POV Aurora Ravenna falava sem parar. Sem respirar. Sem vírgulas. Sem pedir licença pra existir. E, de algum jeito bizarro e completamente inesperado, aquilo me acalmava. Era como tentar acompanhar uma tempestade que dança no próprio ritmo — e perceber, de repente, que você não precisa correr. É só deixar ela te levar. Ela vasculhava uma caixa enorme de convites sobre a mesa da sala, comentando cada detalhe, desde o papel até o cheiro, como se tivesse nascido organizando casamentos da máfia. — Então é isso, dolcezza — ela disse, empurrando um convite para mim. — O casamento está oficialmente entrando na contagem regressiva. E, obviamente, eu vou meter minha mão nesse caos lindo. Leo estava sentado no braço do sofá, com cara de quem estava assistindo o fim do mundo. Braços cruzados.

