Saí da quadra sem alarde, andando com cuidado pela ladeira, tentando parecer normal. Só que a rua parecia mais comprida do que era. As luzes do morro ficavam tortas, e os sons vinham atrasados, como se eu estivesse dentro de uma bolha. Eu apertava a alça da bolsa com força, me xingando por ter bebido, por ter sido fraca, por ter saído sozinha. Cada passo era um esforço, e eu só queria chegar em casa, trancar a porta, deitar e esquecer. Foi numa curva que eu vi ele. Edgar estava mais abaixo, parado perto de um muro, conversando baixo com um dos homens dele. Não era clima de festa. Era clima de trabalho. E ele, do jeito que sempre era, parecia maior no escuro. Eu tentei virar o rosto e seguir, porque a última coisa que eu queria era ele me ver daquele jeito. Mas meu corpo traiu: tropecei n

