Lar Que Sempre Sonhamos

950 Words
— Eu admiro muito você, Joaninha... — disse Marcos, com um olhar sereno. — Por tudo o que fez pelos seus pais. De verdade. Ver a alegria no rosto de vocês aqui me emociona. Mas... lembre-se de pensar em você também. Sorri com doçura, sentindo o coração bater mais rápido. — Sim, eu sei. Também estou muito feliz de poder trabalhar como modelo de sapatos, estudar em uma escola boa, fazer cursos... é tudo tão novo, tão bom. Ele retribuiu o sorriso, satisfeito. — Agora sim. Era isso que eu queria ouvir de você. Seguimos então para o próximo destino. O carro parou diante de uma casa de tirar o fôlego. — É aqui. — disse Marcos, enquanto abria a porta. Assim que entramos, parecia que havíamos adentrado um filme. O quintal era imenso, todo gramado, com um jardim florido dos dois lados. A porta da frente era majestosa, de madeira maciça. Quando se abriu, revelava uma sala gigantesca, com um lustre de cristal pendurado no teto, reluzente. Um sofá de canto, enorme e confortável, ocupava boa parte do espaço. E à frente, uma televisão enorme embutida na parede. Tudo impecável. Mais adiante, a cozinha chamava atenção com seu porcelanato branco reluzente, eletrodomésticos modernos, armários repletos de louças finas — taças, copos, pratos, talheres organizados com esmero. As despensas estavam cheias. Era um sonho. Era mais do que um lar. Era um presente divino. Minha mãe se emocionou, não conseguiu conter as lágrimas. Eu a abracei com força e sussurrei no seu ouvido: — Você merece, mãe. Tudo isso é seu. Você merece. Subimos. E cada degrau parecia nos levar a uma nova realidade. O primeiro quarto era enorme. Um banheiro próprio, cama king size, televisão na parede, penteadeira com espelho de luzes, um closet com portas de vidro e... recheado de roupas novas. Tudo perfeitamente organizado. — Esse quarto é o seu, Joana. — disse Marcos, com a voz serena. Não consegui responder. Apenas chorei. — Nossa... que coisa linda... obrigada... obrigada mesmo. Visitamos outros dois quartos — também lindos, embora mais simples, sem televisão. — Esse aqui é um dos quartos de hóspedes. — explicou ele. Por fim, entramos no último quarto da casa. E ali foi impossível não se emocionar novamente. Um espaço digno de capa de revista. Uma suíte com banheira de hidromassagem, banheiro amplo, dois closets enormes repletos de roupas e calçados. A cama tinha cabeceira estofada, as cortinas tocavam o chão, e uma varanda com vista para o jardim. — Esse é de vocês, Dona Gisele, senhor Bled. Meus pais ficaram estáticos. Meu pai, com a voz trêmula, respondeu: — Marcos... que quarto lindo... muito, muito obrigado. — O mérito é da Joana. — ele respondeu, apontando para mim com ternura. — Desculpa insistir, Marcos... — disse minha mãe, com os olhos marejados. — Mas a gente precisa te agradecer. Você... você trouxe um milagre pra nossa vida. Ter escolhido nossa filha... nos proporcionado tudo isso. Marcos sorriu, com o rosto calmo e o coração nos olhos: — Não precisam me agradecer. Meu coração se enche de alegria ouvindo isso. A única coisa que eu quero... é que vocês sejam felizes de verdade. Ele ajeitou o paletó e falou: — Amanhã, às sete da manhã, volto aqui para apresentar o motorista de vocês, a moça que vai ajudar na limpeza e organização da casa, e também para levar a Joana à escola, aos cursos... E o senhor Bled ao trabalho. Tudo bem assim? — Sim, Marcos. Muito, muito obrigada. — dissemos em uníssono. E então ele se despediu, deixando para trás um lar... mas levando consigo um pedaço do nosso coração grato. — Mãe... — disse Joaninha, com o olhar curioso. — Tem uma porta ali no corredor, bem no final... parece secreta. O Marcos não mostrou pra gente. Acho que ele deixou pra gente descobrir sozinhos. Bled ergueu as sobrancelhas, pensativo: — É verdade.agora que você falou, lembro que ele passou direto por ali. Vamos ver o que é. Os três caminharam juntos, empolgados e com o coração acelerado. A maçaneta fria tocou as mãos de Gisele, que, com delicadeza, girou a chave que já estava encaixada. Quando a porta se abriu, um pequeno suspiro coletivo escapou. E então... o silêncio deu lugar às lágrimas. Gisele levou as mãos à boca, os olhos marejados. Seus joelhos quase fraquejaram. Na sua frente, um verdadeiro ateliê dos sonhos: três máquinas de costura diferentes, novinhas. Prateleiras cheias de linhas organizadas por cor — tons que ela nunca tinha nem tocado antes. Agulhas, alfinetes dourados, réguas de corte, tesouras afiadas, tecidos empilhados em armários envernizados, moldes organizados por tipo, manequins vestidos com cortes clássicos e modernos... um verdadeiro paraíso de costura. Era o seu refúgio. O seu mundo. — Filha... eu não acredito nisso. — Gisele murmurou, com a voz trêmula. Joaninha, também emocionada, se aproximou e abraçou a mãe por trás, com os olhos cheios d’água. — Ele sabia, mãe. Sabia que a senhora ia sentir falta da costura... porque é o que a senhora mais ama fazer. Ele preparou esse cantinho pensando em você, pra você não deixar de ser quem é. Gisele se virou, apertou a filha em seus braços e chorou: — Meu Deus... que coisa linda. Filha... eu tô tão feliz. De coração. Esse homem... ele é incrível. Um anjo. Joaninha sorriu: — Sim, mãe... ele é mesmo. Ele cuidou de cada detalhe. Pensou em todos nós. Eles ficaram ali por um tempo, admirando cada pedacinho do ateliê, como se tivessem acabado de abrir um tesouro escondido. Depois, saíram daquele cantinho mágico com o coração transbordando gratidão e foram desfazer as malas, prontos para viver a nova vida que estava só começando.
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