Capítulo 13

1384 Words
Where is the sun? You're numb and dumb Please I need the seeds of change It’s wearing a new dream It's ripping at the seams I've come undone And there is one place left to run and that is   Never let yourself give in When you're trying to start again Put on your dreams and let’s go   I've come so far and gone so low I've fallen in decay Always try to find a way out and up to better days Are waiting for me And I will come dressed up in dreams   Never let yourself give in When you're trying to start again Put on your dreams and let’s go   I won't give up at all I want the freedom to dream the impossible I will make it real Brody Dalle – Dressed in Dreams   Você já teve aquela sensação de estar mergulhando? Ou flutuando? Eu não sei dizer. Eu apenas flutuava. Parecia algo bom...mas quando abri os olhos, via Paulo, com olhos magoados. O que ele queria de novo? - Esse filho também é meu, Laura - ele dizia - Você não tem o direito de me privar disso. Ele queria ter algum direito? Aquilo era estranho, pois eu não tinha contado nada a ele. Ainda. Talvez, nunca. - Não, não é seu. Esse filho é só meu – acabado dizendo, sem querer. Ou querendo, eu não sei. As palavras vinham a minha mente, apenas - E quero você longe de mim. Me afasto, correndo, mas quanto mais eu corro, parece que estou no mesmo lugar. Tudo é neblina, não consigo reconhecer nada. - Não pode fugir dos seus problemas, Laura - escuto Etienne dizer, mas não o vejo - Cedo ou tarde, vai precisar acordar... E acordo, me sentindo ofegante. Estou suando frio. Etienne ressonava ao meu lado e o dia estava clareando. Sinto meu enjoou matinal mais uma vez e corro para o banheiro. Etienne aparece na porta, sem nenhuma roupa. E lembro que também estou sem. Havia esquecido esse fato. Estou h******l, expelindo tudo que havia comido na noite anterior. Ele segura meus cabelos e não diz nada. Depois, me ajuda a lavar meu rosto e pulso. Me sentia tonta. - Você foi no médico, Laura? - ele pergunta, fitando meus olhos, no espelho. Olho para a pia, com as mãos apoiadas no balcão de granito. O que deveria dizer a ele? Eu não quero falar a verdade, mas não quero mentir. - Ele pediu mais exames - eu minto. Ele me puxa pela cintura, me fazendo girar. Me encara com seriedade. Sinto o contato da sua pele contra a minha. Sinto seu olhar intenso, como se pudesse ler minha mente. - Eu não acredito em você - ele diz - Quando você mente, olha para o lado. E está com as bochechas vermelhas. - Quem sabe é porque estou tendo essa visão esplendorosa pela manhã - eu provoco, olhando para ele. - Touché - ele diz, rindo - Mas, ainda não acredito em você. Por que não me conta? Ele beija meu pescoço, me prensando contra a pia. Sinto seus dedos brincando com meus cabelos e sua outra mão envolvendo minha cintura. - Etienne, assim não consigo pensar - eu sussurro. Ele ri. - Acho que não quero você pensando - ele diz em meu ouvido - Mas, também quero saber o que está acontecendo. Você é importante para mim. - Não é nada...aí assim não consigo pensar, Etienne - eu digo, afastando ele, com a mão, sobre seu peito. Ele me fita com intensidade. - Precisamos trabalhar - eu aviso - Se quer fazer o que estou pensando, vai ser mais tarde. Ele soca o ar, como se tivesse vencido algo, me fazendo rir. - Vou tornar tudo especial - ele diz, me seguindo até o quarto de vestir improvisado - Quer velas? Champanhe? Rosas? Eu dou risada. - Só quero você - eu respondo, vestindo minha roupa. Era minha marca registrada. Calça preta, camisa branca e meu vans - Não vai se vestir? - Olho para sua pele clara e cheia de sardas. Na verdade, era uma visão muito interessante. - Estava te admirando, só isso - ele diz, dando alguns passos até mim e beijando meus lábios. E passamos o dia tranquilo. Entre aspas. Porque Ana estava a mil por hora. E parecia cansada. Sento-me a minha mesa e começamos mais um dia. Millie vem para meu lado, logo em seguida. - Como foi a noite? – ela pergunta, piscando para mim – Aposto que estava com você-sabe-quem. - Como? Voldemort por acaso? – pergunto, rindo. - Esse mesmo – ela diz, rindo – Mas, e aí? Rolou? - Que espécie de pergunta é essa? – rebato, sem tirar os olhos da tela. - Hum...uma pergunta que as amigas fazem, Laura. Você é muito séria – Millie provoca – Mas, diz...ele é tão gostoso como parece ser? - Millie – digo, entredentes. - Quem é gostoso? – pergunta Mariana, se aproximando da minha mesa. Ah não, não. Tudo menos isso. Estamos dando um show no setor de Marketing. - Não é ninguém...sabe como é a Millie – eu desconverso – Todo o homem é assim para ela. - Ei, eu não acho isso. Se não parecer o Keanu Reeves, Johnny Depp ou Brad Pitt, não é – ela se defende. O que faz todo mundo cair na gargalhada no setor, até mesmo Ana, que estava concentrada. - Mas, sério, você tá saindo com alguém? E o tal de Paulo? – Mariana pergunta. Ok. Quem é Mariana, você deve estar se perguntando? Ela trabalha faz seis meses na LeBlanc. Se nós somos amigas...mais ou menos. Ela anda com a Millie e minha amiga gosta de incluir a garota na roda. Roda de bar, de violão, em lual...em tudo que envolva festa. É isso, Millie é festeira. Gosta de se divertir e quanto mais pessoas envolvidas, melhor. E se eu faço parte disso? Às vezes. E foi nessas vezes que chorei sem parar no ombro de Mariana. Pobre garota... - Ela tá viajando de novo – Millie me cutuca no ombro – Acorda Laura. - Ahn...tá o que vocês estavam falando? – eu pergunto. - Eu queria saber como você tá, só isso Laura – Mariana pergunta, com um sorriso meigo. Ela tem olhos escuros, pele morena e cabelos pretos. É muito bonita – E agora estou sabendo que está com alguém...isso é bem legal. Eu não sei, o tom dela é estranho. Mas, não dou atenção. - É...estou saindo com alguém sim – um cara que me deixa doida, é isso. Tenho raiva dele e ao mesmo tempo sinto outras coisas. Mas, isso já é bem óbvio. - Legal – ela diz, sorrindo e se afasta. Todo mundo nos olha. Ana para tudo e sorri para mim. - Que bom que está saindo com alguém, querida – ela diz – Vai apresentar pra gente? Merda! Millie eu vou m***r você. - Ahn...é que ainda não tá sério. Estou receosa ainda – desconverso. - Entendo. Mas, quando ficar sério, traz ele pro bar da Enseada  - ela diz e volta ao trabalho. Ufa...essa foi por pouco. Fulminei Millie e ela deu de ombros. - Desculpa, mas vai chegar uma hora que vocês não vão ser mais segredo – bato no seu braço – Ai, tá, eu paro de falar disso. Ela se afasta e volta ao trabalho. Agora, eu teria que trazer meu namorado para a roda. Aquilo não era bom. Teria que me esquivar ainda mais. E...estava grávida. Que maravilha! O expediente termina e desço as escadas. O elevador do primeiro andar abre e Sandro sai, junto com um dos diretores e um rapaz. Eu não dou atenção e caminho rápido. Etienne havia mandado uma mensagem dizendo que ficaria até mais tarde trabalhando, mas que me encontraria no apartamento. Fico no ponto, perto da empresa, esperando a condução. Vejo o pôr do sol. Os tons lilases, misturados com a cor salmão deixavam aquela visão ainda mais bela. No horizonte, havia também tons mais escuros de azul e despontava a lua, de cor amarelada. Tudo era inspirador, enquanto ouvia minha música... - Laura? – uma voz familiar me chamou. Olhei para frente e vi uma SUV parada, a minha frente. Dentro dela, Paulo me fitava, com curiosidade.
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