POV Aurora O cheiro de papel queimado ainda estava no ar. A carta virava cinzas, mas o silêncio entre nós incendiava outra coisa — algo que não tinha nada a ver com Helena. Leo estava perto demais. Perto o bastante pra eu sentir o calor do corpo dele atravessando o espaço, o ar, minha pele. Ele não me tocava ainda, mas meu corpo já respondia como se tocasse. — Você está quieta. — ele disse, a voz entrando pela minha coluna como se tivesse dono. — Estou pensando. — Pensando em fugir? — Pensando em… você. A mudança nos olhos dele foi imediata. Da raiva para algo ainda mais perigoso. Ele veio até mim. Devagar. Calculado. Como se o chão tivesse sido feito pra aproximá-lo e não pra afastar. A lareira iluminava só metade do rosto dele; a outra metade era sombra, desejo e ameaça.

