Capítulo 12

4259 Words
Eu odeio meu primo! Com todas as minhas forças. Mas, nem sempre foi assim. Nem sempre eu o odiei. Tudo começou quando eu tinha catorze anos. Nós conviviamos desde sempre. Ele tem sete anos há mais que eu. E sempre me tratou como se eu fosse uma pirralha, mas me levava para muitos lugares. E eu contei muitas coisas para ele. E bem, eu fui me apaixonando por ele e seu lado inconsequente. Ele era muito divertido e sempre que nos víamos em Bombinhas, ele me fazia participar de quase tudo. Claro que a noite, eu não poderia sair. Ele saia com algumas garotas e isso me magoava muito. Eu o vi beijar tantas, que não conseguia contar. E ele me tratava como seu fosse sua irmãzinha menor. Trocavámos mensagens, quando eu ganhei um celular. E eu ansiava sempre, por uma noticia sua. Até que um dia, quando estavamos em um lual, na praia, aconteceu algo que não esperava. Eu tinha dezesseis anos na época. E podia sair a noite, finalmente. Ele me levou na festa da praia e ficou ao lago de uma loira muito bonita. Ele beijou ela, mas o namorado dela apareceu e eles entraram em uma briga f**a. Depois, com o olhar roxo, veio para meu lado e se sentou. - Nossa, você está h******l - eu provoquei. Ele riu. - Eu sei. Passa uma cerveja para mim - ele apontou para o isopor que estava ao meu lado, na areia. Peguei uma e ele colocou na maça do seu rosto. Seus cabelos cacheados e loiros estavam mais frisados pelo mar. E eu nunca o vi tão de perto assim. Senti meu coração acelerar e a boca seca. Mas, logo lembrei da loira que ele agarrou na festa e aquilo me deixou muito magoada. E me fez pensar que eu nunca teria chance. Eu nem tinha namorado, sequer beijado alguém. E estava alimentando uma paixão platônica que nunca iria acontecer. Claudio me cutucou no ombro, me tirando dos meus pensamentos. - Ei, está tudo bem? - ele perguntou - Parece chateada. Quer que leve você pra casa? Eu neguei com a cabeça. E fiz algo que nunca faria, beber. Abri a lata de cerveja e ele ficou me olhando com surpresa. - Eu não acredito, você vai mesmo beber - ele disse, surpreso. E assoviou - Ah, essa eu quero ver. Eu tomei uma latinha, depois mais uma e mais uma. Eu não sei, mas eu me soltei naquele momento e conversei com Claudio sobre tudo. Ele me contou das suas próprias experiências com as mulheres e me deu dicas para não cair em conversa de caras como ele. Isso foi irônico, porque eu já estava apaixonada por ele. E de repente nossos olhares se encontraram. Aquilo foi estranho e ao mesmo tempo fez meu estômago revirar. E eu sentia minhas mãos trêmulas. Estava suando e não conseguia compreender porque eu estava tão nervosa. Ele aproximou seus lábios dos meus e me beijou. Era meu primeiro beijo e eu havia recebido dele. Ele tocou meu seio, de uma maneira possessiva. Não era aquilo que eu imaginava acontecer. E também não sabia como acompanhar o ritmo. Sua língua buscava a minha com avidez e eu não sabia como funcionava aquilo. Ele se separou dos meus lábios e disse: - Você é muito gostosa, Laura. Aquilo me deixou vermelha e ao mesmo tempo me senti humilhada. Eu não sei, mas me sentia um pedaço de carne. Me afastei dele e levantei da toalha que estavamos sentados. Mirei o horizonte. Estava escuro, mas eu teria que ir para casa sozinha. Eu não queria ser tocada por ele, não quando ele me tratou como um mero objeto s****l. - Ei, onde você vai? Achei que tinha gostado - ele disse, confuso. Eu o fitei com ódio. - Você só esta me usando porque não conseguiu ficar com aquela loira - eu acusei. Ele me fitou com indignação e depois com um sorriso cínico. - Está com ciúmes, prima? - ele disse, se levantando. Vejo ele passar a língua por seus lábios. E isso me deixou mais confusa. Ele segurou minha cintura, beijando meu rosto. Sinto sua respiração acelerada, igual a minha. - Não precisa ter ciúmes. Sou todo seu - ele disse, me fitando com malícia. Eu não sei, mas eu não gostava daquela versão dele. Me soltei com força e sai correndo. Tudo que eu pensava sobre ele mudava em minha cabeça. Eu achei que ele fosse gentil e romântico, mas na verdade, ele era só um canalha aproveitador. Depois daquele dia, nunca mais quis ver ele. Queria que ele sumisse da minha frente. E ele insistia em mandar mensagens, tentar falar comigo de todas as maneiras. E justamente hoje, ele me enviou uma. Eu iria sair para ir no médico, pois não estava passando bem. E ele me envia uma mensagem perguntando se poderíamos nos encontrar. Faz sete anos que isso aconteceu. Eu deveria esquecer, mas quem disse que não sou rancorosa? Eu sou sim. E até mesmo neguei fazer parte da sociedade que meu avô propôs. Ele queria que eu trabalhasse em sua editora, mas eu não quis. Isso seria ficar mais perto de Claudio e nunca, em hipótese alguma queria ficar perto dele. A editora Sales e Dias era conhecida na região sul do país. E publicava livros em vários idiomas. E o sobrenome Sales vinha do meu tio, casado com a irmã do meu pai. Meu avô sonhava desde sempre que meu pai iria cuidar dos negócios da família, levando o sobrenome dele para frente. Mas, meu pai optou por viajar, desbravar o mundo e voltar com sua namorada grávida para casa. E isso enfureceu meu avô. Ele fez meu pai casar com minha mãe e eu pai começou a exercer seu diploma de dentista. E minha mãe fez um concurso publico para ser professora de artes. Não era a vida que eles queriam, mas pelo menos estavam juntos e felizes. E disseram que eu fui a benção para eles. Pelo menos isso. Eu ficava pensando quando era pequena se eu não fui o empecilho para meu pai ser livre, mas ele sempre me dizia que eu era sua joia rara. E isso me comovia muito. Não era diferente o discurso da minha mãe. Eu tinha uma família ótima, exceto por meu primo. E até mesmo meu avô, sendo chato e insuportavelmente puritano, era legal comigo. E minha avó, que Deus a tenha, sempre me dava doces e bolos. Ela era gentil. Apenas muito religiosa. Me forçou a ir na catequese e me batizar. Meu pai ficou irado com isso, mas não havia jeito. Era o que minha avó queria. E no fim, eu decidi apenas agradar minha avó, mas se eu gostava de ir a igreja, isso não. Era chato e eu dormia nos cultos. E comecei a escapulir sempre que precisava ir. Claudio fazia isso comigo e era por isso que nós éramos tão amigos. E éramos, não seríamos nunca mais. Mensagem de Cláudio i****a: Oi prima, eu sei que você viu minha mensagem anterior. Só queria saber como está. Como está o tio, eu queria passar ai ver vocês. Se você não quiser me m***r. Você continua muito gata. Eu vi suas fotos no face. Responde, para que eu possa encontrar você. Estou em Enseada. É, eu não iria responder, nunca. Deletei a mensagem e respirei fundo. Millie me olhava, da sua mesa, com curiosidade. Ela puxou sua cadeira de rodinhas para perto da minha. - Que cara é esse? - perguntou. - Cara de quem recebeu mensagem do i****a do meu primo - eu murmurei para ela. Não queria que ninguém do setor soubesse dos meus problemas familiares. - Ah, aquele tal de Claudio? - ela perguntou - Ele é um gato. - Um gato e um mulherengo - eu retruquei - Ele não vale nada. Ela deu de ombros. - O que ele queria? - perguntou. - Queria me ver. E eu não vou ver ele não - eu respondi. - Ué, mas ele é da sua família. Deveria ver ele, Laura - ela aconselhou. - Não depois do beijo que ele me deu, Millie. Eu já expliquei isso - ela riu de mim. - Sério isso? Isso faz anos, Laura. Esqueci disso - ela falou - E com certeza ele não vai fazer de novo. - Não sei, vai que ele tenta me agarrar - eu ironizo. Ela apenas riu e voltou para seu lugar. O restante do trabalho foi tenso. Eu recebi mais duas mensagens dele. Mas, apaguei todos. Até que deu a hora de ir embora. Eu desci as escadas correndo, pois queria ir logo pegar meu táxi e ir no médico. Eu não estava nada bem. Havia vomitado o almoço mais uma vez e Etienne me encheu de perguntas. E eu não tinha resposta para aquilo. Até que vi meu primo, parado no saguão. Eu dei alguns passos para trás, tendo despistar. Quem passou o endereço do meu trabalho para aquele t****o? Só que não deu para fugir. Ele se virou na hora e me viu. Seu sorriso foi sincero, mas eu sabia que ele estava se passando de bom moço. Ele se aproximou, com seu terno elegante e seus cabelos cacheados, arrumados, o deixando com uma aparência angelical. Mas, de anjo ele não tinha nada. Era o demonio em pessoa. - Prima, que bom que eu encontrei você - ele disse, com certa ironia. Eu revirei os olhos, tentando passar por ele, mas como sempre, ele tinha que me provocar. Segurou meu cotovelo, me fazendo parar. Olhei para a recepção e nem o porteiro estava. Mas que inferno! - O que você quer, Claudio? - perguntei, rispida. - Apenas ver você, Laura. Que m*l humorada - ele respondeu, nervoso - Por que insiste em me ignorar? - Por que você é um i****a. Você vive me mandando mensagem, com conotação dúbia - eu acusei. Ele riu e ainda não havia soltado meu cotovelo. - O que posso fazer, Laura? Você está cada dia mais linda - ele disse, cinico - E eu queria nossa amizade de volta. Eu o fulminei com o olhar. - Nunca. Jamais. Eu não quero ver você, Claudio - eu recusei, me soltando - E como achou meu endereço? - Sua mãe me passou - ele disse, sem expressar qualquer emoção - Sinto muito por seu pai. Se precisar de algo, você sabe que pode contar comigo e com meu pai. - Com você eu não quero contar, Claudio. Com meu tio, com certeza. Eu dei as costas para ele, mas ouvi seus passos. Com certeza estava usando seus sapatos caros. A família Sales tinha outros negócios além da editora. Exportavam produtos para o mundo todo. E meu primo era formado em comércio exterior. Então, para ele sempre importou estar bem vestido e ter uma relação boa com seus clientes. E um carro. O carro era super importante para Claudio. - Poxa, Laura. Isso faz anos, por que não consegue esquecer? - ele perguntou, ao meu lado. - Porque, por acaso, você foi um porco comigo? - eu provoquei. Ele riu. - Meu Deus, garota. Eu apenas falei que você era gostosa - ele frisou, com ar zombeteiro. Ainda bem que estavamos do lado de fora da empresa. Porque eu iria socar a cara dele. Me virei e lancei um olhar mortal para ele. - Nunca mais me chame assim, ouviu? - eu disse, com um olhar mortal. Ele me fitou, dando de ombros. Seu olhar continuava malicioso. - Laura, Laura. Não precisa ser hostil - ele disse, com um sorriso - Eu gosto de você. Lembra como éramos amigos? Não respondi, pois Millie vinha em nossa direção. - Oi - ela disse, jogando seus cabelos negros para trás. Era óbvio que ela estava flertando com meu primo. Pobre Millie. - Olá - ele disse, observando ela. Aposto que estava babando. - Você é o primo da Laura? - ela perguntou, estendendo a mão - Prazer, sou Camilla. - Muito prazer, Camilla - ele disse, apertando sua mão, sem desviar o olhar.Eu não fiquei para ouvir a conversa deles, o meu táxi havia parado do lado da calçada. - Millie, estou indo - eu disse, sem olhar para trás. - Espera, vou com você - ela pediu - Até mais, Claudio. - Até, Camilla - ele disse, com a voz rouca. *** - É, Laura, tenho uma ótima notícia para você – o médico disse. Era doutor Ulisses, que sempre me atendia, para qualquer coisa. Era o médico da família – Você está grávida. Meus parabéns. Espera, o quê? - Não pode ser, doutor – eu digo, mordendo os lábios. Doutor Ulisses me fitou com seus olhos castanhos, sem entender. - Bem, você está com náuseas há dias, Laura. E pelos exames que você fez na semana passada, está com oito semanas de gestação – ele explica – O pai da criança não sabe? É por isso que está nervosa, querida? Eu queria socar algo. O doutor era gentil, só queria me ajudar...mas eu queria morrer naquele momento. Millie me abraçou pelo ombro. - É uma longa história, doutor – Millie disse, pois eu estava sem palavras – Mas, vamos resolver, né, Laura? - Bem, espero que não faça nada que lhe coloque em risco – o doutor disse, com severidade – Uma vida é muito importante. - Tá bom, doutor – Millie disse, revirando os olhos. - Obrigada, doutor Ulisses – eu digo, respirando fundo – Nós já vamos. - Claro, Laura. Não se esqueça do pré-natal. Tem que se cuidar e nada de bebidas alcoólicas – ele aconselha. É, eu fiz m***a. Bebi aquelas semanas, vinho. Não era nada bom. E não sabia o que fazer, estava desnorteada. Paulo era o pai...mas como isso? Eu usei camisinha... - Amiga, se você quiser...sei lá, abortar – Millie disse – Eu só estou dando uma ideia... - Para de dizer besteira, Camilla – eu repreendo – Eu não vou fazer essa loucura. - Bem...é que o pai é o Paulo...duvido que vá cuidar dessa criança – Millie disse, amarga – E os homens são uns desgraçados. Fazem filho e não assumem. Tenho ódio... Nós caminhos pela calçada. Vejo as pessoas irem e virem. O céu está azul, sem nuvens. Parece convidativo, mas eu não estou no meu melhor. Estou péssima. Meu pai vai morrer e eu não sei se vai dar tempo de ele ver seu neto. Paulo com certeza não vai assumir nada...e bem, eu não quero ele por perto. O que me preocupa é Etienne. Gosto tanto dele. - Amiga, nem todos são assim – eu digo – Meu pai é bom, Etienne é bom... - Casos raros, meu bem – Millie diz, ácida – Meu pai nunca me assumiu...e o maldito do Bernardo... - O que? O que tem seu ex? – pergunto. Até hoje, não sei o motivo de eles terem terminado. Simplesmente, ela disse que havia acabado. - Quer a verdade, Laura? – ela pergunta. Eu assinto. Seu olhar é duro e frio. Nunca vi Millie daquele jeito – Eu estava grávida... - O quê? Mas, por que você não me contou? – agora realmente estou magoada. - Desculpa...é que eu fiz algo...que você não vai gostar – ela explica. - Só fala. - Bem, eu falei para o Bernardo que estava e ele jogou na minha cara que o filho era de outro e sumiu. Não atendia as ligações, não falava comigo...queria m***r ele...e bem, eu não queria ter o filho sozinha e fiz o aborto. Como era de poucas semanas, não foi difícil. Mas, fiquei com tanta cólica... Eu fiquei sem reação. Como ela pode fazer isso? - Millie, eu não vou julgar você – eu digo, lentamente – Mas, não deveria ter feito isso...é errado... - Eu não sei se é, Laura – ela diz, em tom de desespero – Eu só não queria que a criança fosse infeliz, entende? Eu fui criada sozinha, pela minha mãe. Passamos dificuldades, fome. Tudo que você pode imaginar. E você sabe que foi barra. Seu pai foi o mais próximo que tive de uma figura paterna, Laura...eu não queria que meu filho sofresse...eu não sei... Eu abraço Millie, com carinho. Ela não chorava, mas sentia a sua dor. E então compreendi algo, que ouvi uma vez: “Quando se é adulto, às vezes não é possível chorar. Às vezes, é preciso engolir a dor e seguir adiante”. E era isso que Millie fazia, apenas sorria e continuava a viver. No dia seguinte, fui para LeBlanc e tentei animar Millie, de todas as maneiras possíveis. Mas, ela estava muito sombria. E o trabalho foi mais tenso ainda. Ana estava estressada e queria que a equipe rendesse. Algo havia acontecido, mas eu não sabia dizer o que era. - Vamos pessoal, precisamos entregar esse projeto o quanto antes – ela disse, tentando nos fazer ir mais rápido. E aquilo era estranho. Ana era calma, sempre no controle de tudo. O que estava havendo? Resolvi perguntar a Millie, quando a chamei na cozinha. Sim, nós tínhamos uma mini cozinha no nosso setor. Passamos o nosso café e ela parecia distante. - Millie, o que está havendo, por que Ana anda tão estressada? – perguntei. - Não soube que o filho do dono da Leblanc veio para cá? – ela respondeu, tomando seu café – Ele veio conversar com o diretor. E foi obrigado pelo pai a ficar por aqui. Até aprender uma lição. - Eu não sabia disso - eu digo. Millie se aproxima de mim e fala em voz baixa: -  Pois é... E ao que tudo indica, e pelos rumores, o playboy perdeu sua mesada e teve que parar de viajar. Sua irmã dá um duro danado nas empresas, mas ele não. Estava sempre viajando, com o dinheiro do pai. - Entendi. Mas, como você sabe de tudo isso? Millie ri. - Eu estou saindo com o amigo do Sandro, sua tola. O Lucca, que trabalha no TI - ela responde, com olhos maliciosos - Ele sabe de tudo. O Sandro vive com os diretores e ao que parece, o filhinho do senhor Leblanc está sendo forçado a estar lá. Só que esse moleque está exigindo muita coisa. Inclusive o projeto para a Páscoa. Quer que esteja tudo pronto, para ele analisar. Vê se pôde? Ele se acha o rei. Agora tudo fazia sentido. Ana estava com problemas, pois a entrega já tinha sido estipulada e se não entregasse no tempo que o filho de Leblanc quisesse, poderia ser que cabeças fossem rolar. E voltamos ao trabalho. Eu não queria perder meu emprego e também não queria ferrar Ana. Por mais que ela fosse fútil e olhasse para Etienne como se ele fosse um deus grego, ela nunca foi megera comigo. Então, me concentrei no que estava fazendo. E trabalhamos até às dezenove horas. Estava cansada e sai do setor, bufando. Acenei para meus colegas. Ana continuou no mesmo lugar, trabalhando. Dispensou a todos. Desci as escadas, em disparado. Queria minha cama. Somente isso. E estava indo para o ponto, mas vi o carro de Etienne parado do outro lado da rua. E atravessei a rua, olhando para trás, para ver se ninguém me seguia. Não iríamos assumir nada, por enquanto. Somente Millie sabia de nós. Entrei no carro e Etienne me beijou, como se estivesse com muita saudade. Ele acariciou minha nuca e me fitou nos olhos. - Então, minha namorada trabalhadora - ele diz, dando selinho nos meus lábios - Podemos ficar juntos essa noite? Eu rio. - Com certeza, igual a todas as noites - eu beijo ele, de volta. Ele deu partida no carro e lembrei do que ouvi de Millie - Você sabia que o seu primo veio para cá? O que ele está fazendo por aqui? Está deixando a Ana doida... Etienne agarra o volante, com força. Aquele assunto não parecia ser algo bom. - Ah, eu sabia - ele diz, com a voz soturna. Bem diferente da sua característica habitual. Que é ser extrovertido - Mas, e aí, vamos ver o que hoje? Eu queria levar você para sair antes. Um jantar só você e eu... - Etienne, eu adoraria - eu aceito. Mas, ainda queria entender seu nervosismo - Mas, por que ficou tenso quando falei do seu primo? Não precisa me contar tudo...mas, é que nunca te vi assim ... Ele não me fita, seu maxilar está retesado. - Digamos que meu primo é alguém que quero distância - ele responde, seco - Ele não vale o meu tempo. Aquilo era estranho, mas não disse mais nada. Ele pega a rua principal e vamos até a próximo balneário. Era distante e tínhamos certeza que ninguém iria nos encontrar ali. O restaurante é aconchegante, mas elegante. Etienne fez questão de pagar, mas eu não gostei nada. Tudo ali era muito caro. Pedimos camarão, linguado e arroz para acompanhar. Além de champanhe. E eu ia tomar um gole, mas lembrei de algo. Fiquei enjoada só de pensar. O bebê...como eu ia falar isso para Etienne? - Não vai tomar? - ele pergunta - Se não gostar, eu troco, Laurinha. Ele segura minha mão e beija. - Não...é que não tô com vontade de beber hoje - eu digo, mordendo os lábios. Ele assente. - Que t**o eu sou - ele diz, parecendo envergonhado - Eu nem perguntei o que você queria beber. Me diz o que você quer, meu anjo. - Eu vou tomar só um guaraná mesmo - respondo. - Pode deixar - ele diz. E chama um garçom, que logo traz o copo e a lata. Eu tomo, sentindo minha garganta fechada. Como eu faria para contar? Como... - ...e que grande projeto, Laura. Eles querem reformar muita coisa no site...Laura? Eu desperto do meu desespero íntimo. - Sim? - eu pergunto. Eu não havia ouvido nada. - Laurinha, você parece longe - ele diz, um pouco magoado - Aconteceu algo? Não está feliz? Posso levar você em outro lugar. Onde você quiser. Só não fica distante de mim. Ele beija minha mão. - Desculpa é que...- desculpa é que tô grávida, Etienne. E não é seu. Não é engraçado? - Eu só estou cansada. Desculpa mesmo. Me fala do projeto, eu soube já pela Ana que vai ter mudanças no layout do site e que vai dar muito trabalho. - Exato, Laurinha. E tem mais, mas, vamos falar disso depois. Eu vou levar você para casa, para descansar - ele diz - E podemos ver um filme, abraçadinhos...e bem... Ele fica vermelho. Até a sua orelha está assim. Quero rir e morrer ao mesmo tempo. E meu lado trágico é por querer ele, mas estou em uma situação difícil. Opto apenas por rir. - Você é um s****o, Etienne - eu murmuro. Ele coloca sua cadeira perto da minha e aproxima sua boca do meu ouvido: - Acho que é você, Laura. Está me enlouquecendo. Aquilo me arrepia inteira. E nós partimos para minha casa. Ele não para de me lançar olhares sugestivos. E cada sinal fechado, toma minha boca, beijando lentamente. Eu não deveria, mas já que estou ferrada, o que custa ter ele por algum tempo? Quando eu contar a verdade, eu tenho certeza de que ele irá virar as costas para mim, mas, eu estava apaixonada por ele. Não queria dizer nada. Só queria um tempo com ele, até não poder mais esconder. E entramos em meu apartamento, ele me segurando pela cintura, beijando meu pé pescoço e passando a mão por minha cintura e s***s. - Não consigo abrir a porta, Etienne - eu digo, rindo - Para com isso. - Eu não consigo. Você me deixa assim, Laura. Eu não consigo pensar - ele provoca. Ele se afasta e espera que eu abra a porta. E entramos. Loki me pede atenção e Etienne espera no sofá. Depois que alimentei meu gato, fui atrás de outro bem mais interessante. Etienne me fitou com seus olhos verdes, me analisando de cima abaixo. Se levantou e me despiu. Fico tensa, pois não estou preparada ainda, mesmo assim sigo em frente. Nós beijamos de uma forma diferente, suas mãos explorando meu corpo e me sinto mais conectada ele. Parece que Etienne faz parte de mim. E percebo que se eu perder ele, eu não sei se vou ser feliz. Ele me leva até meu quarto. Estamos despidos, de uma forma que não havíamos ficado. Ele me deita na cama, beijando todo meu corpo. E então para. - Você tem c*******a, Laura? - pergunta - Diz que tem, pois eu não sei se aguento mais um segundo sem ter você. Ele me beija no pescoço, me deixando tonta. Mas... - Não tenho - eu digo, mordendo os lábios. Ele para e me fita, com frustração. - Eu vou buscar - ele diz, decido - Você, fica aqui, bem linda e me espera. Tá bom? Eu não sei se queria dar continuidade aquilo. Era como se eu estivesse enganando-o. Por não contar a verdade. - Tá bom - eu digo, pois eu não era de ferro. Ele me beija com desejo e sai do quarto. Fico esperando-o voltar, mas estava tão cansada que dormi. Acordo com ele ao meu lado, sem roupas e me abraçando pelas costas. Parecia dormir. E permaneço quieta, fitando o escuro. Eu me sentia em paz. Etienne era meu porto seguro. Mas, então um sentimento estranho tomou meus pensamentos: até quando?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD