Capítulo 16 – O Juramento dos Ventos

567 Words
Quando o poder é concedido, a alma é testada. O santuário dos Senhores dos Ventos elevava-se entre penhascos cobertos por névoa, onde o céu parecia mais próximo e o ar carregava o perfume das eras esquecidas. As figuras etéreas, envoltas em mantos que dançavam com o vento, observavam Kael, Liora, Irian e o Guardião do Eco com olhos que pareciam enxergar além do tempo. Kael sentiu o peso do momento. Aquele não era apenas um pedido de ajuda, mas um pacto que poderia mudar para sempre o destino de Eldharyn — e de suas próprias almas. O mais velho dos Senhores dos Ventos, uma figura alta e imponente com olhos como redemoinhos de tempestade, avançou e falou com voz grave:
— Vocês chegaram até aqui não por acaso. O Véu se rasga porque o equilíbrio foi perturbado. As forças que despertaram não desejam apenas destruir — elas querem consumir tudo, inclusive a memória que sustenta o mundo. Liora, firme e decidida, respondeu:
— Nós já vimos o que acontece quando esquecemos. Estamos prontos para fazer o que for necessário para salvar Eldharyn. O Senhor do Vento ergueu a mão, e uma corrente de ar girou ao redor deles, envolvendo-os numa dança invisível.
— O poder que concedemos é uma dádiva, mas também uma maldição. Vocês terão que carregar não só a força dos ventos, mas também suas consequências. Irian estreitou os olhos, preparado para qualquer desafio.
— Diga-nos o que devemos fazer. Com um gesto solene, o Senhor do Vento traçou símbolos antigos no ar, que brilharam com uma luz prateada.
— Cada um de vocês deverá fazer um juramento, uma promessa que ligará sua essência ao vento e ao equilíbrio. Que cada palavra dita ecoe em seus corações, pois o poder lhes será concedido — mas também a responsabilidade será eterna. Kael sentiu o ar pulsar em sua pele, como se o próprio vento quisesse entrar em seu ser. Ele fechou os olhos e falou com firmeza:
— Eu juro proteger Eldharyn, mesmo que isso signifique sacrificar minha própria existência. Liora, com os olhos brilhando de determinação, seguiu:
— Eu juro manter a luz viva, mesmo quando a escuridão tentar me engolir. Irian, com uma voz calma, mas firme, completou:
— Eu juro lutar pela verdade e pela memória, mesmo quando o mundo duvidar. O Guardião do Eco, agora uma presença sólida e luminosa, deu um passo à frente. Sua voz era um uivo que reverberava em todas as direções:
— Eu juro guardar o equilíbrio entre passado e presente, para que nenhum eco seja perdido para sempre. Os Senhores dos Ventos assentiram, e uma onda de energia atravessou o grupo, ligando-os ao poder dos ventos ancestrais. O ar parecia cantar ao redor deles, trazendo uma sensação de renovação, mas também um peso que agora compartilhavam. O Senhor do Vento mais velho alertou:
— Lembrem-se, o poder é apenas uma ferramenta. A verdadeira força reside no que vocês carregam dentro de si. Se perderem o caminho, até mesmo o vento poderá virar tempestade contra vocês. Quando a cerimônia terminou, Kael olhou para seus companheiros, sentindo uma conexão nova e profunda. Eles não eram mais apenas um grupo — eram guardiões de um destino que poderia salvar ou destruir Eldharyn. Enquanto o sol subia no horizonte, iluminando o santuário com seus primeiros raios dourados, Kael sabia que nada seria como antes. A verdadeira jornada estava só começando.
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