Capítulo 3

1303 Words
Lev Bolshakov Meses depois… O tempo está passando rápido, os dias parecem se resumir em poucas horas, e muitas vezes, nem consigo mais vê-la. Não sei se Adelie está bem, não sei se ela está me odiando pela minha ausência, ou se anda aprontando alguma coisa que vai me tirar do eixo de vez, mas eu sinto que há algo de errado, e minha intuição nunca mente. Meus treinamentos com a família de Adelie chegaram ao fim, e agora estou apenas cumprindo algumas coisas que combinei com Markus e Olivia, e por isso a minha presença na mansão também não é mais necessária. Sei que Olivia passou um bom tempo sumida, e que quase ninguém sabe que teve outro bebê, e eu só soube porque vi a barriga dela, e percebi todos os sinais de uma mulher recém parida. Não sei se Adelie conseguiu lidar bem com isso, mas espero que não tenha ficado triste em perder o posto de caçula da família. Hoje buscarei algumas das minhas coisas, e encerrei de vez meu período com eles. Passarei a me dedicar exclusivamente a minha máfia, e vou me preparar para tomar meu posto como líder Russo. Mas antes de partir, eu preciso vê-la, somente para me certificar que está bem. _ Adelie? _ Chamei seu nome antes de entrar no quarto, mas ela não me respondeu. Bati mais uma vez e a chamei, mas nada de resposta, então abri. _ Viborazinha? Entrei no banheiro e no closet, mas estava vazio. Se ela estiver aprontando alguma coisa, vou ficar puto! Peguei meu celular e comecei a ligar, mas nada da garota me atender, então liguei para o segurança que Olivia contratou exclusivamente para ela. _ Onde ela está? _ Perguntei sem rodeios. _ Sinto muito senhor, mas não posso informar. _ Disse o homem do outro lado da linha. Se ele não quer me dizer, significa que aquela cobra está aprontando alguma coisa muito séria! Encerrei a chamada e sentei em sua cama, soltando um longo suspiro. O cheiro de Adelie está por toda parte, e consigo sentir até o perfume de seus cabelos. _ Se controla Lev! Foca em descobrir porque sua futura esposa anda tão estranha! _ Murmurei. Comecei a olhar por todos os lados, observando o quarto da garota. Os livros de estudo, o computador, a escrivaninha… Adelie é muito esperta, e não deixaria nada a vista de ninguém, muito menos de sua mãe. Sentei em sua cadeira e abri a última gaveta da mesa. Havia uma foto que tiramos juntos há cerca de dois anos atrás. _ Boa tentativa, viborazinha! _ Coloquei a foto de lado e pressionei o fundo da gaveta, que fez um “click”. Levantei uma espécie de tampa, e vi um tablet cinza. Peguei, e ele solicitou senha. Adelie é muito meticulosa, até mesmo com suas senhas de jogos online, ela não é o tipo de pessoa que coloca a mesma senha em tudo, ela sempre muda. Porém, por algum motivo, ela tem uma sequência de números padrão, e por mais que as palavras das senhas mudem, a sequência de números não. Assim que digitei a tela destravou, e de cara, vi um arquivo. Era um atestado de óbito, de alguém que não conheço, mas que morreu há muito tempo. Depois, outro atestado de óbito, de alguém que morreu recentemente. _ O que ela anda fazendo? _ Ambos os mortos são colombianos. Adelie está investigando alguma coisa, e coisa boa não é, porque jamais esconderia uma coisa dessas de mim. Vasculhei mais um pouco, mas não havia muita coisa, e a memória do aparelho parecia ter sido resetada há pouco tempo. Guardei de volta no lugar, e coloquei a foto exatamente onde estava antes. Gravei na mente o nome das duas pessoas, e mandei que um dos meus aliados investigasse para que eu soubesse com quem minha noiva está lidando, e qual o motivo. Sai do quarto, e assim que coloquei meus pés para fora do corredor ouvi o barulho de carro chegando na garagem. Adelie saiu do banco traseiro e assim que me viu sorriu. _ Olha só, se não é o bonitão russo! Há quanto tempo, pensei que voltaria a te ver só no nosso casório! _ Disse carregada de deboche. _ Viborazinha, por onde estava? Por que não me atendeu? _ Olhei dela para o soldado que estava com ela, o mesmo que me negou informação. _ Estava tomando sorvete com umas amigas. _ Disse dando de ombros. _ Você não tem amigas. Onde você estava? _ Minha paciência estava indo pelos ares, odeio quando ela tenta mentir dessa forma tão descarada, como se eu fosse um mero ninguém! _ Eu já falei, ok? Agora para de encher a p***a do meu saco, e sai da minha frente! _ Olhei incrédulo para ela. Adelie realmente está falando assim comigo? Não que ela tenha sido uma garota super educada até aqui, mas p***a… falar assim é f**a! Fiquei tanto tempo sem palavras que ela simplesmente passou por mim, e o soldado sumiu. Esperei alguns minutos, fui até a cozinha e preparei um café com torradas. Coloquei em uma bandeja e fui até seu quarto, como um cão manso. Não bati, apenas entrei. Adelie estava no banho, então deixei a bandeja em cima de sua cama. Ia saindo quando senti uma mão segurar meu braço, e quando olhei para trás vi Adelie, com os cabelos pingando e seu rosto completamente molhado. Ela estava enrolada em uma toalha grande, que a cobria por completo. _ D-Desculpa… _ Murmurou envergonhada. _ Eu estou tendo um dia meio difícil. _ Tudo bem… por que não me conta onde estava ? Fiquei preocupado. _ É um assunto muito particular, Lev. Coisa de família. _ E eu sou da sua família, e logo serei seu marido. Não quero segredos, Adelie. _ Ela ficou em silêncio, e soltou meu braço. _ É complicado. Realmente não quero falar nada, espero que você entenda. _ Então eu vou descobrir sozinho. Não vou ficar com os olhos vendados vendo você tão preocupada! _ Ela revirou os olhos. _ Hey, não seja malcriada comigo na frente dos soldados, na próxima, eu te puno! Usei palavras firmes e um tom de voz mais ainda. Adelie ergueu uma sobrancelha e riu. _ Ah é? Vai me punir? Não é homem nem pra me dar um beijo, e vai querer me punir? _ Ela riu da minha cara com deboche. Por mais que eu goste muito de Adelie, ela precisa entender e aprender a me respeitar como homem. Em um impulso, agarrei seu braço com força e fiz seu corpo se chocar brutalmente contra o meu. Seus olhos perfeitos ficaram arregalados, e suas pupilas dilataram na mesma hora. _ Não ouse duvidar da minha masculinidade, Adelie. Eu não beijo você porque é uma garota, e eu sou um homem! Acha mesmo que homens de verdade beijam garotinhas? Não seja tola, sua insolente! _ Soltei seu braço e ela deu alguns passos para trás. _ Na próxima vez que ousar levantar a voz para mim na frente dos outros, eu te puno sim! Você não está falando com qualquer um, eu sou o futuro líder do império Russo, e não vou tolerar desrespeito! Virei as costas para ela e fui até a porta, abrindo-a. Quando ia fechar ouvi sua voz. _ É melhor cuidar como age comigo, Lev. _ Abri mais a porta para ouvi-la, ainda sem enxergá-la. _ Não sou qualquer mulher, posso ter pouca idade, mas se agarrar meu braço dessa forma mais uma vez, terá que assumir seu reinado sem os dedos, porque vou arrancá-los um por um! O silêncio reinou. Fechei a porta e voltei para o meu quarto. Algo me diz que esse relacionamento será muito mais complicado do que eu imagino.
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