TAVÃO
Entrei em casa com o maior cuidado, tudo tava no maior silêncio. Já era tarde, e eu só queria minha cama. O cansaço bateu junto com o peso do que eu tinha feito com a Tokyo. Nem o botadão sem dó, me ajudou a tirar Lavínia da minha cabeça.
Subi pro quarto, fechei a porta devagar e senti o ar gelado batendo no rosto. Graças a Deus o ar tá funcionando aqui, pensei, tirando a roupa sem nem acender a luz. Deitei peladão na cama, pronto pra apagar, quando senti um movimento ao meu lado.
— Ai! — Uma voz baixinha reclamou, e eu dei um pulo.
Levantei no susto, sem entender nada.
— Que merda é essa?! Quem tá aí?
— Sou eu, Tavão! — Lavínia respondeu, com a voz meio assustada.
Acendi a luz de uma vez e lá estava ela, encolhida num canto da cama, com um travesseiro abraçado. Meu coração disparou, mas agora era mais de nervoso do que qualquer outra coisa.
— Lavínia, que p***a cê tá fazendo aqui?
Ela suspirou, parecendo sem graça.
— Meu ar ainda tá quebrado. O pai mandou eu dormir aqui, falou que era melhor do que passar calor no meu quarto.
— E ele não achou que podia me avisar disso, não? — Passei a mão pelo rosto, tentando entender a situação.
— Eu também não sabia que você ia chegar tão tarde. — Ela deu de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu olhei pra ela, ainda tentando processar. Ela tava de pijama, um shortinho curto e uma camiseta larga, mas só o fato de saber que ela tava na minha cama já era suficiente pra me desestabilizar.
— Tá... — Murmurei, apagando a luz de novo e voltando pra cama. — Fica aí no seu canto, e eu fico no meu, beleza?
— Beleza. — Ela respondeu baixinho, mas a voz dela tinha aquele tom de provocação que eu já conhecia bem.
Deitei de costas, tentando ignorar a presença dela, mas o cheiro do cabelo dela tava no travesseiro, e a lembrança do que aconteceu mais cedo voltou com força.
Eu tava ferrado.
Do nada, Lavínia acendeu a luz, e eu só ouvi ela resmungar alguma coisa que não entendi. Virei pra olhar, já meio irritado.
— Que foi agora, Lavínia?
Ela arregalou os olhos e apontou pra mim.
— Cê tá... pelado!
Meu coração disparou. Olhei pra baixo e percebi que, realmente, tava do jeito que vim ao mundo. Instintivamente, segurei o p*u com uma mão e virei de costas, mostrando o bumbum pra ela.
— p**a que pariu, Lavínia, desliga essa luz!
— Caramba, Tavão, olha o tamanho da vergonha alheia. — Ela riu baixinho, e eu ouvi duas palminhas ecoarem pelo quarto. — Ih, pera, deixa eu parar antes que alguém acorde.
Eu tava tão sem graça que m*l consegui responder. Fui até a gaveta segurando o que dava e puxei um short. Me vesti às pressas, o rosto fervendo, enquanto ela continuava olhando, com aquele sorrisinho de quem tava se divertindo com a situação.
— Pronto, satisfeita? — Perguntei, virando pra ela.
Ela mordeu o lábio pra segurar o riso e balançou a cabeça, ainda com os olhos brilhando de diversão.
— Não precisava ficar peladão pra dormir, né?
— E eu sabia que você ia tá aqui, por acaso? — Retruquei, cruzando os braços, tentando esconder a vergonha.
Ela deu de ombros, deitando de novo com um sorriso maroto no rosto.
— Relaxa, Tavão. Não vi nada... quase.
Eu bufei, apaguei a luz e me joguei na cama de novo, dessa vez o mais longe possível dela. Mas, mesmo com a luz apagada, eu sabia que o rosto dela ainda tava com aquele sorriso sacana.
No escuro, Lavínia começou a cochichar. No início, eu tentei ignorar, mas ela continuava, a voz baixa demais pra eu entender. Suspirei, já de saco cheio.
— Fala mais alto, Lavínia. Que saco ficar nessa de cochicho.
— Não quero acordar ninguém, seu burro! — Ela sussurrou um pouco mais alto, mas ainda com aquela provocação irritante no tom.
Bufei e me virei pra ela, chegando mais perto. A cama era pequena, e, mesmo tentando manter distância, eu tava tão perto que dava pra sentir o cheiro dela. Um perfume suave, doce, mas com um toque diferente, único. Era bom pra c*****o.
— Tá, fala logo. Que que cê quer?
— Sobre o que aconteceu hoje de manhã... — Ela começou, e meu corpo enrijeceu na hora. — A gente precisa conversar, né? Não dá pra fingir que nada aconteceu.
Tentei prestar atenção, mas meu foco tava longe das palavras dela. O cheiro dela parecia invadir meus sentidos, misturado com o calor do corpo dela tão próximo. Eu queria responder, queria dizer alguma coisa, mas minha cabeça tava um caos.
— O que aconteceu não foi normal, Tavão. — Ela continuou, a voz num tom sério que eu não tava acostumado a ouvir vindo dela.
— É... eu sei. — Murmurei, mais porque parecia a resposta certa do que porque eu realmente tava prestando atenção.
Ela suspirou, e eu quase pude sentir o movimento do corpo dela ao lado do meu.
— Você sabe que eu tô falando sério, né?
Eu queria dizer que sim, que sabia. Mas, naquele momento, tudo que eu conseguia pensar era no quanto era difícil manter o controle perto dela. No quanto o cheiro, a presença, tudo nela tava me desarmando.
— A gente conversa disso amanhã, Lavínia. — Respondi, com a voz mais firme do que eu esperava. — Agora, dorme.
Ela ficou quieta por uns segundos, e eu achei que tinha encerrado o assunto. Mas então ouvi o sussurro de novo, suave e quase provocativo:
— Tá fugindo, Tavão?
Aquilo me pegou. Não era só a provocação no tom dela, era o fato de que ela sabia que eu tava fugindo. Porque, no fundo, eu tava mesmo. E era tudo culpa dela.
— Eu não fujo de mulher, Lavínia. Nunca fugi e não vai ser agora que isso vai acontecer. — Minha voz saiu baixa, mas firme, enquanto eu me aproximava ainda mais dela, tanto que dava pra sentir a respiração quente dela misturada com a minha.
O cheiro dela invadiu meu espaço de novo, aquele perfume suave que parecia provocar só por existir. Eu não conseguia mais pensar direito. Sem perceber, minha mão foi parar no rosto dela, os dedos tocando de leve a pele macia, e minha testa encostou na dela.
— Mas isso aqui... isso aqui é errado. — Falei num tom mais baixo, minha voz quase um sussurro. Eu tava tentando me convencer mais do que convencer ela. — Eu não devia nem tá perto de você assim.
Ela não disse nada, só ficou ali, respirando devagar, e aquilo tava me desgraçando. Suspirei pesado, sentindo meu autocontrole escorrer pelos dedos.
— Porra... — Murmurei, soltando um palavrão que carregava toda a frustração do momento.
E aí eu parei de tentar resistir. Ela tava ali, tão próxima, e eu já tinha perdido essa batalha comigo mesmo. Ignorei o que ela tinha dito, ignorei o que eu sabia que era certo, e simplesmente fiz o que meu corpo pedia.
Beijei ela.
Foi um beijo lento, molhado, carregado de desejo. Começou suave, mas o gosto dela me puxava cada vez mais fundo, como se eu tivesse esperado por aquilo a vida inteira. A boca dela era macia, quente, perfeita, e o jeito que ela retribuiu fez meu corpo inteiro vibrar.
Por um momento, não existia mais nada. Só eu e ela, perdidos naquele beijo que parecia tirar todo o ar dos nossos pulmões.