VISÃO: BEATRIZ MORETTI O choque térmico me atingiu como um soco no rosto no milésimo de segundo em que a porta do meu jatinho particular foi aberta. Um calor úmido, abafado, absolutamente nojento, que parecia grudar na pele como uma gosma invisível, ameaçando derreter a minha maquiagem impecável antes mesmo de eu pisar na escada de metal. Revirei os olhos por trás das lentes escuras e gigantescas do meu Prada. O Brasil fedia. Fedia a asfalto derretido, a poluição barata e a uma miséria tropical que ofendia as minhas narinas. Ajeitei a gola do meu blazer de linho preto Armani, ignorando o suor vulgar que já ameaçava nascer na minha nuca, e desci os degraus com a postura inabalável de quem pisa em cima do mundo e esmaga quem estiver embaixo. Na pista de pouso restrita, dois Range Rovers p

