Chego no trabalho e Clara me recebe com um sorriso que não se sustenta inteiro. Há algo deslocado nela. Um cuidado excessivo. Um constrangimento que não combina com a eficiência habitual. — Aconteceu alguma coisa, Clara? Pergunto, já tirando o casaco. Ela hesita por um segundo. Só um. Mas eu vejo. — Acho melhor você ver com seus próprios olhos… Sigo pelo corredor até minha sala sentindo uma antecipação incômoda, como se o ar estivesse levemente diferente. Abro a porta... e paro. Sobre a mesa, ocupando um espaço que nunca fica vazio sem motivo, há um belíssimo buquê de flores do campo. Simples e sofisticado ao mesmo tempo. Cores vivas, naturais, escolhidas com cuidado demais para serem casuais. Não sorrio. Apenas respiro fundo. Olho para Clara, que permanece perto da porta, esp

