A manhã começou mais cedo do que o habitual.
Larissa já estava acordada antes do despertador tocar.
Não por ansiedade.
Mas por necessidade.
Havia demasiado em jogo para permitir distrações.
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A luz suave da manhã entrava pelas cortinas, desenhando linhas delicadas no quarto. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante da cidade a despertar lentamente.
Ela sentou-se na cama, ainda imóvel por alguns segundos.
Respirou fundo.
Hoje não era um dia comum, na verdade desde que recebeu esse caso seus dias não são mais comuns.
Era o dia em que o caso deixaria de ser apenas um conflito… e passaria a ser um processo formal.
Uma petição.
Um passo sem retorno.
O inicio ou fim de uma guerra.
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No espelho, alguns minutos depois, Larissa já não era a mulher da noite anterior.
O cabelo preso com elegância.
A maquiagem precisa, sem excessos.
O blazer perfeitamente ajustado ao corpo, combinado com o vestido justo e
A postura alinhada.
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Profissional.
Intocável.
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Mas por dentro…
Não completamente.
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O escritório ainda estava silencioso quando ela chegou.
Poucos funcionários.
Algumas luzes acesas.
O ambiente típico de quem começa antes dos outros.
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Larissa dirigiu-se diretamente à sua sala.
Colocou a pasta sobre a mesa.
Sentou-se.
E abriu o documento em branco.
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Petição inicial de divórcio litigioso.
As palavras pareciam simples.
Mas carregavam peso.
Consequências.
Rupturas.
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Ela começou a escrever.
Cada frase estruturada com precisão.
Cada argumento alinhado com estratégia.
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Mas havia uma parte…
Que não podia ser construída sem ele.
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Prova de culpa.
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Ela parou.
Os dedos suspensos sobre o teclado.
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Em direito, aquilo era claro.
O cônjuge culpado pela dissolução do casamento não podia, em certos contextos, beneficiar-se da sua própria falta.
E se Zayn tivesse traído…
Isso mudava tudo.
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Ela fechou o documento.
Pegou no telefone.
E ligou.
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— Larissa.
Ele atendeu rapidamente.
Como se estivesse à espera.
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— Precisamos de nos encontrar — disse ela, direta.
— Sobre o processo?
— Sim. Há informações que preciso confirmar antes de avançar.
Um breve silêncio.
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— Onde?
— Venha até ao escritório.
— Chego em trinta minutos.
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E desligou.
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Larissa pousou o telefone lentamente.
E por um instante…
Sentiu o peso do que estava prestes a perguntar.
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Não era apenas jurídico.
Era… pessoal.
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Trinta minutos passaram rápido demais.
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Quando a porta abriu, ela já estava sentada, com os documentos organizados e a expressão controlada.
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Zayn entrou.
Como sempre.
Impecável.
Mas hoje…
Mais sério, talvez preocupado
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— Dra. Larissa.
— Senhor Castellari.
_Sente-se, por favor!
Ele sentou-se à frente dela, sem rodeios.
— O que precisas?Minha esposa fez alguma coisa?
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Larissa respirou fundo.
E decidiu ser direta.
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— Preciso de saber algo e peço total sinceridade, pois isso é fundamental para o processo.
Ele não desviou o olhar.
— Pergunte.
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Um breve silêncio.
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— Já traiu a sua esposa?
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A pergunta ficou no ar.
Pesada.
Sem suavização.
Sem rodeios.
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Zayn não respondeu imediatamente.
Recuou ligeiramente na cadeira.
Passou a mão pelo maxilar.
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E então, disse…
— Sim.
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Simples.
Direto.
Sem tentativa de negar.
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Larissa manteve a expressão neutra.
Mas anotou.
— Quantas vezes?
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Ele soltou um pequeno suspiro.
— Algumas vezes.
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Silêncio.
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— Ela sabe?
— Não.
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Larissa levantou ligeiramente o olhar.
— Nunca suspeitou?
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Ele inclinou a cabeça.
Pensativo.
— Talvez.
Pausa.
— Mas nunca conseguiu provar.
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Aquilo era importante.
Muito importante.
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— Isso muda o enquadramento jurídico — disse Larissa, voltando ao tom técnico. — Em determinadas situações, o cônjuge culpado pode ser prejudicado no processo, neste caso não pode pedir o divórcio.
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— E acha que isso vai acontecer?
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Ela pensou por um instante.
— Não, se não houver prova.
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Zayn assentiu.
Sem surpresa e gostando do raciocínio da Dra.
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— E não há.
A forma como ele disse…
Era segura.
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Larissa anotou.
Mas não comentou.
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Houve um breve silêncio.
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E então…
Ela decidiu avançar.
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— E quanto à sua esposa?
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Ele ergueu ligeiramente as sobrancelhas.
— O que tem?
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— Ela já o traiu ?
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Zayn soltou um pequeno riso.
Curto.
Sem humor.
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— Duvido.
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Larissa franziu ligeiramente o cenho.
— Tem certeza?
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Ele recostou-se na cadeira.
O olhar perdeu-se por um segundo.
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— A minha esposa…
Ele fez uma pausa.
Escolhendo as palavras certas.
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— Provavelmente é assexuada.
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O silêncio caiu novamente.
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Larissa não reagiu de imediato.
Mas algo…
Algo dentro dela mudou.
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Uma sensação inesperada.
Súbita.
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Alívio.
Vontade de perguntar se eles já não mantém relações sexuais a anos, de perguntar se Lindsay não sabe o que é ser tocada por aquele homem há muito tempo.
E saber disso, a confortaria pois tudo o que ela queria era sentir Zayn e saber que ele não toca a esposa há bastante tempo só aumentava esse fogo em sua calcinha.
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Ela desviou o olhar rapidamente para os documentos, como se aquilo não tivesse significado nada.
Mas tinha.
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Porque aquela informação…
Reconfigurava tudo.
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Não era apenas um casamento falhado.
Era um casamento… vazio.
Sem sexo
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E esse pensamento…
Era perigoso.
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— Isso é relevante apenas no contexto pessoal — disse ela, retomando o profissionalismo. — Juridicamente, não altera muito.
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— Mas explica muita coisa.
A resposta dele veio calma.
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Larissa não comentou.
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Porque, no fundo…
Ela sabia.
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O silêncio que se instalou depois foi diferente.
Menos técnico.
Mais… humano.
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— Com essas informações, posso estruturar a petição — disse ela, fechando a pasta.
— Quando estará pronta?
— Ainda hoje.
— Rápido.
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Ela ergueu ligeiramente o olhar.
— É o meu trabalho.
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Um leve sorriso surgiu nos lábios dele.
Quase imperceptível.
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Eles levantaram-se.
Quase ao mesmo tempo.
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E foi então…
Que aconteceu.
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Sem planeamento.
Sem intenção.
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As mãos tocaram-se.
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Zayn segurou a mão dela.
Levemente.
Mas o suficiente.
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O tempo pareceu parar.
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Larissa sentiu.
O calor.
A firmeza.
A presença.
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O corpo reagiu antes da mente.
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O coração acelerou.
A respiração falhou por um segundo.
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E, pela primeira vez…
Ela não conseguiu controlar imediatamente.
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Os olhos levantaram-se.
Encontraram os dele.
E havia algo ali.
Claro.
Inegável.
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Ela puxou a mão.
Rápido.
Como se tivesse sido queimada, se só um toque leve desses a deixa assim nem imagina o que aqueles lábios carnudos e chamativos fariam.
Meu Deus !!! _ seus próprios pensamentos a assustavam
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— Isto não pode acontecer.
A voz saiu baixa.
Mas firme.
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Zayn não respondeu imediatamente.
Mas também não recuou completamente.
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— Não percebi_ disse ele fingindo que não entendeu nada
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Mas ambos sabiam…
O que tinha acontecido
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Larissa respirou fundo.
Recompôs-se.
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— Vou preparar a petição.
Voltou ao tom profissional.
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Ele assentiu.
— Estarei disponível, qualquer coisa é só ligar.
A última parte ele falou num tom profissional, mas Larissa simplesmente ignorou.
Ela não respondeu.
Apenas o acompanhou até saida
Mas antes de sair…
Parou por alguns segundos, enquanto olhava para ela ..
E então…
Saiu.
E então ela voltou para a sua mesa, e sentou- se aliviada , agora sentia o ar condicionado funcionando. Na presença de Zayn tudo parecia pequeno demais, o calor sempre aumentava .
Péssimo , isso é péssimo para a carreira que Larissa pretende construir.