POV Aurora O salão inteiro brilhava como se o luxo tivesse dentes. Luzes douradas, cristais pendendo do teto, risadas contidas em taças de champanhe. E eu ali — vestida de novo no mesmo estilo: costas cobertas, decote controlado, tecido leve o bastante pra fingir liberdade e pesado o suficiente pra esconder o que o espelho insiste em lembrar. Chiara fez mil sugestões antes da festa. Mas no fim, escolhi o que me fazia respirar. Mesmo que custasse parecer distante. Leo entrou alguns minutos depois de mim. Terno preto, gravata escura, olhar que silenciava a sala. Os convidados se curvavam em sorrisos falsos. Eu observava de longe, com o mesmo fascínio de quem assiste um incêndio e não consegue correr. Ele me encontrou entre o bar e a orquestra. Um passo. Depois outro. E o mundo

