POV Helena Eu sempre soube que nasci pra brilhar. Papai dizia que eu era “a filha perfeita”: bonita, articulada, inteligente. Aurora, por outro lado, era o peso morto da família — a que se contentava com as sobras, principalmente da comida, com a sombra. Ela pensa que eu não sei sobre os assaltos de comida na geladeira à noite. Eu sou perfeita. E foi por isso que nunca duvidei que, quando a chance aparecesse, eu seria escolhida. A festa da alta sociedade em Porto Vecchio foi o começo de tudo. Rebeca, minha melhor amiga, me arrastou pra aquele inferno dourado cheio de risadas falsas. Homens com ternos caros e mulheres com sorrisos comprados — o tipo de ambiente onde eu sempre me destaquei. E foi lá que o vi pela primeira vez. Leo Corleone. O salão inteiro pareceu perder o ar. O

