Uma Aventura intensa, Um Adeus

1541 Words
Yasmin Eu estava relaxada, com uma taça de vinho rosé na mão, enquanto Ariana e Suzana, estavam espalhadas nas espreguiçadeiras ao meu lado. O clima era descontraído, o som ambiente era de risadas e o leve tilintar das taças. Suzana, sempre curiosa, virou-se para mim com um sorriso malicioso. — Então, Luna, ou melhor, Yasmin — começou, enfatizando meu nome verdadeiro. — Como foi a noite com o italiano bonitão? Ariana imediatamente parou de mexer no celular e olhou para mim, interessada. Eu sorri de canto, tentando parecer despreocupada, mas não consegui esconder o brilho nos olhos ao lembrar da noite anterior. — Foi incrível — admiti, tomando um gole do vinho antes de continuar. — Ele é charmoso,gostoso, bruto na medida certa, mas elegante, ele é o tipo de cara que sabe como ser cavalheiro durante o dia , e como fo*der bem gostoso durante a noite inteira, isso eu posso dizer. Mas, no final das contas, não é nada demais. Foi só... diversão. Suzana arqueou uma sobrancelha, claramente duvidando da minha tentativa de minimizar a experiência. — Nada demais? Você estava nas nuvéns quando voltou para o apartamento. Esse italiano te marcou, hein? — Ah, por favor, Suzana — revirei os olhos. — Foi meu último programa, em uma semana eu volto para o Brasil. E além disso, eu não estou afim de me amarrar a ninguém, muito menos a um cara que m*al conheço. Ariana balançou a cabeça, rindo. — É uma pena. Homens assim estão em falta no Brasil. Vai fazer falta, amiga. — Não pra mim. — Dei de ombros, apoiando a taça no braço da espreguiçadeira. — Foi bom por uma noite, mas não vou arriscar. Esses caras... — pausei, escolhendo as palavras. — Eles sempre têm algo a esconder. Elas pareciam prontas para rebater, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa, meu celular vibrou ao meu lado. Estiquei o braço para pegá-lo, e um número desconhecido iluminava a tela. — Quem será? — murmurei, desbloqueando o telefone. Ao abrir a mensagem, senti um frio na barriga, uma mistura de surpresa e curiosidade. "Ciao bella, não parei de pensar em você a noite inteira." Fiquei encarando a mensagem por alguns segundos, sem saber exatamente o que sentir. Suzana percebeu minha expressão e se inclinou para tentar espiar. — Quem é? — perguntou, tentando pegar o celular da minha mão. Afastei o telefone, segurando um sorriso. — Nada demais. — Mas minha mente já estava trabalhando em velocidade máxima, imaginando como ele havia conseguido meu número. — Nada demais? — Suzana repetiu, desconfiada. — E porque ficou com essa cara já que não foi nada demais? — Deixa de ser curiosa, Suzana. — Ri, tentando manter o tom casual. Mas a verdade é que aquele "ciao bella" tinha mexido comigo mais do que eu gostaria de admitir. Ariana deu de ombros, voltando a mexer no celular, mas Suzana não tirou os olhos de mim, claramente intrigada. Eu, por outro lado, me recostei na espreguiçadeira e tomei outro gole de vinho, tentando ignorar a pequena onda de emoção que aquela mensagem inesperada havia causado. Quando eu menos esperava, o celular vibrou novamente. Olhei para a tela e, como imaginava, era ele de novo. “Posso te ver novamente?” A mensagem era simples, mas carregava uma intensidade que me fez morder o lábio inferior. Algo nele, naquela confiança misturada com charme irresistível, fazia meu coração acelerar de um jeito que eu não estava acostumada. Tentei não me envolver. Realmente tentei. Mas, naquela mesma noite, lá estava eu me arrumando para sair com ele. Escolhi um vestido preto justo, que realçava minhas curvas, e uma sandália de salto fina. Meu cabelo loiro estava perfeitamente ondulado, e os olhos verdes ganharam um brilho extra com a maquiagem impecável. Quando desci as escadas do prédio, ele já estava lá, encostado em uma limusine preta brilhante. — Enrico —cumprimentei. Ele me esperava com um sorriso arranca calcinha que me deixava molhada. Ele estava impecável em um terno perfeitamente ajustado. Assim que me aproximei, ele abriu a porta da limusine para mim, como um verdadeiro cavalheiro. — Bella, você está deslumbrante — ele disse, e a forma como as palavras saíram de sua boca, com aquele sotaque italiano, quase me fez arrancar a sua roupa e pedir para que ele me fo*desse bem ali. Durante a noite, ele me levou ao restaurante mais caro e sofisticado de Milão. Sentados em um terraço iluminado por velas, brindamos com champanhe, enquanto eu me perguntava como alguém podia ser tão encantador e misterioso ao mesmo tempo. Ele me fazia rir, fazia perguntas sobre mim como se quisesse desvendar cada detalhe, mas nunca revelava muito sobre si mesmo. Aquela noite foi completamente inesquecível. Enrico tinha uma intensidade que me desarmava. Não era apenas o charme, a aparência ou o jeito como ele parecia dominar cada espaço ao seu redor — era o olhar profundo, que me fazia sentir como se eu fosse a única pessoa no mundo. Depois do jantar, caminhávamos pelas ruas. O vento frio soprava de leve, e eu apertava o casaco contra o corpo enquanto ele andava ao meu lado, as mãos nos bolsos do terno. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas havia algo no ar, algo que me fazia querer saber mais. — O que um homem lindo e rico como você está fazendo com uma garota de programa como eu? — perguntei, rompendo o silêncio. Minha voz saiu casual, mas, no fundo, eu estava curiosa pela resposta. Ele parou de andar e virou-se para mim, com um sorriso de canto que era ao mesmo tempo divertido e perigoso. — Primeiro — disse ele, erguendo uma sobrancelha —, me acha lindo? Eu ri, cruzando os braços. — Você sabe que é. — Justo. — Ele deu um passo na minha direção, diminuindo a distância entre nós. — E segundo... você tem algo que me atrai. — Ah, é? E o que seria? — perguntei, desafiadora. — Você é intensa e perigosa. Isso só me faz querer saber mais sobre você. Fiquei sem palavras por um momento, mas acabei sorrindo. Ele tinha o dom de me desarmar com uma frase. Não resisti e o beijei. Ele correspondeu com a mesma intensidade, suas mãos segurando minha cintura enquanto o mundo ao nosso redor parecia desaparecer. Quando nos afastamos, ele sussurrou: — Quer ir ao meu apartamento? — Sim — respondi, com um sorriso que refletia a mesma intensidade que ele provocava em mim. *** Já fazia cinco dias que eu estava saindo com Enrico. Cinco dias que, honestamente, poderiam ter sido cinco anos ou cinco minutos, porque o tempo com ele parecia fugir de qualquer lógica. Tudo era intenso, apaixonante e completamente fora do controle. Eu amei cada segundo. Ele tinha o poder de transformar cada momento em uma aventura e, confesso, eu estava vivendo o que talvez fosse a experiência mais libertadora da minha vida. Transamos em lugares que fariam qualquer pessoa normal hesitar. No banco de trás da limosine em movimento, enquanto o motorista dirigia por uma estrada deserta. No elevador de um shopping luxuoso, rindo como adolescentes quando as portas se abriram no térreo e quase fomos flagrados. No silêncio de um museu de arte, entre esculturas e pinturas que provavelmente nunca mais vou conseguir olhar da mesma forma. Até na sacristia de uma igreja, enquanto os sinos tocavam ao longe. E na última noite, em uma sala de cinema vazia na sessão da meia-noite, ele me fez esquecer completamente do filme que estava passando. Era impossível não sentir a conexão entre nós. Enrico era exatamente como eu: intenso, impulsivo e apaixonado por aquela adrenalina que fazia o sangue ferver. Cada vez que ele me olhava, eu sentia como se ele enxergasse além de tudo que eu mostrava ao mundo. Ele me via de verdade. Mas hoje seria o fim. Esta noite, ele me levaria para jantar em um restaurante em Paris. E eu terminaria com ele. Não porque eu queria, mas porque precisava. Eu não estava triste. Não sou do tipo que acredita em finais felizes ou em “o amor da minha vida”. Enrico foi incrível, mas era só isso. Uma experiência, uma lembrança deliciosa que eu guardaria para sempre. Mas nada além disso. Enquanto me arrumava para o jantar, vestindo um vestido vermelho que abraçava meu corpo como uma segunda pele, pensei no quanto tudo tinha sido perfeito. Se fosse em outra vida, em outras circunstâncias, talvez eu ficasse com ele. Mas a realidade é que o amor não existe, pelo menos não para mim. Meu pai já tinha me dispensado, e minha mãe estava me esperando no Brasil. A mulher que m*l conheço, mas que insiste em tentar me resgatar de algo que ela nem entende. Era hora de voltar, encarar essa nova fase e esquecer que Enrico existiu. Quando terminei de me arrumar, olhei para meu reflexo no espelho. Alta, magra, loira, com olhos verdes que brilhavam sob a maquiagem. Uma mulher que sabia exatamente quem era. “Está pronta, Yasmin?” perguntei a mim mesma. Respirei fundo, ajustei o vestido e peguei minha bolsa. Estava pronta, sim. Afinal, nada na vida é para sempre, nem mesmo alguém como Enrico.
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