NARRADO POR GOLIAS Deixei o Tubarão na contenção do QG, mastigando o ódio e repassando a ordem expressa de atirar pra matar em qualquer suspeito nas barricadas, e desci as vielas íngremes no passo pesado. O morro tava irreconhecível. Aquele formigueiro de gente que não para nunca, baile funk rolando, vapor cruzando de moto de um lado pro outro, som estourando nos botecos... tudo tinha sumido. Silêncio de cemitério. Só se ouvia o vento gelado batendo nos telhados de zinco das casas e o som oco dos meus coturnos esmagando o asfalto quebrado. A Muralha tava no modo blindado, respirando a morte, esperando o choque. Nenhuma alma viva botava a cara na janela ou espiava pela fresta quando o Comando decretava estado de sítio na favela inteira. Cheguei na base da Fortaleza, a minha casa principa

