Foi um erro. Eu sabia desde o início que isso não teria como dar certo. Quando ele me olhou daquela forma foi como acordar cada instinto antigo do sangue que percorria meu corpo. Uma maldição do inferno. Ter que beber sangue para sobreviver era meu castigo por ter escapado das garras do Hades quando ainda era jovem. Embora não se trate de uma vampira em sua total forma, possuo muitas semelhanças a tal, exceto a maioria de suas fraquezas. Normalmente, não encontro grande dificuldade em conseguir alimentos, também não costumo drenar ninguém até a morte, as baladas e encontros noturnos são um grande restaurante repletos de pratos disponíveis para serem saboreados. No entanto, o sangue precisa me atrair de alguma forma para que eu me alimente daquela pessoa; o loiro em questão que havia levado para o quarto se chamava Otys, era britânico, o cheiro de seu sangue quente pelo desejo e dança se tornou convidativo demais para resistir. Mas ele era diferente.
Christiel possuía algo a mais, desde a forma como falava até a postura imponente de seu porte atraia minha atenção e claro, o desejo, sem qualquer esforço. Acreditava que todas as mulheres deveriam se sentir assim próximo a ele, não era segredo que o prefeito de Seattle além de solteiro também era bonito, mas a forma como seu sangue parecia cantar para mim era diferente e inebriante. Não estava tão faminta quanto aparentava naquele momento, poderia esperar mais dois ou três dias para conseguir outra refeição, era o sangue dele que me deixava nesse estado necessitado, uma cantiga doce repleta de promessas que vibrava atravéz da minha pele e incitava casa célula do meu corpo. Não poderia recusa-lo nem se quisesse, nem se desejasse e impulsionasse com toda a força de autocontrole que possuía, não conseguiria. E, aquilo era um alerta para mim, um que dizia claramente o quanto eu precisava ficar longe desse arcanjo. Afinal, o toque de ciúmes que sentia por vezes também não era natural.
Contrariando toda a convicção do meu corpo, a certeza do meu consciente e o certo que deveria ser feito, deslizei minha destra sobre a mão quente e calejada dele e quase gemi com o toque de nossas peles unidas. Não importava o quanto eu tentasse, meu corpo nunca estava quente o suficiente, mas o toque dele... Havia algo de diferente em Christiel que estava longe de ser devido a sua raça, teria que descobrir o que é. Mas não agora. Empurrando-o contra os travesseiros comecei a engatinhar para junto dele, a libido no sangue sempre tornaria a refeição mais gostosa, era o meu tempero favorito e não havia motivos para esconder isso dele. Quando me sentei cobre seu m****o ele reagiu instantaneamente e não consegui esconder a satisfação disso. O prefeito tão controlado e certo, tão prendado, estava duro sob mim e pulsava contra a minha i********e em puro desejo.
As presas perfuraram a pele com maestria e o sangue dele jorrou contra a minha boca em ondas de puro êxtase. Era como beber manjar. O calor percorria cada centímetro do meu corpo em ondas satisfatórias, um combustível para que me movesse sobre ele como claramente desejava. O sabor que começava com um leve ardor dormente sobre a língua se espalhava pela garganta com um doce refinado, uma cobertura deliciosa de chocolate aquecido na temperatura certa. Maldito fosse. Aquilo remexia dentro de mim tão forte que, por um momento, não havia qualquer pensamento coerente se passando por mim, qualquer linha de autocontrole que tentasse puxar estava fugindo do meu alcance. Poderia mata-lo se quisesse. Poderia. As mãos dele se prenderam em minha cintura e eu sabia que precisava me afastar, precisava. Em um último impulso, afastei meus lábios de sua pele, manchados daquele sangue vermelho brilhante, não era comum, claro que não, era o sangue especial de um arcanjo, um que não apenas me traria força como poderia elevar qualquer poder a outro nível. Nenhum vampiro comum conseguiria beber dele sem ser fuminado.
Estava pronta para desistir e terminar ali mesmo, agradecer e ir embora sem ter nada de interessante para dizer depois, afinal foi ele quem pediu por isso, ele pediu por mim. No entanto, sua mão se encaixou entre meus cabelos da nuca, os dedos afundando em meus cabelos, o maior me puxou contra si e nossos lábios se uniram em um beijo repleto de um sentimento mais antigo do que ambos, mais profundo do que eu poderia imaginar e de repente, eu estava retribuindo aquele ardor com intensidade. Minhas mãos se apoiaram nos ombros dele conforme meu corpo correspondia e se inclinava totalmente contra o do maior; seu calor completando algo que faltava em meu peito, em minha vida. Ao voltar para os pensamentos pouco racionais percebi que ele já havia invertido as posições, mas suas mãos não faziam nada além de me segurarem contra o colchão de uma forma quase desesperada, não parecia necessitado do que muitos normalmente são, não desejava sexo, não queria explorar meu corpo, não tentou nada. Mas o beijo...
Não havia nada mais profundo do que um beijo, poucas pessoas entenderiam essa simples frase, mas aquilo tocou profundamente em mim. Christiel se afastou tão lentamente que me vi buscando um pouco mais dele em sutis toques entre os lábios, até que estivesse distante demais para que eu pudesse alcança-lo.
— Me perdoe, não foi isso o que combinamos. — ao abrir meus olhos percebi que sua face estava repleta de uma profunda tristeza e constrangimento, mas seus olhos possuíam uma fome que nunca vi antes.
— Você não me forçou a nada, não há o que perdoar, Christiel. — minha voz estava rouca, ofegante, ele mirou meus lábios inchados e em seguida meus olhos.
— Você poderá repetir sempre que precisar, — abri a boca para dispensar essa oferta, mas ele foi rápido em continuar. — Permitir que use seu corpo para conseguir se alimentar é algo que não está em meus planos, é livre para fazer suas próprias escolhas e acredito que seja suficientemente capaz de se proteger caso um de seus "alimentos" tentem se aproveitar de você, mas quero que saiba que não precisa fazer isso, não precisa disso. O beijo... Foi uma reação, e eu nunca teria continuado se não correspondesse.
— Eu gostei do beijo, Christiel. — murmurei, um suave sorriso se formando em meu rosto.
— Se decidir vir a mim teremos condições, ninguém tocará em você. — sussurrou ele e se ergueu, deixando-me deitada sobre aquela cama. Sem muito esperar, me virei sobre os antebraços e o encarei enquanto, com passos largos, o prefeito se aproximava da porta e segurava em seu trinco.
— E quanto a você? — a curiosidade se enrolava em meu pescoço naquele momento, e eu não estava pronta para o olhar tomado por fogo que ele lançou sobre mim.
— Porque eu teria qualquer interesse em ser tocado por outra pessoa?