(Ambientação: Odessa, Ucrânia. Um apê alugado, gelado, com vista pro Mar n***o. Madrugada.)
Chegar em Odessa não foi só pousar o avião foi cair de cara num frio danado, tanto de temperatura quanto de clima pesado. A cidade é aquele porto clássico do Mar n***o, cheia de contrabando, política suja e gente que resolve tudo na bala. A Máfia Corleone mexia os pauzinhos ali de leve, por meio de acordos que meu pai segurava na marra.
Agora que ele morreu, tudo desandou. O ar tinha cheiro de sal, peixe podre e um troço metálico que dá pra sentir quando a coisa vai ficar f**a.
O apê que a Serafiny arrumou era sem graça, mas servia parede grossa, vidro blindado e uma saída de emergência escondida. Eu tava sentada numa mesa de metal dobrável, bem no meio da sala.
O pendrive do Sebastian tava ali na minha frente, pequeno, frio, parecendo inofensivo. Mas dentro daquele casco de titânio tinha o futuro da nossa família e a pista pra achar a Alice.
A Serafiny ficava me olhando com aquelas mãos cruzadas em cima do colete tático, olho azul clarinho analisando cada careta minha. A mulher tava morrendo de vontade de falar, dava pra sentir no ar.
“Íris, o Labirinto de Buda foi burrice. O Sebastian tinha que tá morto agora. Em vez disso ele te deu o Código de presente pra inimigo te rastrear, não ele”, ela soltou, voz baixa e tensa.
Eu nem levantei a cara do teclado. “Ele me deu o Código Arsénico. Isso não é coisa de traidor que quer ver a gente no buraco. É jogada dele pra me guiar.”
“O Sebastian é sedutor, Íris”, ela insistiu, voz ficando mais dura. “Passou sete anos te enrolando pra chegar no seu pai.
O amor dele é burrada estratégica. Seu pai teria mandado m***r ele no segundo que soubesse da verdade.”
Eu ignorei-a mais uma vez, inserindo o pendrive. A Executora tinha de desligar a Mãe. Eu tinha de ser puramente lógica. Não havia vírus, nem malware evidente, apenas uma pasta protegida por um código de encriptação robusto, muito além da capacidade de qualquer fação mafiosa comum. Isto foi trabalho de agentes estatais, ou de um ex-agente.
Eu respirei fundo, lembrando-me da conversa que tive com o meu pai há anos sobre a aliança com a Rússia e a velha história de chantagem. O nome de código Arsenic vinha de uma referência histórica que o meu pai gostava de citar, um veneno que não deixa rasto. Eu digitei a chave.
A pasta abriu-se.
Não era um manifesto político, nem informações sobre o sequestro da Alice ou onde o Sebastian estava escondido. Era um livro de contas secreto e codificado uma lista completa de todo o dinheiro sujo, empresas de fachada, chantagens e acordos que o meu pai tinha com os grandes chefes do crime russo e do Leste Europeu.
Nela estavam os nomes verdadeiros de todos os capos da máfia russa que trabalhavam com ele, Os pontos fracos de cada um onde guardavam o dinheiro, quem podiam ser chantageado, As localizações exatas das contas bancárias secretas no estrangeiro,
E o mais perigoso informações sobre instalações nucleares armas , materiais atómicos que o meu pai usava como seguro de vida para garantir que a Rússia nunca se metesse com a Sicília,
era o maior segredo de poder do meu pai quem tivesse aquele ficheiro podia destruir ou controlar metade do crime organizado da Europa de Leste e ainda tinha uma “bomba atómica” na manga literalmente
"Este é o seguro do Capo," expliquei a Serafiny, sentindo a frieza de um novo tipo de poder a percorrer-me. "Ele tinha a Rússia nas mãos. Este Código não é um tesouro, é uma bomba. Se fosse exposto, desestabilizaria toda a rede deles. O assassino precisa disto para limpar a sua ficha e assumir o controlo total do Leste."
Eu olhei para Serafiny, testando-a. "Serafiny. O meu pai falou-lhe do Código Arsénico?"
A sua resposta demorou um momento, os seus olhos azuis tão frios quanto o Mar n***o lá fora. "O seu pai falou-me de muitos segredos. Ele preparou-me para o colapso. Ele preparou-me para o resgate. Ele nunca me deu o nome de código. Mas eu sei o que ele representa: a paz armada."
A sua resposta era perfeita. Plausível, mas vaga. Ela podia estar a mentir, mas a sua reação não me deu margem para a acusar. A frieza dela era um escudo impenetrável.
Eu voltei-me para o ecrã, começando a varrer os dados, procurando qualquer ligação ao nome de Alice ou a Sebastian, mas o meu foco estava agora noutra coisa: a manipulação.
Se Sebastian estava a agir sob a orientação do meu pai, isso significava que o assassino era quem o estava a caçar e quem precisava de apagar as provas do envolvimento do Capo com o Leste. Alguém poderoso.
Comecei a notar um padrão nos registos uma lista de ativos russos que haviam sido liquidados nas últimas 72 horas, precisamente desde que a caçada começou. O dinheiro estava a mover-se, as contas a ser limpas.
"Eles sabem que temos o Código. E estão a limpar a mesa," eu disse, a minha voz apenas um sussurro afiado.
"Isto não é apenas a Máfia Corleone. Alguém está a usar isto para se proteger do Leste, mas também para incriminar Sebastian."
De repente, as luzes do apartamento piscaram violentamente e apagaram-se.
O gerador de emergência demorou um momento agonizante a ligar, banhando o apê numa luz amarela fraca, intermitente.
"Não foi uma falha de energia. Foi um impulso eletromagnético (EMP)," Serafiny alertou instantaneamente, o som metálico da sua arma a ser destravada ecoando no quarto.
"Eles estão a tentar anular os eletrónicos para nos forçar a sair, ou para destruir o pendrive."
O Confronto Discreto
Eu levantei-me, a adrenalina a percorrer-me as veias. O EMP. Era uma tática de agência secreta, de elite, nunca da Máfia tradicional. Isto era a prova.
"Isto não são apenas os russos," eu disse, olhando diretamente para Serafiny, forçando-a a encarar-me. "Isto está a ser orquestrado. Sebastian é uma isca, o Código é uma distração, e Alguém está a guiar-nos em cada passo. A Pessoa Que Sabe Mais, o verdadeiro cérebro, está a jogar connosco."
Serafiny manteve o meu olhar, a sua expressão inalterada, mas a sua resposta foi astuta, como uma raposa.
"Se as suas suspeitas estiverem certas, Íris, isso quer dizer que este 'Alguém' é incrivelmente poderoso," ela disse, a voz baixa, quase conspiradora.
"Alguém capaz de manipular a fação russa, de se livrar do Capo e de usar tecnologia de elite. Isso só eleva o risco.Não podemos distrair-nos com fantasmas, nem com a culpa de Sebastian."
Ela deu de ombros, profissional.
"Concentre-se no que é real. O Teatro é a única pista que temos. O assassino está a seguir-nos. Se este Alguém nos está a guiar, vamos seguir o rasto e enfrentá-lo na próxima paragem."
A sua resposta cortou a minha suspeita ao meio. Ela não negou a existência de "A Pessoa Que Sabe Mais"; ela concordou com a minha avaliação de poder, mas usou-a para me forçar a focar-me no próximo passo tático. Era brilhante.
Corremos para a janela blindada. Na doca abaixo, o grupo de mercenários de elite estava a sair do SUV preto, armados com equipamento pesado de assalto.
"Eles querem o Código de volta," eu disse, voltando-me para o ecrã para uma última varredura.
A Decisão Tática e o Isco
Enquanto Serafiny preparava a nossa defesa bloqueando a porta principal com a mesa de metal, verificando as rotas de fuga do telhado os meus olhos voltaram para o ecrã. A varredura rápida que eu tinha feito antes do ataque revelou um único nome no ledger que tinha sido recentemente modificado: Teatro de Ópera de Odessa.
"É a próxima pista de Alice. É a próxima armadilha de Sebastian," eu decidi, pegando no pendrive e guardando-o numa capa selada à prova de choque. Eu sabia que Sebastian não o teria deixado num ponto de resgate; era uma isca. Mas era o único rasto que tinha.
"Não temos tempo para confrontos na cidade," Serafiny disse, impaciente.
"Se fugirmos para o telhado, podemos entrar nos esgotos pela rampa de ventilação. Isso vai dar-nos uma hora."
"Não vamos confrontá-los. Vamos entrar. Eles querem o Código, Serafiny. Eles querem o pendrive. Eu vou dar-lhes o que eles querem," eu disse, o meu sorriso frio a surgir nos meus lábios. Eu tinha um plano. Eu não ia apenas fugir; eu ia atraí-los.
Eu retirei um pen drive vazio de uma gaveta, idêntico ao de Sebastian. Eu carreguei-o com um vírus de rastreamento de nível militar, que enviaria um sinal falso para os meus inimigos.
"Eu vou deixar isto aqui," eu disse, colocando o pendrive falso em cima da mesa. "Eles vão ver a luz intermitente e assumir que é o Código Arsénico. Vão perder tempo a decifrá-lo e a tentar apanhar-me. Enquanto isso, nós vamos para o teatro."
"É arriscado," disse Serafiny, os seus olhos fixos no pen drive falso.
"Se eles descobrirem que é uma isca antes de chegarmos ao Teatro, vão cortar todas as nossas rotas."
"É o único caminho. Não podemos lutar contra eles aqui. Mas podemos jogar com a ganância " eu respondi.
"Eles querem o controle total, eles querem o Arsénico. Vamos. Temos um espetáculo para apanhar no Teatro de Ópera de Odessa."
A porta do apê começou a vibrar violentamente. Os mercenários estavam a usar explosivos de baixo rendimento.
Os seus três minutos acabaram.
Eu agarrei no meu fuzil de assalto, o seu peso familiar e reconfortante nas minhas mãos. A Executora estava de volta, e a sua caçada tinha acabado de se tornar uma guerra no Leste.
Tínhamos de fugir, mas a fuga era apenas uma parte do plano maior. Eu tinha o Código, eu tinha o rasto de Sebastian, e eu tinha um novo alvo: A Pessoa Que Sabe Mais e a Sombra que a servia.