A dor não desaparece de uma vez. Ela se recolhe, como o mar depois da tempestade, mas ainda deixa rastros na areia. Nos dias seguintes ao escândalo, o mundo lá fora continuava girando, mas aqui dentro o tempo parecia ter parado. O relógio marcava as horas, mas o coração, não. E, no entanto, algo dentro de mim começou a mudar — silenciosa e inevitavelmente. A barriga crescia. E junto com ela, um sentimento que eu não sabia nomear. Não era apenas amor. Era força. Naquela manhã, o sol entrou pela janela como quem pedia licença. O brilho invadia o quarto e tocava meu rosto, e por um instante, eu esqueci de tudo. Levantei devagar. A imagem no espelho me assustou no início. Meu corpo não era mais o mesmo. Os traços delicados da cintura haviam desaparecido, o rosto estava mais cheio

