Capítulo 10

2565 Words
I couldn't sleep I had to listen Into a conscience knowing so well That nothing comes from indifference I look inside of myself Will I find some kind of conviction Or will I bid the hero farewell Will I be defined by things that could have been I guess time will only tell I guess time will only tell So don't let it be Before tomorrow comes Before you turn away Take the hand in need Before tomorrow comes You can change everything Alter Bridge - Before Tomorrow Comes - Oi Laura – Paulo disse, segurando meu gato.                 Meu gato, meu gatinho nos braços daquele i*****l.                 - O que faz aqui? – pergunto, sendo m*l-educada. Estava pouco me lixando se estava sendo. - Eu moro aqui – ele disse, com um tom sarcástico – Me mudei ontem. Tento lembrar se alguém se mudou...realmente havia visto uma grande mudança. Móveis subindo pelo elevador de serviço e bem caros...mas, se eu tivesse visto Paulo, eu saberia. - Há, conta outra – eu retruco. Seu Afonso olhava tudo, com a boca aberta. - Não, é sério, eu moro aqui – ele insistiu – Achou que eu iria persegui-la? - Além das mensagens que me envia, eu não duvido – retruco, com acidez. Ele ri e se aproxima de mim, entregando meu gato. - Vejo que você não escutou meu conselho – ele disse, olhando para além de mim. Olho para trás, com Loki nos meus braços. Vejo por cima do ombro Etienne, com uma cara de poucos amigos, na base da escada. - Etienne – Paulo disse – Não sabia que morava aqui também – ele provoca. Espera, ele sabe o nome de Etienne? - Não moro aqui – ele disse, em tom cortante. - Interessante – Paulo disse, irônico – Bem, eu vou subindo, vizinha. Se precisar de mim, moro no 405. Até mais. Ele sai de perto de mim, não sem antes me olhar de cima abaixo e focar nos meus pés. Seu olhar sobre mim parece me queimar. O que me incomoda muito. Ele entra no elevador e as portas se fecham. A última coisa que vejo é ele piscando para mim. Maldito! - Laura – Etienne diz, desconfiado e magoado, d***a! – O que ele faz aqui? - Eu me faço a mesma pergunta – respondo, irritada – Seu Afonso – eu me aproximo – Desculpe pela cena. Eu e o novo vizinho não somos muito “amigos” – aspas mesmo, porque eu mataria Paulo a pauladas, em breve, por estragar minha noite. - Sei. Laura, nunca a vi desse jeito. Parecia que ia sair fogo pelas ventas – seu Afonso diz, com bom humor. - É verdade que ele está morando lá no quarto andar? – pergunto, ignorando sua alfinetada. - Sim, sim. Ele se mudou ontem – respondeu, solicito – Disse que precisa trabalhar aqui perto. Os móveis dele são bem caros. Não parava de dar ordens aos carregadores e congestionou o elevador. - Hum...obrigada seu Afonso – agradeço. - De nada Laura – ele diz. Então era verdade...eu seria vizinha daquele i*****l. Ah, meu Deus. Só me faltava essa agora. E havia uma questão ainda a ser resolvida. Etienne e...o teste! Saio em disparada, sem esperar Etienne, subo as escadas com dificuldade, pois Loki está no meu colo. - Espera Laura, o que foi? – Etienne diz, as minhas costas. - Problemas, só isso – eu respondo, evasiva. - Parece que vai pegar fogo em algum lugar – ele diz, passando por mim, sem dificuldade – Eu ajudo você. Só me falar o que é. Nem ferrando! - Não é nada que você possa resolver – eu digo, sem jeito – Mas, obrigada. Ele vai mais rápido que eu pelos dois lances. Chego a frente da minha porta, cansada. Etienne já está na porta, rindo de mim. - Você precisa fazer mais exercício, Laura – ele provoca – Está sem folego por dois lances de escada. Por que não pegou o elevador? Porque eu não quero! - Eu nem pensei nisso – desconverso. Fecho a porta, trancando-a e largo Loki no chão. Depois eu iria conversar com ele, bem de perto. Vou até o banheiro, ignorando Etienne e fecho a porta na sua cara. Procuro o teste, mas não encontro em nenhum lugar. Eu jurava que tinha deixado ele em cima da pia. Olho dentro do vaso sanitário e lá está a caneta, boiando dentro. Solto um palavrão, que minha mãe diria que eu teria que lavar a boca com sabão. Estou com tanta raiva naquele momento. Escuto as batidas na porta. - Laura, o que foi? – ele pergunta, preocupado – Se não me responder, eu vou arrombar essa porta. - Que exagero – eu retruco – Não é nada. É que uma coisa minha caiu na privada. Ele gargalha. - Espero que não seja seu celular – ele provoca, me fazendo lembrar da desculpa que dei para Ana quando disse que meu celular tinha dado problemas, por causa da tarde que passei com um certo francês na praia. - Há, muito engraçado, Etienne – digo, irônica. - Eu sou engraçado – ele frisa, com humor – Vai demorar muito aí? Já são mais de oito e quero passar um tempo com você. Suspiro. - Já vou, só preciso ter coragem e pegar o que caiu na privada. - Eu pego, se isso é problema – ele diz, solicito. - Não, não precisa – eu recuso. Olho para a caneta, tentando ver se deu positivo. Mas, não consigo ver nada. Dou descarga, várias vezes, para ver se não ficou qualquer resquício de urina na água e jogo água sanitária dentro. A caneta permanece no lugar, para minha sorte. E coloco a mão dentro do vaso, fechando os olhos. Sinto o objeto em minha mão e puxo. Solto na pia e lavo a mão, freneticamente. - Conseguiu? – ele perguntou. - Sim, já estou saindo. Passo sabão na caneta e vejo o resultado. Havia dado negativo. Suspiro, aliviada. Talvez, não fosse nada. Jogo o teste no lixo, enrolado em um papel higiênico e abro a porta do banheiro. Vejo Etienne na sala, sentado no sofá, com Loki em seu colo. Ele estava com o pé apoiado na mesinha de centro e escolhia um filme na Netflix. Olhei para aquela cena, sentindo algo estranho por dentro. Era conforto? Amor? Eu nem sei. Apenas me sentei do lado dele. Ele passou o braço por meu ombro e beijou o topo da minha cabeça. Loki pula do seu colo e vai para sua poltrona. - Quero ver um filme com você – ele disse, sorrindo – Podemos? - Sei...filme levam a outras coisas – eu provoco. Ele ri. - Eu não me oponho. Só faço o que você quiser, Laurinha – ele diz, beijando meus lábios. O beijo foi lento no começo. Sentia o gosto mais uma vez na nicotina na sua boca e de chiclete de menta. Ele envolveu sua mão em meus cabelos e a outra puxava minha cintura, para aproximar nossos corpos. Ele me deita no sofá e passa a mão por baixo da minha camisa, explorando todo meu abdômen e subindo para meus s***s. Arfo, surpresa. Ele para e me olha, procurando minha aprovação. Apenas assinto. Eu só desejo estar com ele, naquele momento. Ele volta a me acariciar, com cuidado, beijando meu pescoço,  marcando meu pescoço com seus lábios. - Para Etienne – eu digo, irritada – Vai deixar marcado. Ele ri. - É só um pouquinho. Se precisar, usa um xale – ele diz, voltando a me beijar no pescoço. Eu suspiro, sentindo meu corpo inteiro queimar. Ele continua a distribuir beijos do pescoço ao b***o e toma um dos meus p****s em suas mãos, fazendo carinho. Eu sinto que vou enlouquecer, pois seu toque me deixa febril. Acaricio suas costas com a mão e com a outra passo a em sua barriga. Ele se encolhe, rindo. - Assim, não, Laura – ele diz, com a voz rouca – Eu tenho cocegas. Eu sorrio. - Isso parece promissor – eu digo, passando a mão de novo. - Não, vai cortar o clima – ele pede e se afasta de mim. Sinto um vazio no peito por não ter ele por perto. Ele me puxa pela mão, me fazendo sentar. Ele se senta no sofá, ao meu lado e me puxa para seu colo, beijando meu pescoço e enlaçando seu braço em minha cintura, prendendo meus braços no processo. - Agora você vai ficar quietinha, Laura – ele sussurra, no meu ouvido – Quero provar sua pele e não quero que me distraia. Eu fico sem folego ao ouvir isso. - Mas, eu não posso tocar você? – pergunto. - Não agora – ele diz, beijando meus lábios – Você me distrai Laura. Pode me tocar, menos na barriga. Eu rio. - Tá bom. Voltamos a nos beijar, com mais intensidade, mas... Bip, bip, bip. Um telefone tocava, mas eu não saberia dizer se era meu ou dele. - Não vai atender? – pergunto, entre beijos. - Nã..não – ele diz, beijando com mais avidez meus lábios. O telefone toca mais uma vez e Etienne bufa. Saio do seu colo e ele puxa o celular o do bolso. - Alô? – ele diz, com mau humor. Parece escutar alguém, da outra linha e sua expressão se altera para nervosismo – Ok. Estou a caminho. Não, não precisa, eu mesmo irei. Ele desliga e seu semblante é triste. - Eu preciso ir – ele diz, com pesar. Puxa minha cintura, beijando meus lábios com carinho. - Mas, o que houve? - O site saiu do ar – ele diz, frustrado – Cuidamos de tudo e não sei como isso aconteceu. Deve ter dado alguma falha, mas eu e minha equipe nos empenhamos no nosso trabalho. Analisei todos os erros possíveis...- ele passa a mão pelos cabelos, nervoso – Posso compensar você depois? – ele pergunta, fazendo carinho em meu rosto. - É claro que sim – eu digo, sorrindo. - Posso voltar hoje? – ele pergunta. Faço uma careta – É só para dormir, Laurinha. Não vou fazer nada que você não queira... Dou risada. - Tá, mas estamos indo meio rápido – eu constato. - Eu sei, eu sei...mas, eu não consigo tirar meu olhos de você – ele diz, com um tom romântico. Bem brega – E você é minha luz, não consigo passar um segundo sem você. Eu dou risada. Ele me acompanha. - Mas, de verdade...posso voltar? – ele insiste. - Tá, eu disse que sim, seu francês sem vergonha – eu digo, puxando sua nuca e beijando-o nos lábios. Seus olhos verdes brilham para mim. - Ótimo – ele sussurra – Vejo você depois, minha luz. Dou risada. - Para de me chamar assim. Já tenho um apelido. - Ah, é mesmo, Laurinha – ele provoca. Ele sai e deixo uma das minhas chaves reservas com ele. Etienne me enlaça pela cintura e me beija mais uma vez e parte. Fecho a porta, sentindo meu coração acelerar. Pode ser que meu sonho não tenha se tornado realidade antes, mas Etienne era minha realidade e gostava daquilo, cada vez mais. Assisti um filme, enquanto comia pipoca e Loki resolveu me fazer companhia. O filme era sobre uma mulher e um homem, americanos, que se encontravam no Japão. E eles pareciam muito solitários. Era um pouco entediante, porque havia muitas falas e pouca ação, mas achei interessante, pois tratava uma relação de forma bem diferente do que esperamos. Era mais real e palpável. Não sei quando, mas me deitei no sofá e senti o sono pesado vir. Escutei a porta se abrindo, depois de um tempo. A tv estava ligada, apenas na tela inicial da plataforma de filmes e Loki dormia tranquilamente em meus pés. Vi Etienne entrar, com um ar cansado. Ele me viu e sorriu. - Olha quem dormiu me esperando – ele disse, com um tom zombeteiro, mas também senti carinho – Vamos para cama, Laura? Eu me levanto, sentando no sofá, fazendo Loki despertar e soltar um miado. Etienne dá alguns passos e me ajuda a levantar. Ele me abraça e sinto o cheiro forte de cigarro por sua roupa. Afasto-me, pois o cheiro é forte e pinica minhas narinas. Percebo que suas roupas estão amarrotadas, seu cabelo está mais rebelde ainda e seus olhos estão cansados e avermelhados. - Nossa, o que fizeram com você? Foi em uma rave? – perguntei, em tom debochado. Ele ri. - Bom se fosse. E que bons tempos quando eu podia sair e virar dois dias acordado – ele diz, com nostalgia – Mas, quando se é adulto, não dá para dormir depois das onze, se não o dia seguinte é h******l. - Eu concordo. Só na base do café para viver – eu complemento. Ele me abraça, mais uma vez. - Agora, vamos para cama, já são duas da manhã – ele diz, com a voz cansada – Amanhã só vou deixar você no trabalho, tá? Vou chegar mais tarde. - Não precisa, Etienne – eu digo – Sério mesmo, eu vou de ônibus. - Não, eu não quero que você ande de ônibus, Laurinha. Você é minha joia. Dou uma gargalhada. - Tá bom. Mas, faz uma coisa, tira essa roupa. - Nossa, eu quero, mas primeiro vamos dormir e depois fazemos amor – ele brinca. - Eu não disse para fazermos isso, seu i****a – eu retruco – Eu disse isso, pois você está fedendo cigarro. Ele se afasta e cheira a camisa preta. - Verdade – ele diz, rindo – Mas eu vou dormir com o que? - Já resolvemos isso. Puxo-o pela mão e passamos pelo corredor. Havia um quarto de visita, que só usava como closet, ao lado do meu quarto de dormir. Entramos e eu acendo a luz. Pego em uma das araras uma camisa da banda Alice In Chains. Era larga e cumprida. Entrego para ele. Etienne analisa e dá de ombros. Ele se troca na minha frente, sem pudor. Eu faço o mesmo, colocando minha camisola de bolinhas. Era bem simples. Eu não estava procurando impressionar ninguém, pois fazia tempo que estava sozinha. Ele sorriu para mim, me olhando de cima a baixo. - Está muito fofa assim – ele diz, me beijando na ponta do nariz – E como eu estou? Dou risada. A camiseta ficou bem ajustada para ele, por ser de tamanho grande. Suas pernas ficaram expostas, o que eu não poderia reclamar. - Está lindo – eu digo – Agora vamos dormir. E vamos para meu quarto. Etienne nos cobre e me abraça pelas costas. Fecho meus olhos, sentindo o sono chegando e apenas sinto algo novo dentro de mim. Uma confiança no futuro, de que tudo está no lugar certo. Etienne apareceu em minha vida de uma maneira que não imaginava que fosse. Eu não sei se ele era meu amor verdadeiro, pois começava a não acreditar mais naquilo, mas eu somente sabia que ele era um amigo verdadeiro, um companheiro fiel e leal, pelo menos era o que tudo indicava. E eu não pedia mais que isso, de ninguém, de nenhum dos meus relacionamentos. Só queria abraçar alguém que tivesse tanto defeitos quanto qualidades, assim como eu. Que não me pedisse perfeição, pois eu também não iria pedir. Apenas isso.
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