bolsa, respirou fundo e sorriu de canto.
Hoje, ela estava pronta. Hoje, o jogo mudaria e Selena estava prestes a se tornar uma lembrança distante na cabeça de Dante. Após se arrumar Giulia desceu para a sala, Arthuro segurando um copo de Whiskey ficou em choque ao ver Giulia descendo as escadas com aquele vestido elegante e matador de Homens — Minha querida GiGi, hoje não tem homem que resista a esse seu vestido – disse Arthuro com um sorriso sacana de braços abertos.
Giulia deu um riso genuíno e foi em direção ao seu pai, que lhe deu um abraço. — Sua mãe estaria orgulhosa da mulher que se tornou, você merece toda a felicidade do mundo.
— Obrigado papai, não sei o que seria de mim sem você.
Logo depois Giulia notou o Mordomo indo em sua direção afirmando que Dante já estava à sua espera lá fora. Giulia se despediu do seu pai que ficou lhe olhando com um olhar orgulhoso junto do seu Mordomo. Giulia caminhou até a porta com muita elegância, seus passos transmitem sensualidade e segurança. Chegando no carro Dante já o aguardava, lhe deu um boa noite com uma voz doce enquanto lhe olhava dos pés a cabeça admirando sua beleza, nesse momento Giulia sentiu que tinha acertado na escolha do vestido, seguir sua intuição sempre lhe leva para caminhos bons. Dante abre a porta do carro como um cavaleiro enquanto segura a sua mão com delicadeza. Após os dois entrarem no carro Giulia olha para Dante com um olhar encantador, seus olhos brilham como a obra do Vincent Van Gogh ‘’ Noite estrelada’’ — Então, pra onde vamos?
— Vou te levar para o melhor restaurante da Itália, Da Vittorio —disse Dante enquanto olhava para Giulia com um olhar encantador, com um sorriso de canto que deixava Giulia em chamas por dentro.