So save today, the secrets that you prayed for
And wait, 'cause we deserve it so much more
So save the secrets that you prayed for
Awake, I'll see you on the other side
Say you can help me now, say you can help me now
Say you can help me now, say you can help me now
Seether - Save today
Eu só queria um pouco de paz, somente isso. Mas, agora, tinha que sair rápido de casa, com medo de esbarrar em Paulo. Para minha sorte, eu não havia visto ele pelo prédio naqueles dias que se seguiram. E havia meus enjoos, que se tornaram constantes, me deixando mais nervosa. Talvez, eu estivesse doente. E havia Millie, que estava brava comigo por ter feito o teste sozinho. Mas, eu não havia conseguido aguentar a pressão de esperar mais tempo. Fiz um novo teste e havia dado negativo. Era estranho isso, mas pelo menos eu não ficaria para sempre ligada à Paulo, o que era ótimo. Agora, era somente falar com o médico e dizer o que vinha sentindo. Eram náuseas pela manhã e tudo começou na quarta-feira. E se estendeu até sexta. Etienne havia dormido comigo quarta e sexta. Questionou-me várias vezes o que eu tinha. Eu disse que era algo que comi, mas ele não parecia acreditar, contudo, não me fez mais perguntas. Era sempre carinhoso e atencioso. Não havia forçado quanto a darmos mais um passo na nossa relação, pelo que agradecia. Queria um tempo para conhecê-lo. Eu tinha certeza de que assim que me entregasse, eu ficaria ainda mais envolvida emocionalmente com ele e isso me dava muito medo.
E o sábado chegou, para meu alívio. Acordei tranquila e bem-disposta aquele dia. Etienne dormiu em sua casa e senti falta da sua presença, mas bem, não devíamos apressar as coisas, não é? Contudo, eu tinha ânsia em apressar tudo. Era meu m*l. Queria ele o dia inteiro, se pudesse. Seus beijos eram balsamos para mim. Sua voz era música, apesar de ele cantar desafinado. Seu sorriso era a luz para meus dias mais escuros...é, eu estava ficando brega. Isso era m*l sinal. E vesti meu melhor vestido, de cor branca, acinturado, com minhas sapatilhas vermelhas. Prendi meus cabelos negros em um r**o de cavalo e coloquei meus brincos com pedrinhas azuis. Sorri para mim, no espelho do meu closet. Fiz uma pose, dizendo para mim mesma que eu estava bem, muito bem. Peguei minha bolsa, na cadeira, encostada na parede e sai. Peguei Loki no colo e dei um beijo na sua cabeça, o que fez ele miar indignado, mas eu amava tanto aquele bichinho. E sai, trancando a porta.
Desci as escadas, tranquila e cheguei ao saguão do prédio. Avistei Paulo, que vinha direção contrária, entrando no prédio. Passei por ele, sem olhá-lo, mas sentia minha boca seca. Ele segurou-me pelo braço, assim que nós cruzamos.
- Laura, podemos conversar? – ele pede.
Suspiro, irritada, soltando meu braço.
- Não, obrigada – eu recuso.
Ele passa a mão pelos cabelos escuros. Seus olhos castanhos me fitam com um misto de desejo e dor.
- Escuta Laura, sobre aquele dia...eu sei que fui e******o com você...
- Não quero ouvir suas desculpas – eu digo e começo a andar.
Ele me acompanha para fora. Nem consigo dar bom dia para o porteiro por causa de Paulo.
- Espera, Laura, por favor – ele pede – Vamos tentar começar do zero...ser amigos...
Olho para ele, com incredulidade.
- Como ser sua amiga? – pergunto, irritada – Como? Depois do que você disse... Eu não esqueço e não perdoo isso
Ele morde os lábios, parecendo nervoso.
- Eu estava com ciúmes, está bem? Eu disse coisas que não deveria ter dito...e aquilo não foi a sério...Laura, você é uma mulher incrível e eu me arrependo de ter sido i****a com você.
Eu não acreditava nele, mas eu podia ver refletido angústia e sinceridade. Contudo, o que ele disse não seria apagado tão fácil da minha memória. E Etienne...algo havia acontecido conosco que para mim foi muito real e verdadeiro. Eu realmente gostava dele.
- Escuta, Paulo – eu digo – Eu não sei por que tamanha insistência. Peço que pare com isso, está bem? Nós só tivemos uma noite juntos...não foi sério e você deixou isso bem claro...
- Eu sei...eu deveria ter respondido suas mensagens, mas meu trabalho me consumiu o tempo...mas me dá uma chance, vamos tentar ser amigos, pelo menos.
Ele é insistente. E não compreendo isso.
- Eu vou pensar, tá bom? – eu digo, para que ele se afaste de mim – A gente se vê por aí.
Eu não dou tempo para ele protestar, saio andando, com pressa. Iria pegar a condução até a casa dos meus pais. Ando por uns bons quinze minutos, até chegar à rua principal, que era do lado da praia e chego no ponto de ônibus. Sento-me no banco de pedra, debaixo do toldo. O dia estava quente e a praia estava cheia. Queria tanto aproveitar o mar, mas havia coisas mais importantes. Meu pai era muito importante para mim, naquele instante. Sou tirada das minhas reflexões, pois o telefone começa a tocar.
- Alô? – eu falo.
- Oi Laurinha – era Etienne. Sua voz me aquecia por dentro – Onde está?
- Eu estou no ponto de ônibus. Lembra que iria visitar minha família?
- Ah, verdade...que tal eu levar você? – ele não parecia surpreso - Não tenho nada para fazer...bem...
Estávamos dando um passo bem sério, naquele instante.
- Etienne...tem certeza? Você vai comigo de que forma? Como amigo ou...
- Eu não sei...para ser sincero – sinto sua respiração tensa – Mas, que tal ser mais que seu amigo? Eu gostaria de conhecer sua família, saber mais de você...Se permitir...
Eu penso um pouco. Ficamos em silêncio. Escuto ele suspirar. E havia um problema: trabalhávamos na mesma empresa, ninguém poderia saber o que tínhamos. Seria algo complicado, mas...
- Podemos fazer isso sim – eu respondo – Será que estamos fazendo o que é certo?
- Eu não acho que é errado o que temos, Laura – ele diz – Eu acho que isso é muito importante...eu não me importo com as consequências disso...O que me preocupa é apenas você...
- Você também me preocupa, Etienne. E muito. Não quero prejudicar sua carreira...
- A minha carreira está garantida, Laura. É a sua que devemos cuidar...mas, vamos nos conhecer, está bem? Eu realmente não quero ficar longe de você...Eu sei que estamos indo rápido demais, mas podemos fazer isso dar certo?
- Sim.
- Então...olha para sua esquerda – ele pede.
Vejo o carro dele estacionar, do outro lado da rua. Dou risada.
- Como você...? – tento perguntar.
- Eu estava indo buscar você na sua casa, Laurinha. Sabia que você estaria por aqui. Agora vem pra cá.
Eu desligo o telefone e atravesso a rua. Entro no carro e ele beija meus lábios, com avidez, me tomando pela cintura. Nos separamos, com a respiração acelerada. Ele sorri, beijando a ponta do meu nariz.
- Então, Laura, pronta para dar um passo a mais nessa relação? – ele pergunta – Eu realmente não quero deixar você escapar, de jeito nenhum...
Eu rio.
- Eu também não quero que você escape, Etienne – eu concordo, beijando seus lábios – Estou mais que pronta para fazer isso dar certo.
Ele me abraça. E seguimos o caminho, até a casa dos meus pais. Ele segurava minha mão, enquanto pensávamos em como dar aquela notícia para ele, que estávamos juntos.
***
Eu não sabia como falar para meus pais sobre Etienne. E ele parecia mais tenso. Apesar da nossa conversa, ele havia mudado completamente, como se algo o incomodasse. Estava quieto e dirigia pelas ruas. Sua mão estava sobre a marcha e coloquei a minha sobre a dele. Ele sorriu para mim, mas não era um sorriso que chegava aos olhos.
- O que você tem Etienne? - pergunto.
Ele mordeu os lábios e voltou sua atenção ao trânsito.
- Eu...bem...- ele tenta dizer - Laura, tenho medo do que seus pais possam pensar. Em minhas outras relações eu não conhecia a família das minhas namoradas. Era algo passageiro...sabe...
Sinto meu estômago embrulhar.
- Quer me deixar lá e ir embora? - pergunto, hesitante. Eu não poderia força-lo aquilo. Não sabia o que tínhamos, também.
Ele apertou meus dedos, de leve. Sentia sua mão suada.
- Não, eu quero ir com você - ele diz, sem me olhar - Só me diz como me portar...eu não sei fazer isso...Eu sempre evitei ter qualquer relação séria.
Aquilo era interessante de saber.
- Não mesmo? Mas por quê?
Ele morde os lábios.
- Eu era meio inconsequente, Laura - ele responde, respirando fundo - E tinha um compromisso firmado com outra pessoa, pela minha família. Eu disse que não queria aquilo, de jeito nenhum. Mas, era uma ideia maluca do meu tio, querendo que eu me casasse com uma mulher que nunca vi na vida. Por isso comecei a viajar, entende? Eu não tinha parada, estava fugindo de todos. Meus pais me imploraram para voltar para casa e romperam o compromisso com a família da minha noiva. Meu tio ficou irado, não queria falar comigo nunca mais. Eu até conheci a garota, mas não senti nada por ela, sabe? E não queria nada com ninguém. Eu queria curtir o momento e deixar a minha vida fluir. Depois que voltei para França, terminei minha faculdade e me mudei para o Brasil, com meus pais. Minha mãe queria estar mais perto da minha avó e aqui comecei a trabalhar a sério. E cresci rápido, por falar francês e português. Trabalhava em outra empresa, em São Paulo. E lá tive várias oportunidades de crescimento, na área de tecnologia. Então, bem... não deu tempo de ter qualquer relação. Então, você é a primeira - ele diz, olhando para mim, sem jeito - Só não me deixa sozinho com seus pais. Provavelmente eu vou falar algo que desagrade ou...eu não sei...
Eu dou risada. Ele me olha f**o.
- Fica tranquilo, Etienne. Você sabe se portar. Não sei por que está em desespero.
- É que isso é diferente, Laura - ele explica - Não vou como seu amigo mais, vou como...
Ficamos em silêncio. Éramos o que? Nem eu sabia.
- Hum...bom, como namorados - ele completa, com um sorriso no rosto - Mas, eu preciso fazer esse pedido corretamente.
- Não precisa, Etienne. Nós concordamos em nos conhecer...
Ele fica em silêncio e para o carro, no acostamento. Está me olhando com intensidade, segurando minha mão.
- Laura, você quer ter algo sério? - ele pergunta. Eu abro a boca, mas não sai palavras - Eu quero levar o que temos a sério. Sei que trabalhamos na mesma empresa, mas podemos resolver isso. Eu procuro outro lugar...
- Não, Etienne - eu peço - Não vai estragar sua carreira por causa de mim.
Ele n**a com a cabeça.
- Eu não vou estragar nada. Apenas partir para outra empresa, Laura. E assim podemos ter um pouco de paz, sem especulações. Será difícil disfarçar o que sentimos, enquanto trabalhamos juntos - ele explica, beijando o canto da minha boca e fazendo carinho nos meus cabelos - E não quero que isso termine. Você é especial para mim.
Estou tentada a aceitar, mas...
- Preciso pensar, tudo bem? - eu digo - Não quero começar de um jeito errado.
Ele assente e beija minha testa.
- Tudo bem...mas, para seus pais estamos juntos, tudo bem? Eu quero que eles tenham uma boa impressão de mim - ele diz, sorridente. Mas, vejo que está tenso - E vai que você seja minha futura esposa? Nunca se sabe.
Eu dou risada.
- Tá, bom, futuro marido. Vamos logo, antes que fique tarde - eu digo, em tom de deboche.
Ele beija meus lábios e liga o carro novamente. Ficamos em um clima ameno. Pelo menos, estamos bem. Meio termo, talvez. E chegamos à frente da casa dos meus pais. Eu havia mandado uma mensagem para minha mãe, avisando sobre Etienne. Ela disse que estava tudo bem. Que já estava na hora de eu ter um namorado. O último não havia dado em nada e Paulo se mostrou uma noite casual, apenas. Etienne abriu a porta para mim, parecendo muito pálido. Eu beijei seus lábios e o abracei, fazendo-o sorrir. Nós entramos e encontramos meu pai na sala, lendo um livro, com seu óculo redondo. Ele estava magro, um pouco abatido e o rosto paralisado.
Ele sorriu a me ver. Sentia seu amor e carinho. Andei até ele, o abraçando. Me afastei, tentando controlar as lágrimas. Ver meu pai daquele jeito não era algo fácil. Acho que nunca é fácil ver quem você ama em um estado frágil. Eu queria dar minha vida a ele, que pudesse fazê-lo ser saudável novamente, mas eu não tinha esse poder. E a vida é um mistério. Como pessoas boas podem sofrer tanto? O que elas fizeram de tão errado para sofrer? Meu pai sempre fora um homem correto, justo, cuidava da sua saúde. E de repente, sofreu a primeira parada cárdia e mais duas, no mesmo dia. E o médico nos disse: é hereditário, ele precisa se cuidar em dobro. Aquilo não fazia sentido para mim, mas era a natureza. As vezes tomamos para nós o pior dos nossos ancestrais. E tinha tantos que se revoltavam com Deus, por essas coisas misteriosas que acontecem nas nossas vidas. E não falo de algo que pode ser explicado pela ciência. Mas, eu não era religiosa. Não sabia explicar e não me interessava tanto pelo assunto. O importante para mim e era cuidar do meu pai e não desamparar minha mãe.
- Pai - eu cumprimento, com um sorriso doce - Como está o senhor?
- Be..em - ele diz, com dificuldade - E você...filha?
- Estou muito bem, pai - eu digo, engolindo seco. Olho para traz e vejo Etienne sem graça. Puxo ele pela mão - Pai, esse é o Etienne...meu...namorado...
Ah meu Deus, eu disse isso!
Etienne sorriu para meu pai, mas via que ele estava muito envergonhado. Ele estendeu o braço esquerdo para cumprimentá-lo.
- Muito prazer, senhor Dias - Etienne diz, cordial - Eu ouvi muito do senhor. Sua filha admira o muito.
Papai riu, mesmo que de um jeito estranho. Não era sua risada normal. Mas, viu que seus olhos sorriam também. Apertou a mão de Etienne com mais facilidade. Pois apenas era seu lado direito que estava paralisado.
- Eu...duvi..do - ele tenta dizer - Seja...bem...vin...do.
Meu pai não estava conseguindo se expressar direito. Mas, isso não o esmorecia. Ele parecia confiar em algo, eu sentia isso por seu olhar. Ele sempre foi muito de acreditar que tudo tinha um motivo para os acontecimentos da vida. Mesmo sendo de uma família católica e foi batizado. Eram coisas que deixavam minha avó de cabelos em pé. Pois, quem acreditasse em espíritos, vida após a morte e toda essa ladainha, como ela dizia, era do d***o. Mas, como queria agradar meu pai, passou a ser mais tolerante. Papai sempre foi de buscar a verdade. Queria entender tudo. Não se aferrava as crenças e sempre questionava tudo. E lá estava ele, de bom humor, como se já soubesse o que viria a seguir. Ele tinha resignação, quando sabia que não poderia mudar as coisas ao seu redor. Bem diferente de mim, que sempre fui muito de reclamar e chorar por qualquer coisa.
Deixei Etienne sozinho, algo que havia prometido não fazer e sai a procura de mamãe. Ela estava na cozinha, fazendo o almoço.
- Mãe - eu digo, abraçando ela por trás - A senhora está linda.
Minha ri, colocando seus cabelos loiros, quase grisalhos, atrás da orelha.
- Querida, eu estou h******l - ela diz - O que está querendo? Quando vem com elogios, já sei que quer algo.
- Aí mãe, deixa disso - eu digo, rindo - Eu apenas estou vendo a realidade.
Ela beija meu rosto, apertando minhas bochechas de leve.
- E você está radiante, querida - ela diz, me analisando - Engordou um pouquinho, até. Estava tão magrinha.
Coloco a mãe na barriga e fico desespero.
- Ah, mãe, não posso engordar...e se Etienne não gostar mais de mim - eu digo, em tom de deboche, mas eu não queria engordar, de jeito nenhum - É realmente pareço diferente.
Minha mãe ri e assente.
- Realmente, querida. E venho notado isso faz um mês, pelo menos - ela me fitou, com curiosidade - Mas, enfim, você deve estar se cuidando.
Ela volta a olhar para as panelas no fogo. Fazia arroz e feijão. E abriu o forno. Havia uma carne assada com batatas. O cheiro era divino. E minha mãe não poderia estar mais longe da verdade. Eu não comia bem, me estressava direto e o trabalho era estafante.
- Mãe, deixei Etienne com o pai. Aliás, ele está bem?
- Sim, na medida do possível - ela responde, sentado na cadeira, em frente a mesa de madeira - Eu estou tentando, querida. Está bem difícil aceitar isso...- ela diz, com a voz entrecortada. Eu a abraço, com carinho - Mas, vai passar. Seu pai é tão forte. Eu o levo na fisioterapia e parece fazer resultado...mas ele não vai voltar a ser o mesmo. Vai ser muito difícil. Minha sorte é que ele anda com a bengala. Mesmo que devagar.
- Ah mãe...eu sei que está sendo difícil...para mim vê-lo assim é algo muito estranho. Não caiu a ficha, sabe?
Ela assente. E ficamos conversando. Eu a acalmo e tendo de imprimir palavras boas, mas que eu nem mesmo acredito. Às vezes nós mentimos para quem amamos, para não os fazer sofrer. E como meu pai sempre disse: "Não se deve ter palavras negativas, Laura. Sempre fale a verdade, mas de uma forma que não magoe. Nunca fira os sentimentos alheios". Eu estava fazendo quase isso, mas dizendo que tudo ia ficar bem, mas eu sabia que não.
E colocamos a mesa e fui até a sala, para chamar Etienne e meu pai para almoçar. Eu vi os dois conversando, como se já fossem conhecidos. Meu pai falava lentamente e Etienne demonstrava uma infinita paciência. Aquilo comoveu meu coração. Senti lágrimas despontando dos meus olhos. Queria abraçá-los e colocar em uma caixinha, para nunca ficar longe deles. E meu francês segurava um livro na mão, sentado no sofá. Parecia relaxado e tranquilo. Chamei-os para comer e Etienne ajudou papai a se levantar. Meu pai caminhava lentamente. Não lembrava em nada o homem que conheci. Estava totalmente mudado.
O almoço foi tranquilo. Etienne era educado e segurava minha mão por debaixo da mesa, beijando meus cabelos, sempre que podia. Aquilo estava sendo um sonho. Eu estava realizada por ter sua presença. E meus pais sorriam. Pareciam mais felizes.
- Senhor, eu quero pedir sua permissão para namorar sua filha – eu escuto ele dizer, da cozinha. Meu pai e eles estão na sala – Parece antiquado, mas para mim, Laura é muito importante.
- Já...tem...filho – ele diz e posso escutar sua voz comovida – É um...bom...rapaz...
E depois que a visita se encerrou, eu sentia que estava nas nuvens. Mas, ao mesmo tempo, meu coração doía. Eu não queria perder meu pai. Etienne me levou para casa e não parava de elogiar meus pais, o quanto havia gostado de estar lá...mas eu não prestava a atenção. Sentia a dor da separação antes do tempo. Ele parou em frente ao meu prédio e me fitou, preocupado. Tomou minha mão, acariciando com seus dedos.
- O que foi, Laurinha? – ele perguntou, beijando meus lábios – O que você tem?
Não consigo dizer...apenas o abraço. Estou soluçando, sentindo as lágrimas lavarem meu rosto. Ele afaga meus cabelos. Somente escute ele dizer:
- Vai ficar tudo bem. Posso dormir com você hoje?
Eu assinto. E nós entramos no meu apartamento. Eu somente sei que fico em seus braços, me sentindo estranha. Minhas lágrimas cessão, mas meu coração está partido. Ele coloca algo para a gente assistir. Um filme de desenho animado e me conta piadas, mas eu estou distante. Apenas distante.