- Por favor, onde ele está? Disse a mulher com voz de menina.
- Venha comigo. Carlos disse enquanto caminhava para fora do quarto.
Eles caminharam juntos enquanto Carlos aproveitava o doce aroma que exalava do corpo que ele tanto desejava.
Então chegaram à lanchonete privada do hospital, Sara ficou confusa, mas não questionou.
Carlos pediu dois cafés, um bolo de morango, ele sabia que era o sabor preferido da menina e sentou-se elegantemente em uma poltrona.
Sara ficou inquieta e disse com a voz ansiosa:
- O que estamos fazendo aqui?
Carlos respondeu de forma indiferente.
- Estamos tomando um café e eu até pedi o seu bolo favorito.
Para o inferno com o bolo, Carlos! eu preciso ver... Sara se deu conta de que não sabia nada do homem que ansiava ver. Ela não sabia o nome, a idade, a origem, absolutamente nada!
Carlos achou graça da confusão que se estampou no rosto da menina, mas deixou que os seus lábios permanecessem indiferentes e tentou acalmá-la.
- Foi por isso que te trouxe aqui. Precisamos conversar sobre o que aconteceu e como se envolveu tanto nessa história. O homem que você nos trouxe foi atropelado, mas antes ele havia sido drogado.
Sara não conseguia entender o porquê precisava conversar sobre esse assunto, afinal ela apenas socorreu alguém, havia milhares de testemunhas no local, mas uma palavra ficou ecoando na sua mente.
Drogado... alguém havia tirado a capacidade de reação daquele homem e por isso ele sofreu aquele acidente. Quem poderia fazer algo assim com outro ser humano? Mas ela permaneceu dura nas suas decisões.
- Carlos, eu não estou aqui para discutir a vida daquele homem, e você é um cirurgião e não um detetive. A sua obrigação é salvá-lo e quem está pagando as contas médicas, sou eu, portanto, tenho direito de vê-lo. Diga-me em que quarto ele está ou me acompanhe, mas não vou tomar café com você.
Vencido ele apenas respondeu.
- Quarto 409 - ala leste
Sara saiu com os passos decididos e um sorriso nos lábios. Ela não costumava ser autoritária, mas dessa vez ela conseguiu ser forte e isso trouxe uma sensação diferente.
A porta do quarto 409 estava fechada e ela ficou ali parada por alguns instantes. Como seria ver aquele rosto novamente? Qual seria o seu nome?
Ela entrou com cuidado e se aproximou da cama hospitalar de forma lenta, mas com os olhos fixos no homem que dormia ferido sobre aquele leito frio.
O rosto angular, o cavanhaque meticulosamente bem desenhado, os cabelos negros e a musculatura proeminente davam-lhe uma aparecia majestosa. Os lábios finos pareciam secos e a respiração fraca, mas ainda assim, sua beleza era diabólica.
Sara se aproximou e com cuidado pegou uma gaze, molhou em água e passou pelos lábios do homem que instantaneamente começou a passar a língua nos lábios para aliviar a sede.
A visão era irresistivelmente sedutora e Sara ficou corada e com vergonha de pensar naquele desconhecido daquela forma.
Ela retirou a mão com cuidado, mas o homem perguntou.
- Quem é você?
Aquela voz era forte e atraente, havia um tom de frieza e poder que Sara ainda não tinha conhecido.
Ela respondeu da forma mais calma que conseguiu.
- Senhor, eu ajudei-o após o acidente, o meu pai é Diretor desse hospital então eu o trouxe aqui. Você passou por uma cirurgia e logo teremos mais informações sobre o seu estado clínico.