14: O Labirinto do Isco Vivo: Confronto em Budapeste

1045 Words
( Os túneis úmidos e escuros do Labirinto de Buda, debaixo do Castelo. Tarde.) O ar no Labirinto de Buda era frio e pesado, com cheiro de mofo e de história antiga. A escuridão era total, só cortada pela luz fraquinha da lanterna tática presa na minha Beretta. Eu vestia equipamento de combate preto, e a minha única arma era a Executora. O peso do casaco tático parecia nada comparado ao peso da expectativa que eu carregava; isso não era só um resgate era a execução de uma traição íntima. Eu tinha deixado a Serafiny lá em cima, na superfície. Era um teste, sim, mas o meu pensamento ia além da estratégia. Se ela me traísse, o desabamento do túnel seria o meu fim e o fracasso dela. Mas a verdade é que eu queria o Sebastian só pra mim. Eu precisava ver ele, enfrentar ele. O confronto era pessoal demais pra dividir com uma Sombra, cuja lealdade eu duvidava a cada respiração. A decisão de deixar ela pra trás não era só uma armadilha pro inimigo era uma necessidade da mulher que existia por baixo da Executora. Eu precisava de respostas que só a proximidade daquele ódio me podia dar. “Não há sensores de calor nesta profundidade, mas o som viaja,” sussurrei para mim mesma, avançando pelas passagens apertadas. A rede de túneis parecia infinita, um labirinto feito para confundir. O rastro estava lá, discreto: uma gota de óleo de máquina de arma, uma marca de sapato que não pertencia a turistas. Sebastian era bom em se esconder, mas estava me guiando. Ele queria este momento. Cheguei a uma câmara grande, usada antes como depósito. No centro, sentado numa caixa de madeira, estava Sebastian Castello. Ele não estava pronto para lutar, nem armado que eu pudesse ver. Usava um casaco de couro simples e o cabelo castanho estava bagunçado. O sorriso dele, no entanto, era o mesmo: sedutor e letal. “Olá, Íris,” ele disse, a voz ecoando na escuridão. “A Rainha Corleone veio sozinha. Eu esperava mais… do que a Executora.” Sebastian riu, um som sem alegria. “A Rainha nunca se suja com sangue de família, a menos que seja absolutamente necessário. Eu não vou te machucar, Íris. Eu sou o seu Isco Vivo. A isca final, o mensageiro que seu pai escolheu. Alice está segura, sendo movida. Não por mim, mas pela pessoa que você pensa que é o assassino.” A Executora não tremeu. Minha arma estava levantada e apontada para o centro do peito dele. “Onde está Alice? Você vai me dizer agora, ou eu vou terminar o serviço que eu devia ter feito em Nápoles.” Sebastian riu, um som sem alegria. “A Rainha nunca se suja com sangue de família, a menos que seja absolutamente necessário. Eu não vou te machucar, Íris. Eu sou o seu Isco Vivo. A isca final, o mensageiro que seu pai escolheu. Alice está segura, sendo movida. Não por mim, mas pela pessoa que você pensa que é o assassino.” “Você me traiu. Você usou nosso amor, nossa filha, para me arrastar de volta para o Trono. Você é o assassino,” acusei, minhas entranhas se revirando de dor e raiva. “Eu sou o seu marido, Íris. A única pessoa em quem seu pai confiaria para ter a informação final. Pense bem: seu pai não podia confiar em ninguém na Sicília. Ele precisava de um agente de fora que fosse pessoal para você,” ele argumentou, levantando-se devagar. Eu mantive a arma firme. “O nome ‘S.’ em Paris. Você ou Serafiny.” “Serafiny é a Sombra. Eu sou o Sedutor. O que é mais letal? Meu ‘S.’ era para você. Para me encontrar e obter o próximo nível. Eu não sou o assassino. O assassino está seguindo seu rastro para me calar. E agora que você me encontrou, eles sabem que o plano está ativo,” Sebastian explicou, a calma dele me irritando ainda mais. “Então, qual é o seu papel, Sebastian? Me diga a verdade, ou juro que vou descarregar essa arma e perguntar à sua alma,” ameacei, o dedo no gatilho. Ele deu um passo para perto. A Executora queria atirar; a Mulher a parou. “Meu papel era te levar a Odessa. O assassino está trabalhando com a facção do Leste, a aliança que seu pai mais temia. Eles não querem o Trono; querem o Código Arsênico.” Sebastian tirou um pequeno pen drive do casaco e jogou no chão, perto dos meus pés. “O Código Arsênico é o que seu pai usou para controlar os russos. É nosso seguro de vida. O assassino precisa dele para destruir nosso clã. Você tem que chegar a Odessa e recuperá-lo antes que eles cheguem lá. É a última pista para Alice.” De repente, a porta atrás de Sebastian desabou. Dois homens, armados e quietos, entraram. Não eram da Máfia tradicional; vestiam equipamentos táticos modernos. Eram profissionais. O assassino estava agindo rápido. “Sua escolta, Íris. Eles vieram para me resgatar. Ou para me calar,” Sebastian sorriu, virando-se para os homens. Eu não podia atirar em Sebastian. Não com aqueles homens se aproximando, e com o pen drive no chão. “Você vai fugir e eu vou te caçar até o fim do mundo!” gritei. “Eu sei. E é aí que eu quero você,” ele disse, desaparecendo na escuridão por um túnel secundário. Eu disparei uma rajada rápida para imobilizar um dos atiradores, peguei o pen drive e corri na direção oposta, deixando os túneis do Labirinto de Buda num estado de caos e fumaça. Saí do labirinto. Serafiny estava esperando. “Você falhou,” ela disse, fria. “Ele fugiu.” “Ele não fugiu. Ele me deu a próxima pista. Odessa e o ‘Código Arsênico’. E ele confirmou que o assassino está nos seguindo,” eu disse, ofegante. “Prepare o jato. Vamos para o leste. E Serafiny,” pausei, olhando para ela, “se você souber o que é o Código Arsênico, você vai me dizer agora. Porque meu marido ainda é a minha melhor chance de encontrar nossa filha.” continua....
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