Capítulo 12

1902 Words
Ao longo da minha vida eu já enfrentei muitas coisas, mas nada nunca havia chegado perto daquela situação, aqueles olhinhos adoráveis que eu constantemente via em meus sonhos mais recentes estavam ali me encarando de um jeitinho tão nervoso que soava fofo, brilhando em expectativa a espera de uma resposta. Resposta essa que por muitas razões eu não poderia dar, meu objetivo nunca foi entrar num relacionamento com a Sophia para reaver o Charlie, eu só queria me aproximar deles, mas o meu plano tinha uma enorme falha que eu só descobri tardiamente. Era impossível ficar perto da Sophia sem acabar me apaixonando por ela, tudo aconteceu de maneira tão gradativa que eu só notei quando já era tarde demais, e mesmo quando notei o que estava sentindo eu não queria mais abandonar isso, independente de tudo o que aconteceu em nosso passado, eu não sentia mais vontade de machucá-la, na verdade eu queria ser a pessoa que enxugaria as suas lágrimas e lhe protegeria de tudo. Mas como eu a protegeria da verdade dolorosa que estava por trás do meu reaparecimento em sua vida? Dizer sim a magoaria, assim como dizer não. Pela primeira vez eu não queria mentir para ela, não queria enganá-la, na verdade eu queria ser merecedora daquele pedido, daquele olhar cheio de carinho e amor, eu queria tanto ser digna do amor que a Sophia sentia por mim e que não estivéssemos numa situação como aquela. Se ela soubesse de toda a verdade jamais me olharia daquela forma de novo, jamais acreditaria se eu dissesse que a amo tanto que tenho medo todas as vezes que vou dormir de que quando acordar eu descubra que não passou de um sonho, porque é isso que as coisas boas sempre foram na minha vida... apenas sonhos. Sophia jamais acreditaria que eu a amo tanto que abriria mão do meu plano, na verdade, eu já havia desistido dele. - Sophia... - tentei falar porém minha voz falhou então engoli a seco. - Eu preciso te dizer algo antes. - fechei a caixinha com cuidado vendo seus ombros abaixarem em desânimo. - Isso tudo foi muito precipitado, não é!? - ela falou desviando seu olhar do meu parecendo envergonhada. - Eu sinto muito, não queria te colocar numa posição desconfortável, só nos conhecemos há três meses e... - Sophia. - a chamei segurando suas duas mãos tentando fazê-la prestar atenção em mim porém ela estava mais preocupada em divagar, engoli a seco novamente pedindo aos céus força para ser honesta com ela naquele momento mesmo que eu estivesse apavorada só de pensar na possibilidade de perdê-la. Eu não notei que estava apaixonada por ela até o instante em que percebi que poderia nunca mais tê-la em minha vida. - Isso é por que eu tenho um filho, não é!? - arqueei a sobrancelha não entendendo seu raciocínio. - Sei que deve soar como um fardo para você que eu tenha uma criança pequena... - Para com isso! - a repreendi não deixando que terminasse aquela frase tão infeliz. - O Theo não é um fardo e eu o adoro. - murmurei um pouco exaltada. - Nós podemos sair daqui para conversar? - ela assentiu que sim se levantando. Segurando a sua mão nervosamente e de maneira apertada como se eu temesse que ela pudesse escapar a qualquer instante caminhamos para fora do restaurante até seu carro, Sophia dirigiu em silêncio por alguns minutos até parar em frente a um parquinho que devido o horário estava deserto. - Queria me dar um fora sem público? - ela riu nervosamente passando suas mãos pelo vestido, talvez na tentativa de deixá-las menos suada. - Eu preciso te contar uma coisa. - murmurei meio insegura mordendo o lábio inferior. - Mas eu preciso muito que faça algo antes disso. - Alice eu juro que você está me assustando falando desse jeito. - ela falou tocando a minha mão que estava gélida, a encarei esperando que ela prometesse que faria. - Tudo bem, eu faço meu amor. - Eu preciso que você me beije. - respirei fundo vendo seu semblante passar de desconfiado para confuso em um segundo. - Eu quero sentir o seu amor e carinho, e eu temo que depois de lhe dizer o que eu tenho para contar eu nunca mais possa senti-lo novamente. - Meu amor, você nunca perderá isso, eu sempre estarei com você. - engoli a minha vontade de chorar sabendo que ela mudaria de idéia assim que eu contasse a verdade. Eu passei a ponta dos meus dedos na lateral do seu rosto em uma carícia suave enquanto observava seus traços desejando gravar em minha mente aquele momento, meu dedo contornou o seu maxilar e passando pelo seu queixo o ergui para que eu pudesse finalmente encostar meus lábios nos seus, suspirei contra sua boca levando minha mão a sua nuca para intensificar aquele beijo, sua mão repousou em minha coxa enquanto a outra segurava meu rosto com tanta devoção que eu não queria que aquele beijo acabasse, eu queria manter seu gosto em minha boca e fazer daquela mulher a minha namorada, mas eu não podia. Meu coração traidor batia descompassado em meu peito diante do seu toque, era como se mais nada existisse além daquela mulher a minha frente que tinha lábios macios e doces aos quais eu era perdidamente apaixonada. Me afastando lentamente deixei um beijo suave em seus lábios pelo que eu imaginava ser a última vez, abri os olhos encontrando os seus me encarando. - Uau... O que foi isso? - ela sorriu enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. - Não há um jeito fácil de dizer isso... - senti um frio percorrer meu corpo mas eu não poderia dar para trás agora. - Eu menti para você. - observei o sorriso dela se desfazer lentamente, como a covarde que eu era virei-me para frente não conseguindo olhar em seus olhos. - Eu sabia quem você era. - Eu sei Alice, nos conhecemos no colégio e... - Eu sabia que você era a mãe do Theo. - murmurei a interrompendo bruscamente, eu temia perder a coragem para falar então fechei meus olhos pedindo aos céus que minha voz não falhasse logo naquele momento. - Como assim? - foi tudo o que a ouvir perguntar após alguns instantes em silêncio. - Eu tinha 17 anos, mas minha vida estava destruída, eu estava sozinha e tão cansada de lutar... - senti uma lágrima deslizar por minha bochecha mas não tive forças para secá-la. - Então eu tive o Charlie, quando meu dedo tocou a sua mão foi como se todo o caos do mundo tivesse desaparecido, ele era parte de mim, a única coisa boa que eu tinha e arrancaram de mim sem que eu nem pudesse me despedir dele... - olhei para minhas mãos sobre meu colo como se ainda pudesse sentir meu neném ali. - Levaram o meu bebê embora e eu só queria tê-lo de volta. - Eu não estou entendendo Alice... - Sophia falou tocando a minha mão, me senti indigna do carinho que ela estava fazendo com seu polegar na tentativa de me tranquilizar, ergui a minha cabeça me virando para olhá-la. - O nome do Theo antes dele ser adotado era Charlie. - respondi baixinho. - Eu sou a mãe biológica do seu filho. - ela me encarou por longos segundos parecendo paralisada sua mão lentamente abandonou a minha. - Eu achei que a melhor forma de ter o meu filho de volta seria me aproximando de vocês e... - Então tudo foi uma mentira? - o seu tom de voz quebrantado partiu meu coração em mais pedaços do que eu poderia descrever, vi o momento em que seus lábios tremeram anunciando seu choro. - Fingiu que gostava de mim para roubar meu filho? - ela falou exasperada esperando uma resposta. - Tudo isso... - ela apontou o dedo para si mesma e depois para mim. - Era uma mentira? - Não! - falei rapidamente tentando tocá-la mas ela recuou bruscamente. - No começo sim... - tentei me corrigir. - Eu achei que podíamos ser amigas para que eu ficasse perto do Charlie, mas eu não esperava que acabasse me envolvendo com você e... - Então eu estraguei seus planos com minha paixão estúpida. - Sophia falou mais para si mesma do que para mim, neguei com a cabeça desesperada mas parecia tarde demais para me explicar, ela já tinha suas próprias conclusões sobre mim e assim como o esperado eram as piores possíveis. - Eu tenho nojo de você. - Sophia murmurou entredentes me deixando sem reação, seus olhos que costumavam ser tão brilhantes e cheios de vida agora estavam escuros e banhados de lágrimas. Sophia desceu do carro batendo a porta furiosamente, me desprendendo do cinto de segurança desci também apressando meus passos para me aproximar dela que andava de um lado a outro pela grama com as mãos na cabeça. - Como eu pude ser tão burra? - ela falava repetidas vezes baixinho. - Sophia... - Cala a boca, Griffin! - ela se virou para mim apontando o dedo, engoli a seco com medo, eu nunca havia a visto daquele modo. - Eu fui burra de deixar você entrar na minha vida, mas quer saber de uma coisa? - ela caminhou em minha direção me fazendo dar consecutivos passos para trás. - Você nunca chegará perto do meu filho, ele não é seu, eu passei os últimos dez anos cuidando dele, e onde você estava? - ela gritou batendo seu dedo contra meu peito várias vezes. - Você não é a mãe dele, uma mãe não abandona o filho e volta quando bem entende... - neguei com a cabeça sentindo as lágrimas banharem meu rosto, era extremamente doloroso ser julgada daquela forma, ainda mais por ela. - S-Sophia, eu não quero mais tirá-lo de você, eu só quero que nós... - Não existe nós, Alice! - ela pronunciou com raiva. - Você nunca roubará meu filho de mim, é melhor que você nunca mais cruze o meu caminho pois sendo ao acaso ou não você não irá gostar do resultado. Eu desconhecia aquela mulher que gritava comigo, eu sabia que tudo era minha culpa, mas ainda sim doía demais ouvi-la me acusar de abandonar meu próprio filho. - Me perdoa por favor, eu estava com medo. - supliquei segurando sua nuca tentando fazê-la me olhar. Sophia parou de me atacar mas ainda sim exalava raiva. - Eu não acredito que lhe pedi em namoro. - ela murmurou em tom de escárnio. - Deve ter passado os últimos três meses rindo da estúpida que eu sou por me apaixonar tão facilmente por você. - neguei com a cabeça tentando manter seus olhos nos meus. - Acabou. - Amor por favor, me deixa explicar tudo. - ela levou suas mãos aos meus braços os removendo de seu corpo devagar. - Eu não podia... - Você abandonou seu próprio filho, continue fazendo o que fez nos últimos dez anos, finja que ele não existe, e quanto a mim... - ela se afastou um pouco. - Não precisa mais fingir que gosta de mim. - ela sorriu tristemente. E entrando em seu carro, Sophia foi embora me deixando ali sozinha, caindo de joelhos na grama comecei a chorar desoladamente. Estava tudo perdido, eu os perdi para sempre.
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