Eu termino meu expediente, organizo tudo na mesa para amanhã, pego meu celular, coloco na bolsa e sigo para o meu carro na parte de baixo da cobertura.
Antes mesmo que eu pudesse entrar, eu sinto mãos fortes colocarem algo no meu nariz e ali mesmo eu apago.
Acordei horas depois em um sofá confortável, perto de uma lareira. A casa toda era bem decorada e feita de madeira. Me sento no sofá sentindo leves tonturas, mas consigo me manter sentada.
— Acordou — escuto a voz familiar de Kaio e seus passos pesados vindo em minha direção.
— O que está acontecendo? — pergunto já querendo desmaiar novamente, mas Kaio me segura.
— Calma, você está comigo, vida. Vou cuidar de você — falou me deitando novamente enquanto ajeitava um lençol em mim.
— Onde estou? O que você quer comigo? — perguntei.
— Eu quero você, quero ficar perto de você, cuidar muito, te mimar. — falou afastando uma mecha de meus cabelos do rosto.
— Quero ir embora, Kaio, me deixa ir, por favor — falei me levantando de uma vez.
Kaio fica parado no meio da sala, me observando calmamente eu caminhar até a porta. Alcanço a maçaneta da porta e me deparo com dois homens fortes, e armados. O muro em redor continha cercas elétricas e o portão enorme era bem reforçado.
— O que pensa que está fazendo? Quero que me leve de volta agora mesmo. — ordenei, socando seu peitoral.
— Você não vai sair daqui.
— Por acaso você está doente da cabeça ou o que? Você não é o Kaio que eu conheci. — respondi sentindo suas mãos fortes segurarem meu pulso.
— Estou perfeito de saúde, só quero que reconheça que eu amo você e que você é minha, querendo ou não. — respondeu me soltando.
— Eu te odeio. — falei com toda raiva que eu sentia dele.
— E eu te amo, e com o meu amor posso te curar, assim passará a me amar da mesma forma. — alisa meu rosto com seu dedo polegar. — Te darei um prazo de 90 dias para que você me ame, ou não terá uma vida normal. — falou olhando em meus olhos.
— Acha mesmo que poderei amar uma pessoa que me faz como uma prisioneira? Você tá louco, completamente louco — falei olhando no fundo de seus olhos.
— Você é louca por mim e eu sei disso, só falta aquele empurrãozinho pra que você enxergue as coisas. — falou me puxando pela cintura, aproximando meu corpo do seu. Pude sentir seu m****o duro roçar em meu baixo ventre.
— Você não está sendo um cavalheiro, onde foram parar seus bons modos, senhor Lankaster? — reclamo tentando me soltar.
— Estou sendo um bom cavalheiro, disso eu não tenho dúvidas. — falou.
— Tá, mas pra cavalo — digo. Mas tudo era inútil, porque minhas palavras não causavam sequer impacto em Kaio, ele levava numa boa, e isso me deixava ainda mais irritada.
Em um piscar de olhos, sinto suas mãos apertarem ainda mais minha cintura, seus lábios estavam tão próximos aos meus, que pude sentir seu cheiro masculino. Meu corpo reagiu perfeitamente aos seus toques firmes.
— Eu não quero você próximo a mim, faça um favor de ficar bem distante. — falei olhando seus lábios vermelhos e perfeitamente desenhados.
— Duvido que queira isso, seu corpo me fala outra coisa. — Kaio rapidamente toma meus lábios em um beijo quente. — Não seja tão teimosa, você me quer tanto quanto eu quero você.
— Para, por favor, não pode forçar meu corpo a querer você. — me afasto de uma vez o empurrando para longe.
— Veremos. — Kaio me desafia enquanto um sorriso maravilhoso brinca em seus lábios perfeitos. — Vou sair para resolver algumas coisas, fique à vontade.
— Não pode me deixar aqui, Kaio, por favor, me deixe trabalhar e eu prometo voltar para cá com você. — peço.
— Não confio em você, Sara, enquanto eu não sentir que você me ama verdadeiramente, não sairá daqui. — falou batendo a porta e logo em seguida a tranca.
Passei a tarde toda andando pela enorme casa feita de madeira que, por sinal, é bem confortável. Caminhei até o jardim e lá havia uma senhora de mais ou menos 50 anos, mas não aparentava ter essa idade, seu cabelo grisalho a entregava. Ela estava ali calma e paciente cuidando das roseiras.
— Olá. — falei, ela me olha e de imediato já vem ao meu encontro com um sorriso calmo.
— Olá senhora, em que posso servi-la? — pergunta abaixando a cabeça.
— Não precisa formalidades, me chamo Sara e pode me chamar pelo meu nome mesmo, ainda não sou casada. — respondi fazendo ela se animar.
— Perdão senhora Sara, mas é que o patrão é muito exigente na área de tratar bem os convidados.
— Mas não se preocupe comigo, me trate como Sara e pronto, quero ser sua amiga. — falei. — E você? Como posso chamá-la?
— Soraia, sou governanta daqui a alguns anos. — falou.
— Você não deveria mais estar trabalhando nesses serviços pesados sozinha, deveria ter alguém para lhe ajudar, e essa pessoa será eu. — respondi, Soraia estreitou os olhos e me olhou.
— Não senhora, não pode estar em uma cozinha, isso não, o patrão não vai permitir. — respondeu.
— Não se preocupe, vou falar com ele, será do meu jeito ou não. — falei convicta.
Soraia e eu ficamos conversando por algumas horas na cozinha, até que Kaio entrou pela porta. Estava levemente cansado, mas não deixava de ser lindo, porém um cretino. Ele subiu as escadas para o quarto e eu fui em seu encalço, prometi fazer da vida dele um inferno.
— Kaio, quero falar com você.
— Agora não, Sara, por favor! Não quero ouvir seus chiliques.
— Não são chiliques, dá pra parar e me ouvir?
— Se eu não quiser?
— Vai à p***a, Kaio. — falei virando-me para sair dali, mas fui pega pelo pescoço e encostada na parede. O corpo de Kaio me cobre, e eu pude sentir seu hálito mentolado perto dos meus lábios, sua respiração pesada batia contra meu rosto.
— O que quer, Sarinha? Veio me dizer que está decidida a me amar!?
— Vim falar com você sobre Soraia.
— O que tem Soraia? — perguntou apertando mais meu pescoço.
— Ela já está idosa e precisa de alguém para ajudá-la na cozinha.
— E o que você sugere?
— Que eu a ajude.
— Mulher minha não se enfia na cozinha.
— Desde quando virou machista?
— Não é machismo, esse é o meu jeito, sempre pensei dessa forma. — Kaio me solta e agora parece calmo.
— Ou eu ajudo Soraia na cozinha ou coloco alguém para ajudá-la.
— Vou pensar no seu caso.
— Muito bem!!! Obrigada.
Estava saindo, mas fui puxada novamente, dessa vez meu corpo encontrou o dele em um impacto que me deixou sem chão.
— Você me enlouquece, Sara, quero você, o dia de tê-la em minha cama vai chegar.
— Nunca vai me ter. — o desafio.
— Veremos querida, veremos. — respondeu Kaio saindo da minha frente, e logo se trancou no quarto dele.