Perfeito, Akisha — agora entramos naquela fase perigosa e deliciosa da história: tensão crescente, controlo a falhar… mas ainda sem ultrapassar totalmente a linha.
Vou escrever um capítulo longo, intenso, com ambiente luxuoso, tensão psicológica e um quase beijo carregado, mantendo tudo elegante e envolvente.
---
📖 Capítulo 4 — Limites Invisíveis
O prédio erguia-se diante dela como um símbolo silencioso de poder.
Vidro. Aço. Linhas perfeitas.
Iluminado contra o céu noturno, parecia menos um edifício… e mais uma afirmação.
Larissa parou por um instante antes de entrar.
Observou.
A fachada refletia as luzes da cidade, criando um jogo de brilhos que tornava tudo ainda mais imponente. A entrada principal era marcada por portas automáticas amplas, ladeadas por colunas discretas e iluminação indireta — o tipo de detalhe que não gritava luxo, mas o deixava evidente para quem sabia reconhecer.
Ela respirou fundo.
— É só uma reunião.
Mas o corpo não reagia como se fosse “só” isso.
Havia uma tensão leve percorrendo-lhe a pele. Não medo. Não exatamente.
Antecipação.
Ela ajustou o vestido com um gesto quase automático e caminhou para dentro.
---
O interior era ainda mais impressionante.
O piso de mármore claro refletia a iluminação suave do teto, criando um ambiente sofisticado sem parecer exagerado. Quadros modernos decoravam as paredes — traços abstratos, cores sóbrias, obras que pareciam escolhidas para transmitir exclusividade e não apenas estética.
O aroma no ar era sutil. Amadeirado. Elegante.
Receção discreta.
Funcionários bem vestidos.
Tudo funcionava com uma precisão quase coreografada.
Larissa percebeu imediatamente:
Aquele era o tipo de lugar onde decisões milionárias eram tomadas… sem levantar a voz.
---
— Boa noite — disse o rececionista, com um sorriso profissional. — Posso ajudar?
— Tenho uma reunião com o senhor Castellari.
O nome foi suficiente.
O olhar do rececionista mudou ligeiramente.
Respeito.
Reconhecimento.
— Claro. Ele está à sua espera. Último andar.
Ela assentiu.
— Obrigada.
---
O elevador estava vazio.
As portas fecharam-se com um som suave, quase imperceptível.
E, de repente…
Silêncio.
Larissa encostou-se levemente à parede espelhada.
E ali… não havia mais distrações.
Apenas ela.
E os próprios pensamentos.
O reflexo devolveu-lhe a imagem que ela já conhecia — postura alinhada, vestido ajustado, olhar firme.
Mas o que ela sentia…
Não era tão controlado.
O coração batia um pouco mais rápido.
As mãos, ainda que discretamente, estavam mais quentes.
Ela soltou o ar devagar.
— Ridículo.
Era só um cliente.
Mas então…
Por que aquela sensação?
---
O elevador subia.
Lentamente.
Cada andar parecia alongar o tempo.
E com ele…
A expectativa.
---
Quando as portas se abriram, o ambiente mudou completamente.
O último andar era mais silencioso.
Mais reservado.
Mais… exclusivo.
O corredor era amplo, com carpete escura que abafava completamente o som dos passos. As paredes eram revestidas com painéis de madeira nobre, intercalados com obras de arte minimalistas e iluminação indireta que criava um jogo de sombras sofisticado.
Tudo ali dizia uma coisa:
Poder absoluto.
---
Ela caminhou até a porta principal.
Placa discreta.
Sem exageros.
Mas o nome estava lá.
Castellari Group
Larissa respirou fundo.
E bateu.
---
— Entre.
A voz dele veio do outro lado.
Grave.
Calma.
Mas… presente.
Ela abriu a porta.
E entrou.
---
O escritório era amplo.
Imenso.
Mas não vazio.
Cada detalhe parecia pensado.
A mesa de madeira escura, maciça, ocupava o centro do espaço, com linhas retas e acabamento impecável. Atrás dela, uma parede de vidro revelava a cidade inteira — luzes espalhadas como um mar urbano infinito.
Tapetes persas em tons neutros cobriam parcialmente o chão, adicionando textura ao ambiente. Uma estante lateral exibia livros organizados com precisão, misturados a algumas peças decorativas de valor evidente.
Quadros discretos.
Esculturas minimalistas.
Nada ali era excessivo.
Mas tudo… era caro.
---
E então…
Ele.
Zayn estava de pé, junto à janela.
Virado para a cidade.
Mas virou-se assim que ela entrou.
Os olhos dele encontraram os dela.
E por um instante…
Nada foi dito.
---
— Veio.
A voz dele quebrou o silêncio.
Larissa manteve o tom profissional.
— Marcámos uma reunião.
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele.
— Sim.
---
Ela aproximou-se.
Controlada.
Mas consciente de cada passo.
— Podemos começar?
— Claro.
Ele indicou a mesa.
— Sente-se.
---
Larissa sentou-se, abrindo a pasta com movimentos precisos.
Zayn ocupou o lugar oposto, mas não imediatamente.
Por um momento, permaneceu de pé, observando-a.
Como se estivesse a ler algo além do que estava visível.
---
— Amanhã será importante — começou Larissa, focando-se no trabalho. — Precisamos estabelecer uma postura clara desde o início.
Ele finalmente sentou-se.
— Que tipo de postura?
— Controlada. Estratégica. Sem reações impulsivas.
Ele inclinou ligeiramente a cabeça.
— Está a dizer que devo evitar conflitos?
— Estou a dizer que deve escolher quando tê-los.
Silêncio.
---
— A sua esposa vai testar limites — continuou Larissa. — Vai tentar provocar, manipular, desestabilizar.
— E o que espera que eu faça?
Ela sustentou o olhar.
— Nada.
Um breve silêncio.
— Nada… pode ser uma resposta poderosa.
---
Zayn observava-a com atenção total.
— E se ela mencionar os meus filhos?
Larissa fez uma pequena pausa.
— Vai mencionar.
Ele não desviou o olhar.
— E então?
— Mantém-se firme. Não reage emocionalmente.
— Fácil dizer.
— Necessário fazer.
---
O ambiente começou a mudar.
Sutilmente.
---
— E quanto à divisão de bens? — perguntou ele.
Larissa inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, apontando alguns documentos.
— Vamos trabalhar com base na transparência, mas com estratégia. Nem tudo precisa ser exposto de imediato.
Ele aproximou-se também.
E agora…
A distância entre eles era menor.
Muito menor.
---
— Está a sugerir jogo de poder?
A voz dele estava mais baixa.
Larissa manteve o foco.
— Estou a sugerir inteligência.
---
Silêncio.
Mas agora…
Diferente.
Mais denso.
Mais… próximo.
---
Os olhos dele não estavam mais nos documentos.
Estavam nela.
E dessa vez…
Ela percebeu.
Claramente.
---
Larissa levantou o olhar.
E encontrou o dele.
Direto.
Intenso.
Sem disfarce.
---
O ar mudou.
De novo.
---
— Senhor Castellari… — começou ela.
Mas a frase não terminou.
Porque ele não se afastou.
E ela…
Também não.
---
Por um instante…
O tempo pareceu suspenso.
---
Ela podia sentir a proximidade dele.
A presença.
O calor.
A respiração.
---
E então…
Um segundo.
Só um.
Em que tudo ficou perigosamente perto.
---
Mas Larissa recuou.
Rápido.
Quase abrupto.
Como se tivesse despertado de algo.
---
Levantou-se.
— Acho que já temos o suficiente para amanhã.
A voz saiu firme.
Mas não completamente estável.
---
Zayn permaneceu sentado por um momento.
Observando.
Sem dizer nada.
---
Ela começou a organizar os documentos.
Movimentos rápidos.
Controlados.
Mas claramente… não tão calmos quanto antes.
---
— Larissa.
A voz dele veio suave.
Mas firme.
Ela parou.
Por um segundo.
Mas não se virou.
---
— Isto não pode acontecer.
Foi ela quem disse.
Baixo.
Controlado.
Mais para si mesma do que para ele.
---
Silêncio.
---
Ela respirou fundo.
Virou-se.
— Amanhã… mantenha o foco.
Profissional.
Outra vez.
---
Zayn levantou-se lentamente.
— Sempre.
Mas o olhar dele dizia outra coisa.
---
Larissa pegou na bolsa.
Caminhou até a porta.
E antes de sair…
Parou.
Só por um instante.
Sem olhar para trás.
---
E então…
Saiu.