Eu sabia que ela iria reagir dessa maneira, então porque estou tão irritada com isso ?
Porque fico voltando ao momento em que ela me chama de " c***l, sádica e psicótica. "
Eu deveria estar feliz torturando essa bruxa, mas eu estou aqui surtando internamente por causa daquela garota linda e irritante.
Suspiro largando a serra elétrica e em seguida olho para a bruxa se encolhendo e tremendo no canto da sala, eu pretendia cortar algum m****o seu, mas a minha falta de foco está me deixando ainda mais irritada, então é melhor parar por aqui para não correr o risco de acabar a matando antes da hora.
- Eu não a entendo, ela diz que quer me conhecer e quando eu mostro quem sou ela reage daquela maneira. - digo para a bruxa que se encolhe ainda mais no canto de parede. - Tudo bem que eu não sou uma criatura doce, amorosa, carinhosa, amável e todo esse blá, blá, blá clichê que as pessoas querem, mas eu tô aqui d***a, eu sou real, não sou parte de uma m***a de um conto de fadas e não tem nada demais em ser c***l, sádica e psicótica com gente filha da p**a. - completo chutando o balde de metal e ouço uma risada conhecida ecoar pelo local.
- Meus olhos não acreditam no que estão vendo, Pandora McCracken está surtando por causa de um conflito amoroso. - diz Petra e eu arremesso o balde nela usando magia, ouvindo um barulho forte em seguida. - Inferno, você quase me acertou ! - exclama irritada e eu sorrio me virando para a olhar a vendo parada na ponta da escada com a mão sobre o peito.
- Você tem sorte de eu não ter jogado a serra elétrica ligada em você. - digo e ela volta a rir feito uma louca e isso me faz sorrir.
- Teria sido um desperdício m***r alguém tão f**a como eu. - diz divertida e eu reviro os olhos. - Tá afim de dar uma volta ? - pergunta e eu assinto. - Ótimo, vamos lá para fora, você não precisa ficar enfurnada aqui dentro só porque a sua lobinha surtou com você. - completa divertida voltando a subir as escadas e eu a sigo.
- Onde ela está ? - pergunto e ela me olha por cima do ombro.
- Do outro lado da propriedade surtando por descobrir que a garota por quem ela tá caidinha é uma serial killer de seres sobrenaturais. - responde ainda em tom de diversão e eu sorrio.
- Ela me chamou de " c***l, sádica e psicótica. " - digo passando pela porta após ela vendo o estábulo vazio.
- Mais você é tudo isso. - diz com um tom óbvio e eu reviro os olhos.
- Eu sei, mas você não viu a expressão no rosto dela, você não viu como ela tava me olhando. - digo e Petra para de andar e se vira me olhando com curiosidade. - Não temos chances de dar certo. - completo sincera e ela arqueia levemente uma sobrancelha em resposta.
- Quando foi que você perdeu o controle e ficou tão irracional e distraída ? - pergunta franzindo o cenho. - Você tá me assustando com essa atitude de adolescente apaixonada que não sabe de nada da vida e então surta por qualquer besteira. - continua me olhando. - Você já sabia que seria assim quando ela descobrisse esse seu lado, não sabia ? - questiona e eu assinto. - Então não tem porque ficar assim, eu sei que deve ter sido bem r**m ver a reação dela, mas você tem que entender que isso tudo é novo para ela e que por mais compreensiva que ela seja, esse seu lado vai contra tudo que ela acredita e ela vai precisar de um tempo para lidar com isso, porque no final o que importa é o que uma sente pela outra. - completa e eu suspiro.
- Meu passado é abominável para ela. - digo sorrindo de canto. - Talvez o que a gente sinta não seja forte o suficiente para superar diferenças tão gritantes assim. - completo tranquila e ela arqueia uma sobrancelha me olhando com sarcasmo.
- Tá de brincadeira né ? - questiona e eu n**o. - Você tentou me m***r várias vezes durante meu primeiro mês aqui e olha só pra gente agora. - diz e eu sorrio ao me lembrar disso pronta para bancar a sonsa, mas ela é mais rápida. - Nem vem com essa m***a de que estava só me testando e me preparando para situações reais de ataques surpresas, porque você só queria mesmo me m***r por não confiar em mim. - completa indignada e eu levanto os braços em sinal de rendição.
- Tá legal, admito que era isso mesmo. - digo e ela revira os olhos.
Ela não está errada.
Eu tentei máta-la diversas vezes sem que Mikhaela soubesse, mas ela sempre parecia esperar isso vindo de mim, então sempre conseguia se safar por pouco graças a minha querida mamãe.
Ela é esperta, respondona, sarcástica e divertida.
No fim acabei gostando da companhia dela, mesmo que eu nunca tenha dito ou demonstrado.
- Para de ficar relembrando o quanto você me infernizou e foca aqui. - diz Petra chamando minha atenção e eu a olho.
- Relembrar é muito divertido, mas o que acha da gente repetir algumas tentativas ? - questiono divertida e ela n**a.
- Nem fodendo sua vaca psicótica adorável. - responde indignada me fazendo rir.
- Quanta agressividade para uma simples sugestão de diversão entre amigas. - digo cínica e ela me mostra o dedo do meio e em seguida se vira para sair daqui e então eu vejo a oportunidade perfeita para nos divertimos.
Vou rapidamente até ela agarrando seu braço e ela me olha de canto, sorrio pronta para joga-la para trás, mas ela é esperta e agarra meu pulso e a gola da minha jaqueta me jogando por cima dela esperando que eu caia no chão feito um saco de batatas, mas eu apenas uso o impulso para dar um mortal pousando de pé a sua frente vendo ela sorrir, aproveito sua distração para lhe dar uma rasteira a vendo usar os braços para fazer uma ponte para trás evitando a queda.
- Vejo que te treinei muito bem. - digo divertida e ela sorrir.
- Treinou sim, mas além disso eu fui a primeira pessoa a poder passar um tempo com você, a primeira pessoa que se propôs a te conhecer de verdade e sei que por mais que você não diga, eu fui a sua primeira amiga, a primeira pessoa que entrou na sua vida depois da Mikhaela. - diz séria e eu sorrio de maneira contida em resposta. - Pandora, eu aceitei passar por tudo aquilo pela minha melhor amiga, mas eu tive sorte de poder passar todo aquele tempo com você e com Mikhaela, porque eu aprendi coisas que eu nunca teria aprendido se eu tivesse ficado onde estava. - continua se aproximando de mim. - E uma das coisas que eu aprendi aqui com vocês foi que, você não é só c***l, sádica e psicótica, você é bem mais que isso e que como qualquer outra pessoa você tem seu lado bom e r**m. - diz tocando meu rosto e me olhando nos olhos. - Tudo bem que seu lado r**m é muito aflorado, mas você não podia ser totalmente perfeita né, tinha que ter alguma desvantagem pra não humilhar totalmente todo mundo. - brinca rindo e me fazendo sorrir. - Eu vi o bem em você por trás de toda essa insanidade que consome você e a Luna também vai ver, talvez ela já tenha visto, porque ela sempre foi melhor nisso do que eu, ela sempre viu o bem nas pessoas e com você não será diferente, então fica na sua, continue sendo você e deixa o tempo mostrar para ela que descobrir esse seu lado não anula todas as coisas boas que você já fez por ela e que principalmente não anula o que ela sente por você. - completa ainda sorrindo e em seguida beija minha bochecha.
Absorvo suas palavras enquanto ela segue para fora me deixando sozinha, sorrio a olhando por cima do ombro e por um instante ela parece sentir que está sendo observada e vira o rosto me olhando, ao notar que estou a observando ela sorrir e pisca um olho antes de sair do meu campo de visão me fazendo negar com a cabeça.
Essa garota é maluca, mas eu gosto dela.
E ela tem razão, ela foi a primeira pessoa que eu permiti ter uma aproximação comigo.
Ela foi minha primeira amiga, na verdade a melhor amiga.
Ela aceitou meu passado abominável e viu algo em mim que eu mesma não consigo ver, mas as vezes eu gostaria de poder ver as coisas através de seus olhos.
Assim eu a entenderia cem por cento.
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Enquanto caminha pela enorme propriedade distraída demais para notar que não era a única a fazer isso, Petra se assusta ao receber um aperto na cintura vindo de James e acaba socando o garoto que cai no chão com as mãos cobrindo o rosto.
- James ? - questiona incrédula vendo ele assentir com a cabeça.
- Sim, mas agora eu sou o nocauteado James. - responde tentando fazer graça, mas a careta de dor em seu rosto e o sangue escapando entre seus dedos fazem Petra arregalar os olhos pensando que pode ter desfigurado o garoto.
- p**a m***a ! - exclama indo ajudar o garoto a se levantar sem se importar em sujar suas mãos com o sangue dele. - Me desculpa, eu não queria te machucar, mas você me assustou e eu reagi por impulso, m***a, eu sinto muito. - pede preocupada e o garoto rir.
- Relaxa, tá tudo bem e eu fico feliz de ser a sua cobaia em um teste não combinado do quanto você é forte e pode se defender sozinha de caras babacas. - diz divertido já de pé afastando as mãos do rosto para que a garota possa ver seu rosto. - Vou ficar com uma cicatriz legal, mas medonha ? - pergunta e Petra assente.
- Você vai ficar h******l. - responde notando que o nariz do garoto está estranho, provavelmente fraturado. - Acho que quebrei seu nariz. - diz nervosa tirando sua blusa ficando apenas com um top e o garoto não consegue evitar olhar para seu corpo e ao notar isso ela arqueia uma sobrancelha e cruza os braços o olhando com uma expressão de diversão e ele sorrir levantando os braços em sinal de rendição.
- Você tem um belo corpo, na verdade você é toda linda, legal e divertida. - diz coçando a nuca nervoso com o olhar da garota sobre sí. - Me desculpa, eu não queria ter... - Petra coloca a blusa sobre sua boca e nariz o impedindo de terminar.
- Você fala demais quando fica nervosinho, então é melhor ficar caladinho fofinho. - diz divertida pressionando o tecido contra o nariz do garoto para parar o sangramento. - E tudo bem olhar, eu sei que sou gostosa. - brinca e o garoto sorrir assentindo em concordância. - Vem, vou te levar pra Mikhaela, ela vai saber como resolver isso sem que você precise ir para um hospital. - completa e o garoto suspira um pouco sufocado colocando sua mão sobre a da garota.
- Obrigada. - agradece e ela sorrir.
- Por quebrar seu nariz ? - questiona divertida e ele rir fazendo uma careta de dor em seguida. - Porque estava andando sozinho por aí ? - pergunta curiosa.
- Porque você estava andando sozinha por aí ? - pergunta divertido e ela revira os olhos.
- Você tá passando tempo demais com a Pandora. - diz e ele sorrir dando de ombros antes de respondê-la.
- Pra ser sincero, eu estava te procurando. - diz e em resposta ela franze o cenho confusa caminhando ao seu lado.
- Para ? - questiona ainda mais curiosa do que antes.
- Queria sua ajuda pra uma coisa. - responde e ao vê-la arquear uma sobrancelha e com uma expressão desconfiada ele sorrir. - Não é nada p********o eu juro. - diz achando engraçado a reação dela.
- Claro que não é, você é bonzinho demais para fazer coisas assim. - diz sarcástica para provoca-lo e ao ver a expressão indignada dele, ela sorrir vitoriosa.
- Ei, eu posso ser p********o se eu quiser tá. - diz indignado fazendo ela rir. - Ei, eu não sou tão bonzinho assim, eu posso ser bem malvado dependendo da ocasião. - completa sendo totalmente ignorado pela garota.
- Tá, vou fingir que acredito em você, menino de ouro. - diz debochada caminhando tranquila deixando o garoto para trás que a observa caminhando mais a frente e em um surto instantâneo ele corre atrás dela, agarra seu braço a fazendo parar e em seguida a puxa contra seu peito a deixando surpresa.
- A gente vai até Mikhaela pra ela concertar meu nariz e depois eu vou te mostrar que eu posso ser bem malvado. - diz sério olhando nos olhos dela que assente engolindo seco.
- Tá legal, me mostre do que é capaz. - sussurra e isso atraí a atenção dele para seus lábios.
- Eu vou te mostrar. - diz baixo tocando seu rosto e ao sentir seu toque ela se afasta dele totalmente desconcertada.
- Vamos lá, porque quem fala demais não cumpre o que promete. - diz desafiadora e em seguida volta a andar na frente enquanto o garoto volta a observa-la de longe mordendo o lábio inferior com força tentando conter os ânimos.
Pensando no quanto foi irracional por um momento ao quase beija-la, isso estragaria tudo, pois para ele Petra está em um nível que ele não pode alcançar, a garota é areia demais para seu caminhãozinho e ele não a via dessa maneira e para ele estava claro que ela também não o vê dessa maneira, com esses pensamentos ele respira fundo e em seguida corre atrás da garota. Enquanto isso Luna está surtando a quase uma hora sobre o olhar de Kai que tenta conter a vontade de rir ao ver sua prima quase arrancando os cabelos.
- Ela é insana, Kai. - diz a garota andando de um lado para o outro.
- Pelo que eu soube insanidade faz parte da vida dela desde que ela era só uma criança, então faz sentido. - diz o garoto e Luna para de andar e o encara com uma expressão que a faz parecer uma louca. - Meu Deus, que olhar de maluca é esse ? - questiona divertido rindo e a garota grunhe irritada.
- Isso não tem graça. - diz tentando conter sua irritação. - A Pandora não é o que eu pensava, eu sabia que ela não era e que ela estava disposta a fazer o que fosse preciso, mas eu não imaginei que ela seria tão... - não consegue completar.
- Tão serial killer. - diz Kai completando sua frase e ela assente.
- Eu estava pronta para tentar passar por cima disso, mas ao ouvi-la falar sobre o que fez com Johnathan e saber que ela nem sequer se arrepende foi demais pra mim. - diz se sentando na cama ao lado de seu primo que a olha. - O pior é que eu tô apaixonada por ela e meu coração quer que eu ignore tudo isso e corra pra ela, mas minha mente grita que isso é loucura demais e que eu não devo aceitar isso porque vai contra tudo que acredito, então eu tô surtando por não saber como seguir a partir daqui. - completa secando algumas lágrimas teimosas.
- Então você acha que é r**m estar apaixonada por ela ? - questiona Kai e ela suspira.
- Eu não sei, quer dizer, ela sempre foi incrível e fez tanto por mim que seria impossível eu não me apaixonar por ela e a gente tem uma ligação, então não acho que isso seja r**m, mas essa parte dela que eu não conheço é r**m para mim, porque vai contra meus conceitos. - responde tentando não se perder em seus próprios pensamentos.
- Eu vou ser sincero com você, eu não acho bonito e nem normal esse lado dela que a gente nem fazia idéia que existia, na verdade eu nem concordo com isso de sair matando geral, mas ela tem seus motivos e teve uma vida diferente da nossa, então não dá pra determinar as coisas com base no passado dela. - diz pensativo e em seguida olha nos olhos verdes da prima. - Ela não é só essa parte c***l, só porque agora sabemos sobre ela, pra mim ela continua sendo aquela garota misteriosa, irritante em algumas ocasiões, que não fala muito e que acima de qualquer coisa é caidinha por você, então não acho que isso tenha mudado pra você também, mas você está com medo do que vem a seguir depois de conhecê-la por inteira, está com medo de que ela no fim ache que você não é a pessoa certa para ela por serem diferentes, por acreditarem em coisas diferentes. - faz uma pausa agarrando os ombros da prima. - Não tem nada haver com aceita-la, mas sim sobre você está morrendo de medo lá no fundo de que ela deixe de te querer, mas a verdade e que agir assim não vai ajudar em nada, na verdade se ficar aqui parada a ignorando vai correr um grande risco de perde-la de verdade. - completa e a garota engole seco.
- Eu preciso de um tempo pra pensar sobre tudo isso, para entender o geral da situação e lidar com meus sentimentos antes de qualquer coisa. - diz e ele assente.
- E você terá, mas diga isso a ela, acho que ela merece saber que você não a abomina, porque aposto que ela deve estar pensando isso agora depois de ter sido chamada de c***l, sádica e psicótica pela garota que ela gosta. - diz e a garota arregala os olhos.
- m***a ! - exclama tomando consciência de que sua reação possa talvez ter sido exagerada, afinal ela pediu pela verdade, pediu para conhecê-la e no fim a rejeitou. - Eu vou falar com ela. - diz determinada se levantando da cama e Kai levanta os polegares de forma encorajadora para ela que respira fundo antes de seguir para fora do quarto.
Ela pensa em como iniciar uma conversa com a loira depois de tudo isso, seu lado racional dizendo o tempo todo que ela tem que agir com cautela para não falar coisas que possam aborrecer a garota.
Ou que a façam pensar que ela a abomina.
Mais será que por um momento ela não abominou a garota ?
_________________ Continua ________________