A decisão

1172 Words
Dante chegou em casa, estacionou o carro e logo desceu, indo em direção à porta de entrada. Ao passar pela porta, seu pai o esperava lendo um livro sobre negócios. — Bom dia, Dante — disse ele em tom de deboche. — Bom dia... pai — disse Dante, confuso. — Presumo que o seu cargo na empresa não seja mais de seu interesse — disse ele, sentado no sofá, descruzando as pernas. — Claro que é. Por que diz isso? — Dante se aproximou do pai com um olhar de dúvida. — Veja bem, ultimamente não tem cumprido horários. Seu relacionamento com a Giulia não tem levado a sério... — Não é sério! — Tem que ser! — aumnetou o tom de voz dando um grito. — Você está sendo infantil em colocar pessoas em uma situação como essa! — Hoje eu não tenho nada de importante na empresa. Qual o motivo da chateação? — Arthuro me ligou para dizer que a Giulia chegou chorando em casa ontem, não quis comer, não quis beber! Porque você a desrespeitou. O que está pensando, Dante? Está na hora de abandonar essa criança mimada que tem dentro de você. — Foi um m*l-entendido — Disse ele com a cabeça baixa, desconfortavel — m*l-entendido!? — Ele deu uma risada debochada. — Essa é a última vez que chamo sua atenção. Fale com a Giulia hoje e resolva essa situação. Amanhã iremos anunciar seu noivado com ela. — O quê? Mas você disse que não precisava ser agora! — protestou Dante. — Ou você pede a Giulia em casamento hoje! Ou já era a empresa. Decida! Marco saiu em passos leves, ajeitando o terno, indo em direção à porta e saindo logo em seguida. Dante ficou ali parado, olhando para a porta com o coração a mais de mil. Não sabia o que fazer, estava perdido. Ultimamente, seus dias tinham sido caóticos, cheios de altos e baixos, o que deixava Dante inseguro — algo que nunca fez parte dele. Agora, ele precisava resolver essa questão com Giulia o mais rápido possível. Ele deu um suspiro e subiu para tomar um banho. Ao entrar no quarto, sentiu o sol da janela bater em seu rosto. Nesse momento, teve um flashback da manhã que passara com Selena: do cheiro de café... da sua risada e da noite anterior, o beijo que fazia seu corpo transpirar. Sua pele macia, o perfume doce, tão doce que dava vontade de mordê-la. Mas tudo isso deveria ficar no passado. Como ela mesma disse, Giulia não merecia isso. Em seguida, ele deu um suspiro forte, tirou a camisa e, em seguida, a calça, ficando só de cueca, indo em direção ao banheiro. Chegando lá, se jogou na banheira, onde ficou de olhos fechados tentando esquecer tudo que aconteceu. — Eu só quero esquecê-la — sussurrou, levando as mãos à cabeça. Após ficar ali alguns minutos se lamentando, Dante se levantou e ficou de frente para o espelho, vendo seu reflexo que parecia cansado. Olheiras apareceram, algo que nunca tinha acontecido antes. Ele então pegou sua toalha e saiu do banheiro, chegando no quarto, dando de cara com sua mãe que o esperava parada em pé próximo à sua cama. — Mamma? O que houve? — disse, assustado. — Nada! Só vim saber como está meu filho. Não apareceu ontem e não lhe vi mais cedo — disse ela com a voz doce e falsa na mesma proporção. — Dormi na casa de um amigo. — Tudo bem. Vou pedir para o Vicente fazer umas panquecas para você, está bem? Caterina o abraçou, dando um beijo em sua bochecha e saindo logo em seguida. Dante ficou parado, sentindo algo estranho, algo que nunca havia sentido antes em relação à sua mãe. Parecia que, pela primeira vez, ele percebia a energia que ela transmitia. Mentira, falsidade! Manipulação. Mas, como sempre, ele ignorou. Foi até o closet se vestir. Após se arrumar, desceu para comer alguma coisa. Ao descer as escadas, deparou-se com Vicente, que lhe desejou bom dia. Logo em seguida, a funcionária trouxe um prato com panquecas regadas a mel e frutas, e o colocou na mesa junto com um copo de suco de laranja natural. Dante deu uma garfada e, ao levar à boca, veio mais um flashback do omelete de Selena. As lembranças eram boas, mas a sensação era r**m, dadas as circunstâncias. Desistiu das panquecas, tirando o pedaço que levara à boca com um guardanapo, e tomou apenas o suco. Isso deixou a funcionária em choque, que perguntou se havia algo errado com a panqueca. Dante afirmou que não, que era apenas o efeito da ressaca. A funcionária deu um pequeno sorriso e retirou o prato da mesa. Dante logo se levantou e foi em direção ao seu carro, a caminho de uma joalheria. Não podia pensar demais; se pensasse demais, não faria nada ou tomaria decisões erradas. Então, ele apenas foi fazer o que seu pai lhe ordenara. Precisava cumprir o seu papel. Ele queria a empresa mais do que tudo... mais do que Selena? Não, mas essa era uma decisão que não dependia dele. Ela desistiu e deixou claro que a decisão já havia sido tomada; não havia mais o que pensar. Ao chegar à joalheria, passou pela porta de vidro e logo sentiu um cheiro de baunilha. Era uma loja de luxo, com paredes azul-turquesa, estofados de couro na cor marrom e luzes alaranjadas que traziam uma sensação de bem-estar e conforto. Enquanto olhava a loja, foi surpreendido por uma atendente gentil, vestida com saia que ia até o joelho e uma blusa branca por debaixo de um colete azul, com um pequeno broche do lado direito escrito Estela. — Boa tarde, senhor. — Boa tarde? - o cumprimentou com dúvida a mão no bolso esquerdo — Sim, já são doze horas — disse ela, conferindo o relógio de pulso, dando um leve sorriso — Ah, passa rápido — Deu um leve sorriso de canto, um pouco nervoso. — Pois é. - Retribuiu com um sorriso. - No que posso ajudá-lo? — Estou procurando um anel de noivado. — Sim, venha comigo — disse ela, conduzindo-o até o balcão. — O senhor tem alguma preferência? — Não. Quero dizer, algo simples, mas... sofisticado. Algo simples, mas que não seja tão simples, entende? — disse ele, meio confuso, enquanto levantava a maõ na cabeça A atendente sorriu, imaginando que ele não fazia ideia do que estava fazendo. Ele estava duro, com os ombros tão tensos que, se alguém jogasse uma tora de madeira, jamais o faria cair. — Tenho essa opção, com pequena pedra de cristal em cima — mostrou ela. — É bonito... mas você tem uma opção mais interessante? — Tenho este — mostrou ela. Era um anel lindo. Em cima, tinha um pequeno triângulo com mini pedras de diamante. Dante gostou do que viu e resolveu levar. A moça perguntou o tamanho do dedo da noiva. Ele ficou pálido na hora, sem saber o que responder.
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