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1254 Words
A manhã começou mais cedo do que o habitual. Larissa já estava acordada antes do despertador tocar. Não por ansiedade. Mas por necessidade. Havia demasiado em jogo para permitir distrações. --- A luz suave da manhã entrava pelas cortinas, desenhando linhas delicadas no quarto. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante da cidade a despertar lentamente. Ela sentou-se na cama, ainda imóvel por alguns segundos. Respirou fundo. Hoje não era um dia comum, na verdade desde que recebeu esse caso seus dias não são mais comuns. Era o dia em que o caso deixaria de ser apenas um conflito… e passaria a ser um processo formal. Uma petição. Um passo sem retorno. O inicio ou fim de uma guerra. --- No espelho, alguns minutos depois, Larissa já não era a mulher da noite anterior. O cabelo preso com elegância. A maquiagem precisa, sem excessos. O blazer perfeitamente ajustado ao corpo, combinado com o vestido justo e A postura alinhada. --- Profissional. Intocável. --- Mas por dentro… Não completamente. --- O escritório ainda estava silencioso quando ela chegou. Poucos funcionários. Algumas luzes acesas. O ambiente típico de quem começa antes dos outros. --- Larissa dirigiu-se diretamente à sua sala. Colocou a pasta sobre a mesa. Sentou-se. E abriu o documento em branco. --- Petição inicial de divórcio litigioso. As palavras pareciam simples. Mas carregavam peso. Consequências. Rupturas. --- Ela começou a escrever. Cada frase estruturada com precisão. Cada argumento alinhado com estratégia. --- Mas havia uma parte… Que não podia ser construída sem ele. --- Prova de culpa. --- Ela parou. Os dedos suspensos sobre o teclado. --- Em direito, aquilo era claro. O cônjuge culpado pela dissolução do casamento não podia, em certos contextos, beneficiar-se da sua própria falta. E se Zayn tivesse traído… Isso mudava tudo. --- Ela fechou o documento. Pegou no telefone. E ligou. --- — Larissa. Ele atendeu rapidamente. Como se estivesse à espera. --- — Precisamos de nos encontrar — disse ela, direta. — Sobre o processo? — Sim. Há informações que preciso confirmar antes de avançar. Um breve silêncio. --- — Onde? — Venha até ao escritório. — Chego em trinta minutos. --- E desligou. --- Larissa pousou o telefone lentamente. E por um instante… Sentiu o peso do que estava prestes a perguntar. --- Não era apenas jurídico. Era… pessoal. --- Trinta minutos passaram rápido demais. --- Quando a porta abriu, ela já estava sentada, com os documentos organizados e a expressão controlada. --- Zayn entrou. Como sempre. Impecável. Mas hoje… Mais sério, talvez preocupado --- — Dra. Larissa. — Senhor Castellari. _Sente-se, por favor! Ele sentou-se à frente dela, sem rodeios. — O que precisas?Minha esposa fez alguma coisa? --- Larissa respirou fundo. E decidiu ser direta. --- — Preciso de saber algo e peço total sinceridade, pois isso é fundamental para o processo. Ele não desviou o olhar. — Pergunte. --- Um breve silêncio. --- — Já traiu a sua esposa? --- A pergunta ficou no ar. Pesada. Sem suavização. Sem rodeios. --- Zayn não respondeu imediatamente. Recuou ligeiramente na cadeira. Passou a mão pelo maxilar. --- E então, disse… — Sim. --- Simples. Direto. Sem tentativa de negar. --- Larissa manteve a expressão neutra. Mas anotou. — Quantas vezes? --- Ele soltou um pequeno suspiro. — Algumas vezes. --- Silêncio. --- — Ela sabe? — Não. --- Larissa levantou ligeiramente o olhar. — Nunca suspeitou? --- Ele inclinou a cabeça. Pensativo. — Talvez. Pausa. — Mas nunca conseguiu provar. --- Aquilo era importante. Muito importante. --- — Isso muda o enquadramento jurídico — disse Larissa, voltando ao tom técnico. — Em determinadas situações, o cônjuge culpado pode ser prejudicado no processo, neste caso não pode pedir o divórcio. --- — E acha que isso vai acontecer? --- Ela pensou por um instante. — Não, se não houver prova. --- Zayn assentiu. Sem surpresa e gostando do raciocínio da Dra. --- — E não há. A forma como ele disse… Era segura. --- Larissa anotou. Mas não comentou. --- Houve um breve silêncio. --- E então… Ela decidiu avançar. --- — E quanto à sua esposa? --- Ele ergueu ligeiramente as sobrancelhas. — O que tem? --- — Ela já o traiu ? --- Zayn soltou um pequeno riso. Curto. Sem humor. --- — Duvido. --- Larissa franziu ligeiramente o cenho. — Tem certeza? --- Ele recostou-se na cadeira. O olhar perdeu-se por um segundo. --- — A minha esposa… Ele fez uma pausa. Escolhendo as palavras certas. --- — Provavelmente é assexuada. --- O silêncio caiu novamente. --- Larissa não reagiu de imediato. Mas algo… Algo dentro dela mudou. --- Uma sensação inesperada. Súbita. --- Alívio. Vontade de perguntar se eles já não mantém relações sexuais a anos, de perguntar se Lindsay não sabe o que é ser tocada por aquele homem há muito tempo. E saber disso, a confortaria pois tudo o que ela queria era sentir Zayn e saber que ele não toca a esposa há bastante tempo só aumentava esse fogo em sua calcinha. --- Ela desviou o olhar rapidamente para os documentos, como se aquilo não tivesse significado nada. Mas tinha. --- Porque aquela informação… Reconfigurava tudo. --- Não era apenas um casamento falhado. Era um casamento… vazio. Sem sexo --- E esse pensamento… Era perigoso. --- — Isso é relevante apenas no contexto pessoal — disse ela, retomando o profissionalismo. — Juridicamente, não altera muito. --- — Mas explica muita coisa. A resposta dele veio calma. --- Larissa não comentou. --- Porque, no fundo… Ela sabia. --- O silêncio que se instalou depois foi diferente. Menos técnico. Mais… humano. --- — Com essas informações, posso estruturar a petição — disse ela, fechando a pasta. — Quando estará pronta? — Ainda hoje. — Rápido. --- Ela ergueu ligeiramente o olhar. — É o meu trabalho. --- Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. Quase imperceptível. --- Eles levantaram-se. Quase ao mesmo tempo. --- E foi então… Que aconteceu. --- Sem planeamento. Sem intenção. --- As mãos tocaram-se. --- Zayn segurou a mão dela. Levemente. Mas o suficiente. --- O tempo pareceu parar. --- Larissa sentiu. O calor. A firmeza. A presença. --- O corpo reagiu antes da mente. --- O coração acelerou. A respiração falhou por um segundo. --- E, pela primeira vez… Ela não conseguiu controlar imediatamente. --- Os olhos levantaram-se. Encontraram os dele. E havia algo ali. Claro. Inegável. --- Ela puxou a mão. Rápido. Como se tivesse sido queimada, se só um toque leve desses a deixa assim nem imagina o que aqueles lábios carnudos e chamativos fariam. Meu Deus !!! _ seus próprios pensamentos a assustavam --- — Isto não pode acontecer. A voz saiu baixa. Mas firme. --- Zayn não respondeu imediatamente. Mas também não recuou completamente. --- — Não percebi_ disse ele fingindo que não entendeu nada --- Mas ambos sabiam… O que tinha acontecido --- Larissa respirou fundo. Recompôs-se. --- — Vou preparar a petição. Voltou ao tom profissional. --- Ele assentiu. — Estarei disponível, qualquer coisa é só ligar. A última parte ele falou num tom profissional, mas Larissa simplesmente ignorou. Ela não respondeu. Apenas o acompanhou até saida Mas antes de sair… Parou por alguns segundos, enquanto olhava para ela .. E então… Saiu. E então ela voltou para a sua mesa, e sentou- se aliviada , agora sentia o ar condicionado funcionando. Na presença de Zayn tudo parecia pequeno demais, o calor sempre aumentava . Péssimo , isso é péssimo para a carreira que Larissa pretende construir.
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