- Chame o médico imediatamente! Ordenou o desconhecido
Sara assentiu e saiu em busca do Dr. Carlos, ela estranhou a forma autoritária que o desconhecido havia usado, mas ela também estava ansiosa para saber mais sobre a recuperação dele e quanto tempo ainda teriam para se conhecerem.
Carlos entrou na sala sem muita cerimonia e com uma certa arrogância começou a examinar o paciente. Após alguns minutos, usando um tom indiferente e com os lábios ligeiramente curvados, o médico declarou.
- Senhor, precisamos do contato de algum familiar ou responsável. A cirurgia pôde salvar a sua vida, mas o senhor teve danos em diversas vértebras, condenando o senhor a incapacidade motora.
- Doutor, o senhor está dizendo que eu estou condenado a uma cadeira de rodas? Disse o paciente com a voz tremula, mas o rosto ainda sem nenhuma expressão de sentimento.
Carlos sentiu prazer ao responder que sim, que o seu rival no amor seria nada mais do que um vegetal daquele dia em diante. Ele conhecia Sara e sabia o quanto ela era ativa e adorava aventura, dança, montanhismo, trilhas e liberdade. Apesar da paixão estampada nos seus olhos, ela jamais se prenderia a um inválido.
Isso era o pensamento equivocado de Carlos, pois, na verdade, Sara estava completamente presa aquele desconhecido e não sairia do seu lado por nenhuma razão.
O paciente fechou os olhos e não respondeu absolutamente nada, nem sequer esboçou alguma reação. Enquanto Sara não conseguia conter as lágrimas que corriam dos seus olhos sem parar.
Não eram lágrimas de desespero, mas seu coração estava destroçado.
Carlos a chamou:
- Sara, vamos deixar o paciente descansar
Mas a menina permanecia ali ao lado da cama, imóvel, em choque, com as lágrimas teimosas que desciam dos seus olhos sem parar e o olhar fixo no rosto daquele que ela tentou salvar.